Transplante: técnica brasileira permite conservar rins em água de coco Ouvir 9 de julho de 2025 Apesar de ser um dos países que mais fazem transplantes de rins no mundo, o Brasil ainda possui uma fila de espera com mais de 42 mil pessoas. A lista para todos os outros órgãos somados reúne apenas 3 mil indivíduos. Por isso, muitas pesquisas têm sido desenvolvidas para criar formas mais baratas e facilitadas de transplantes renais. Um destes novos métodos foi proposto por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE): eles desenvolveram uma técnica que usa água de coco desidratada na preservação dos órgãos para transplante. Leia também Saúde Veja benefícios à saúde de incluir a água de coco na dieta Distrito Federal HUB comemora marca dos 1.000 transplantes de córnea e 500 de rins Saúde Homens são infectados com parasitas após transplante de rim nos EUA Saúde “Vou recuperar minha vida”, diz mulher que recebeu transplante de rim Base natural com ciência aplicada A invenção foi reconhecida com uma patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “Fizemos esse primeiro experimento com mamíferos e obtivemos um resultado excelente. A fase inicial da pesquisa já demonstra a qualidade e a eficiência dessa solução para a preservação de órgãos de mamíferos. Na sequência, o produto deverá passar por outras etapas de desenvolvimento, com o objetivo de, futuramente, ser aplicado em seres humanos”, explicou a médica-cirurgiã e professora da UECE, Ivelise Canito Brasil, orientadora do estudo, em entrevista ao site da universidade. A expectativa é que, se usada em larga escala, a solução de preservação com base em água de coco seja até 70% mais barata do que os métodos atuais. Além disso, o novo processo elimina a necessidade de refrigeração contínua. Essa característica pode ser decisiva em regiões com estrutura limitada, como o interior brasileiro. Para serem transportados para transplantes, os órgãos atualmente devem ser mantidos em temperaturas baixas e imersos em soluções especiais que nutrem e protegem as células do órgão, prolongando sua viabilidade. O uso da água de coco adaptada proposto pelos pesquisadores cearenses acaba cumprindo, em testes com animais, ambas funções. Solução de água de coco usada nas pesquisas é modificada para preservar os órgãos Por que a água de coco? O Núcleo Integrado de Biotecnologia (NIB), da Faculdade de Veterinária da Uece, foi o local de desenvolvimento do projeto. A água de coco desidratada foi a base escolhida em continuidade a estudos anteriores conduzidos pela instituição. O médico Rômulo Augusto da Silveira, pesquisador principal, explicou a escolha: “Ela possui uma composição rica em nutrientes, eletrólitos, antioxidantes e agentes oncóticos que podem ser benéficos para a preservação renal. Embora já tenha sido testada para preservação de células e tecidos, essa é a primeira vez que a água de coco é aplicada especificamente na preservação de rins, o que torna nossa pesquisa inédita”. Testes para além dos rins Agora, o trabalho segue para fases mais complexas. Com a patente garantida, o desafio atual é buscar financiamento para testes, eventualmente, com órgãos humanos. Depois disso, será necessário obter aprovação da Anvisa para uma aplicação em larga escala. “Embora o foco inicial tenha sido os rins, acreditamos que o processo pode ser adaptado para a preservação de outros órgãos sólidos, como fígado e vasos sanguíneos. Estudos adicionais serão necessários para investigar essa possibilidade”, concluiu Rômulo. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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