Comida e até remédio: alergia a corante alimentício muda vida de jovem Ouvir 22 de setembro de 2025 A advogada brasiliense Isabella Fonseca, 28 anos, descobriu em 2021 que sofria de uma condição pouco conhecida: alergia a corantes alimentícios. Durante a faculdade, ela consumia diariamente salgadinhos industrializados de cores vibrantes e outros produtos ultraprocessados. Com o tempo, passou a apresentar enxaquecas intensas, diarreia recorrente e erupções na pele. A busca por respostas levou ao diagnóstico após um teste de contato, que também apontou reação ao amendoim. Leia também Saúde Você pode ter alergia a camarão e não saber: veja os sinais Saúde Alergia à água: condição real ou desculpa para não tomar banho? É o bicho! Saiba quais as raças de cachorro ideais para pessoas com alergia Claudia Meireles Saiba quais são os alimentos que mais provocam alergias Adaptação difícil e restritiva Segundo Isabella, a adaptação foi um grande desafio. “No início, eu passava mais de uma hora no mercado lendo rótulos. Descobri que praticamente tudo tem corante”, conta. A dificuldade não se restringe à alimentação: ela precisa verificar shampoos, maquiagens, tinturas de cabelo e até medicamentos. Um episódio marcante ocorreu quando, ao tomar um anti-inflamatório de cor azul, passou mal e precisou de atendimento médico. “As pessoas acham que é frescura, mentira” desabafa. De acordo com o alergista Thiago Lobianco, do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira (RO), a reação é resultado de uma resposta imunológica anômala. “O organismo reconhece o corante como agente agressor e desencadeia uma resposta inflamatória desproporcional”, explica. Apesar de rara, a alergia pode provocar sintomas cutâneos, respiratórios e gastrointestinais. Em casos mais graves, há risco até de anafilaxia. Os corantes artificiais, como tartrazina e eritrosina, estão entre os principais desencadeadores. As reações a determinados alimentos vão desde sintomas leves, como na pele, a outros mais graves Diagnóstico e cuidados contínuos O diagnóstico definitivo envolve teste cutâneos, exames de sangue e, em alguns casos, testes de provocação oral supervisionados em ambiente hospitalar. Para quem tem alergia confirmada, o tratamento é baseado na exclusão dos corantes e no uso de medicamentos em casos de reação. “Não existe protocolo de dessensibilização para corantes. A recomendação é evitar totalmente a exposição”, explica Viana. A rotina de Isabella exige cuidados fora de casa. Para socializar, ela precisa escolher opções naturais em restaurantes e bebidas sem adição de corantes. Em casa, opta pelos alimentos mais naturais possíveis e quando precisa de medicamentos para dor de cabeça, por exemplo, escolhe comprimidos de cor branca ou manipulados em cápsulas transparentes. “Quando tenho contato com o corante, sinto desconforto estomacal e dores de cabeça muito fortes”, relata. Como identificar uma crise alérgica Na pele: aparecimento súbito de urticária (manchas vermelhas), coceira intensa, inchaço nos lábios, olhos ou rosto. No sistema digestivo: dor abdominal, náusea, vômito ou diarreia logo após a ingestão. No sistema respiratório: tosse, chiado no peito, dificuldade para respirar ou sensação de garganta fechando. Na circulação: tontura, queda de pressão e sensação de desmaio — sinais de possível anafilaxia. Sintomas gerais: dor de cabeça forte e desconforto estomacal, que podem surgir em reações mais leves. Segundo o alergista, a literatura médica ainda é escassa sobre o prognóstico da condição da Isabella. Diferente de algumas alergias alimentares em crianças, não há evidências de que a sensibilidade a corantes desapareça com o tempo. “A tendência é que a alergia persista ao longo da vida”, afirma. Para Isabella, o diagnóstico mudou não só sua alimentação, mas também a forma como lida com o dia a dia. A jovem segue adaptando escolhas, consciente de que sua saúde depende de vigilância constante. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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