Veneno de sapo brasileiro mostra potencial na prevenção do AVC Ouvir 23 de junho de 2025 Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) descobriram que a toxina do veneno de um sapo natural da Mata Atlântica tem potencial para ser usada em medicamentos destinados à prevenção e o tratamento de doenças vasculares, como hipertensão arterial, disfunções endoteliais e até mesmo acidente vascular cerebral (AVC). O Brachycephalus ephippium tem o tamanho e cor alaranjada ou amarela-cromo como características que chamam atenção. Esses sapos medem apenas de 1,25 cm a 1,97 cm e são bastante abundantes na Mata Atlântica da Serra do Mar e da Mantiqueira. Eles carregam uma toxina que pode ser útil para o tratamento de milhares de pessoas. “Sintetizamos essa molécula e vimos o potencial protetor cardiovascular. Estou muito empolgado porque é uma substância relativamente fácil de produzir”, conta o coordenador do projeto, José Roberto Leite, professor da Faculdade de Medicina/UnB e sócio fundador da startup People&Science. Os resultados animadores foram publicados no European Journal of Pharmacology, na última quinta-feira (19/6). O projeto é fruto de uma parceria internacional, que reuniu instituições do Brasil, Dinamarca, Portugal e Venezuela. Um dos destaques é a participação da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Leia também Saúde Estudo: toxina de escorpião da Amazônia mata células do câncer de mama Saúde Veneno de cascavel tem potencial para combater o câncer, diz estudo Saúde Butantan estuda veneno de cascavel no tratamento da esclerose múltipla Saúde Ex-paciente, professora da UnB acha veneno com potencial contra câncer Doenças cardiovasculares As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Só no Brasil, estima-se que ao menos 380 mil pessoas percam a vida todos os anos devido a essas enfermidades, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). As principais doenças cardiovasculares são: infarto, insuficiência cardíaca, doença valvar, acidente vascular cerebral (AVC), arritmia cardíaca e doença arterial periférica. A maioria delas se desenvolve de forma silenciosa e pode passar anos sem ser tratada por desconhecimento. Os principais sinais de alerta são: sensação de pressão e dor no peito; dor, se presente, nos braços, pescoço, mandíbula, costas, parte inferior do tórax, abdômen superior ou estômago. Outros sintomas incluem a sensação constante de falta de ar, tontura, fadiga, náusea, vômito, suor frio, especialmente durante a noite, e inchaços. Veneno de sapo com potencial cardiovascular A descoberta da substância, batizada de BPP-BrachyNH₂, foi feita em 2015, durante uma expedição na Mata Atlântida. Os primeiros estudos mostraram que o peptídeo tem ação vascular parecida com a de medicamentos para pressão alta já conhecidos. No novo estudo, os pesquisadores testaram a toxina em ratos para explorar ainda mais seus benefícios. Eles descobriram que a substância promove o relaxamento de vasos sanguíneos em artérias mesentéricas — responsáveis por fornecer sangue oxigenado e nutrientes para os órgãos dos animais. O mecanismo ocorre por meio da interação com a enzima argininosuccinato sintase (AsS), fundamental para a produção de óxido nítrico, molécula com reconhecida função vasodilatadora no organismo humano. Os pesquisadores explicam que a substância se liga de forma eficaz à enzima AsS, favorecendo o reaproveitamento de L-citrulina e aumentando a disponibilidade de L-arginina, principal substrato para a produção de óxido nítrico. Esse processo é essencial para manter o tônus vascular, regular a pressão arterial e evitar episódios isquêmicos. “Com os novos estudos em modelos animais, observamos efeitos vasculares adicionais, incluindo ações protetoras sobre o endotélio. Esses achados ampliam significativamente o potencial do composto, que agora desponta como um candidato promissor na prevenção de eventos isquêmicos, como o AVC”, explica Leite. 10 imagensFechar modal.1 de 10 O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro Agência Brasil 2 de 10 O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico Pixabay 3 de 10 Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala Pixabay 4 de 10 O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas Pixabay 5 de 10 Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas Pixabay6 de 10 Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar Pixabay7 de 10 Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVC Pixabay 8 de 10 Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantes Pixabay 9 de 10 Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVC Pixabay 10 de 10 Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados Pixabay Ensaios clínicos para testar eficácia em humanos O próximo passo do estudo será a realização de ensaios clínicos em humanos, quando a eficácia e segurança do tratamento deve ser testada. “Nossos testes já comprovaram a eficácia em animais e agora vão partir para humanos. Para isso, precisamos de financiamento e apoio institucional, a fim de transformar essa descoberta em uma nova estratégia terapêutica segura e eficaz”, afirma o pesquisador. No Brasil, além dos pesquisadores da UnB, também participaram cientistas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), do Instituto Federal do Piauí (IFPI), da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Dor no pé na caminhada pode ser fascite plantar. Conheça as causas 12 de março de 2025 A fascite plantar é uma das lesões mais comuns atualmente. Caracterizada por uma inflamação da planta (ou sola) do pé, ela costuma estar relacionada ao excesso de movimentos nesta região. São dois formatos mais comuns de pés que podem trazer esse problema: o pé plano ou “chato” e o que… Read More
Quem diz é a ciência: não é saudável arrumar a cama logo ao acordar 30 de outubro de 2024 Todo adolescente já se rebelou em algum momento contra a regra de arrumar a cama logo ao acordar. O hábito é comum e até incentivado por especialistas em bem-estar: com a cama organizada, o dia pode começar com calma. Porém, a ciência é contra o costume. Em um vídeo que… Read More
Notícias Oropouche: saiba sintoma inusitado que pode aparecer na infecção viral 24 de agosto de 2025 Em recente atualização, a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) chamou atenção para a expansão da febre oropouche nas Américas. Segundo a agência ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), 12.786 casos foram notificados nos países da região até o final de julho. Leia também Saúde Pesquisa mostra ação do vírus… Read More