Saiba quanto de carne é possível comer sem comprometer o planeta Ouvir 24 de abril de 2025 Comer carne faz parte da rotina alimentar de grande parte da população. Porém, a criação de gado como é feita hoje é considerada uma das grandes responsáveis pelo agravamento do efeito estufa. Na busca pelo equilíbrio, qual é a quantidade que podemos consumir sem sobrecarregar o planeta? Foi essa pergunta que guiou uma equipe de cientistas ambientais, que decidiu calcular o limite semanal de carne compatível com a saúde da Terra. A pesquisa, publicada na última segunda-feira (21/4) na revista Nature Food, foi conduzida por especialistas da Universidade Técnica da Dinamarca. A ideia era transformar o conceito genérico de “reduzir o consumo de carne” em uma recomendação prática, algo que pudesse ser usado por consumidores comuns no dia a dia. “A maioria das pessoas agora percebe que devemos comer menos carne por razões ambientais e de saúde. Mas é difícil entender o quanto ‘menos’ significa’. Nosso cálculo oferece um número concreto que pode ser levado em conta na hora de fazer compras”, afirmou a pesquisadora Caroline Gebara, principal autora do estudo, em comunicado. Carne vermelha fora do cardápio sustentável O número definido pelos pesquisadores foi 255 gramas por semana de carnes como frango ou porco — a quantidada é equivalente a dois peitos de frango. Carnes vermelhas, como de boi e cordeiro, ficaram fora da recomendação por causa do impacto ambiental mais alto. Leia também Saúde Carne vermelha em excesso pode aumentar risco de demência, diz estudo Claudia Meireles Comer um tipo de carne vermelha eleva o risco de demência, diz Harvard Claudia Meireles Nutricionista faz alerta a quem come carne vermelha diariamente Saúde Comer carne vermelha todo dia faz mal? Entenda impactos na dieta Segundo os autores, a criação de ruminantes como vacas, ovelhas e cabras, que fermentam os alimentos no estômago antes da digestão completa, exige grandes áreas de terra e contribui significativamente para a emissão de gases de efeito estufa, como metano e óxido nitroso, que são muito mais potentes que o dióxido de carbono. “Mesmo quantidades moderadas de carne vermelha são incompatíveis com o que o planeta consegue regenerar em recursos”, afirma Gebara. Um modelo baseado em limites reais O estudo combinou dados de saúde nutricional e de sustentabilidade planetária para estabelecer uma dieta que respeite ao mesmo tempo o corpo humano e o meio ambiente. Os cientistas analisaram 32 requisitos nutricionais e vários indicadores ambientais, como uso de solo, emissão de gases e consumo de água. O modelo se baseia em dados dos Estados Unidos e foca em países de alta renda, mas os autores afirmam que os princípios podem ser adaptados a outras regiões. Eles também reconhecem que fatores como preço, acesso aos alimentos e cultura alimentar não foram considerados. “Alcançar dietas verdadeiramente sustentáveis exige disponibilidade universal, o que depende de políticas públicas em todos os níveis”, escreveram os pesquisadores. Os pesquisadores afirmam que é possível manter uma alimentação saudável e prazerosa sem ultrapassar os limites do planeta, desde que o consumo de carne, especialmente a vermelha, seja moderado. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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