Cadáver ambulante: conheça síndrome em que pessoa acredita estar morta Ouvir 10 de outubro de 2025 A síndrome de Cotard é um distúrbio psiquiátrico raro, caracterizado por uma desconexão profunda entre percepção e realidade. Quem sofre da condição pode acreditar que está morto ou que partes do corpo deixaram de existir, negligenciando alimentação e cuidados pessoais. O quadro pode surgir por alterações cerebrais, fatores psiquiátricos ou uma combinação de ambos. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para oferecer tratamento adequado e prevenir complicações graves. Leia também Saúde Saúde mental preocupa 54% dos brasileiros e 42% se sentem estressados Pouca vergonha Setembro Amarelo: como a saúde sexual e mental podem andar juntas Saúde Conheça 5 alimentos que podem fortalecer a saúde mental e o bem-estar Fábia Oliveira Trend IA: especialista em saúde mental explica impactos emocionais O que é a síndrome de Cotard? Distúrbio psiquiátrico raro com delírio de negação da própria existência. Sensação de que órgãos ou partes do corpo estão mortos ou em decomposição. Alterações em áreas cerebrais ligadas à percepção corporal e integração emocional. Surge frequentemente em conjunto com transtornos psiquiátricos ou neurológicos. Pode levar ao isolamento social e abandono de atividades diárias. Síndrome de Cotard e transtornos mentais A síndrome de Cotard frequentemente surge em associação com transtornos psiquiátricos graves, como depressão psicótica, esquizofrenia e algumas doenças neurodegenerativas. Alterações neurológicas decorrentes de lesões cerebrais, infecções ou traumas também podem contribuir para o desenvolvimento dela. A doença afeta áreas do cérebro responsáveis pela percepção do corpo, das emoções e da própria identidade. O delírio de negação, característica central da síndrome, provoca uma percepção distorcida da realidade, na qual o indivíduo não reconhece partes do próprio corpo ou acredita que está morto. O neurologista Lucas Cruz, médico do Hospital Anchieta de Brasília, esclarece que não existem marcadores para a síndrome. Por isso, o diagnóstico é feito através da avaliação psiquiátrica. “Exames neurológicos podem ser solicitados para descartar causas orgânicas, como lesões cerebrais ou infecções”, afirma. No dia a dia, a síndrome interfere profundamente na percepção do corpo e na capacidade de realizar atividades cotidianas. Renata Gondini, psiquiatra que atende em São Paulo, explica que a manifestação do distúrbio no dia a dia do paciente pode ser muito difícil de lidar, exigindo cuidados e rede de apoio. “No cotidiano, essa distorção da percepção de si mesmo pode ser devastadora. O indivíduo passa a não reconhecer sua própria imagem, sente que perdeu a alma ou que o corpo é apenas uma carcaça vazia. Há quem verbalize frases como ‘meu coração parou’ ou ‘meu corpo está morto’, refletindo a quebra completa do vínculo entre mente e identidade”, conta Renata. Alterações em regiões cerebrais responsáveis pela percepção corporal, emoções e consciência de si mesmo estão associadas à síndrome de Cotard O afastamento da realidade compromete atividades cotidianas essenciais, como alimentação, higiene e interação social. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o quadro tende a se agravar, aumentando o risco de isolamento, desnutrição e, em casos mais graves, suicídio. Além de fatores psiquiátricos, alterações neurológicas podem contribuir para o surgimento da síndrome de Cotard. Lesões no cérebro ou desequilíbrios químicos podem interferir na percepção do próprio corpo e na integração das emoções, criando condições para que o distúrbio se manifeste. “Lesões causadas por acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, infecções como meningoencefalites e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, estão comumente relacionadas ao desencadeamento da síndrome, explica o neurologista Sergio Jordy, membro da American Academy of Neurology (AAN) e da European Academy of Neurology (EAN). Principais sintomas da síndrome de Cotard Crença de que está morto ou partes do corpo não existem. Perda de interesse e apatia intensa. Isolamento social. Negligência com alimentação e higiene. Sensação de desconexão do próprio corpo. Tratamento da síndrome de Cotard O acompanhamento de pacientes com síndrome de Cotard exige atenção multidisciplinar, pois o distúrbio compromete a percepção de si mesmo e a capacidade de realizar cuidados básicos, como se alimentar e manter a higiene. O manejo combina medicamentos, como antidepressivos e antipsicóticos, com psicoterapia, que ajuda a reconstruir a percepção da realidade e a restabelecer a conexão com o próprio corpo. Pesquisas recentes indicam que alterações em circuitos cerebrais ligados à consciência de si e ao processamento emocional influenciam o desenvolvimento da síndrome, permitindo tratamentos mais direcionados e eficazes. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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