“Meu nariz ficou deformado”, diz mulher após rinoplastia com dentista Ouvir 23 de março de 2025 Em dezembro de 2020, Marina Figueiredo, de 43 anos, procurou um dentista para realizar uma rinomodelação. O procedimento é comumente feito com ácido hialurônico, mas em vez disso, o profissional realizou uma rinoplastia sem anestesia e as condições adequadas. “Ele vendeu como rinomodelação, falava que ia afinar a ponta do meu nariz. Deixou claro que não era com ácido hialurônico, mas em nenhum momento disse que faria uma rinoplastia. ‘Rinomodelação definitiva’, foi o nome que ele inventou”, conta Marina, que é jornalista e empresária. Durante cerca de 40 minutos, o dentista utilizou um bisturi para perfurar a parte interna do nariz de Marina e, com uma agulha, costurou a ponta, unindo as laterais. Depois, cortou e deu pontos internos para fechar o corte. O resultado foi um desastre. “Meu nariz ficou deformado. Uma narina ficou empinada para cima e a outra para baixo, o que prejudicava minha respiração. Além disso, um fio usado para ‘afinar’ a ponta começou a extravasar pela lateral, causando infecções graves e risco de necrose”, relata. Leia também Grande Angular Dentistas devem pagar R$ 15 mil a paciente por erro em cirurgia nasal Brasil Dentista suspeita de deformar pacientes oferecia cursos por R$ 15 mil Na Mira Dentista que deformou pacientes tem 600 mil seguidores nas redes Brasil Três vítimas denunciam erro durante procedimento estético em MS Cirurgia de reconstrução foi a única saída Depois de reclamar com o dentista, Marina passou por um segundo procedimento, que piorou ainda mais sua situação. “Ele refez e estragou tudo. Quando saí de lá, meus dois lados do nariz estavam para cima. Mas, em dois ou três dias, tudo caiu e fiquei com uma cicatriz em uma das narinas”, diz. Desesperada para corrigir o problema, ela procurou 11 cirurgiões plásticos. Todos foram unânimes em afirmar que apenas uma rinoplastia secundária poderia reparar os danos. Apesar disso, a maioria afirmava que o procedimento seria extremamente difícil e delicado, e que não poderia realizar a cirurgia. “Passei por uma cirurgia de sete horas. Retiraram um enxerto da minha cartilagem para reconstruir meu nariz. Só assim consegui respirar corretamente e recuperar minha aparência”, relata. Além do impacto físico, o caso teve repercussões emocionais e profissionais. “Como jornalista, trabalho com vídeos e minha imagem é essencial. Ficar deformada por vários meses foi um sofrimento imensurável”, lamenta. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3 A imagem da esquerda mostra o nariz de Marina após o procedimento com o dentista. A da direita, após a rinoplastia secundária Acervo pessoal 2 de 3 Ela consultou 11 médicos, que foram unânimes em apontar a necessidade de uma rinoplastia secundária Acervo pessoal 3 de 3 Marina ficou com uma cicatriz no nariz Acervo pessoal Marina denunciou o caso, mas o dentista segue atuando. “Ele continua fazendo esses procedimentos em Goiânia e Brasília. Fiz denúncia no Conselho Regional de Odontologia e ele foi condenado, mas a punição foi uma multa de três meses. O próprio conselho reconheceu que o que ele faz não pode ser executado, pois dentista não pode dar pontos e nem cortar. Mesmo assim, ele segue atendendo normalmente”, conta. CFO quer permitir cirurgias plásticas por dentistas O Conselho Federal de Odontologia (CFO) anunciou recentemente uma proposta para habilitar dentistas a realizarem cirurgias plásticas no rosto. A medida permitiria que profissionais com formação focada em dentes e anatomia bucal pudessem realizar procedimentos estéticos faciais após uma breve especialização. Para o cirurgião plástico Tristão Maurício, que atua em Brasília, a proposta ignora a complexidade desses procedimentos. “Cirurgia plástica envolve riscos, por isso é uma especialidade médica séria. Pacientes entram pela porta bem e precisam sair melhor ainda. Para se realizar uma cirurgia plástica, é preciso ser médico cirurgião plástico. Parece óbvio, mas não tem sido”, afirma. Maurício reforça que conhecer a anatomia de uma região não significa estar apto a operar. “Isso é uma invasão. Um desrespeito à ciência da cirurgia plástica”, diz. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) também se manifestou contra a proposta do CFO, destacando que a especialidade exige uma formação longa e rigorosa de 12 anos. “A prática de cirurgias plásticas — mesmo que de pequeno porte — por profissionais não qualificados é uma decisão de altíssimo risco à saúde dos pacientes, inclusive com a possibilidade de óbito”, afirma a entidade em nota enviada ao Metrópoles. Procurado pela reportagem, o Conselho Federal de Odontologia afirmou que a resolução sobre cirurgias estéticas faciais ainda está em fase de elaboração e que os procedimentos permitidos e suas exigências não foram definidos. O CFO defendeu que a regulamentação representará um “avanço importante para a Odontologia” e garantirá segurança à população. Sobre o caso de Marina Figueiredo, o conselho informou que a denúncia resultou na instauração de um processo ético já encerrado. O cirurgião-dentista foi condenado a censura pública e multa. 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