Furosemida: por que usar diurético para “desinchar” é perigoso Ouvir 21 de outubro de 2025 O desejo de eliminar o inchaço, a retenção de líquido e ver a balança baixar rapidamente tem atraído algumas pessoas a fazer uso da furosemida, um diurético potente, disponível em farmácias. O medicamento, no entanto, não é uma solução estética, e seu uso sem prescrição médica pode trazer consequências graves para o organismo. A substância é indicada para casos específicos de doenças renais, cardíacas e hepáticas, em que há acúmulo de líquido no corpo — e jamais para “secar” ou emagrecer. Leia também Claudia Meireles Fruta rica em nutrientes melhora a digestão e é um excelente diurético Brasil Anvisa proíbe diurético após ampola conter material semelhante a vidro Vida & Estilo Gordura abdominal: chá diurético ajuda a queimar a famosa “pochete” Vida & Estilo Chá termogênico e diurético “seca” barriga e controla pressão arterial Segundo a gastroenterologista Karina Gastaldo, da Santa Casa de São José dos Campos, o risco está na falsa sensação de que a perda de líquido é sinônimo de saúde. “Usar furosemida sem orientação médica para desinchar é perigoso, porque a pessoa não perde gordura, e sim líquido. O risco é perder muito sódio e potássio, o que pode causar desidratação e até situações mais graves”, explica a médica. Por que o corpo incha? O endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esclarece que a retenção de líquidos é um processo fisiológico e que nem sempre está ligada a doenças. “Ela ocorre quando há desequilíbrio entre a quantidade de sódio e água no corpo, influenciada por hormônios como aldosterona, estrogênio e cortisol. Estresse, ciclo menstrual e uso de anticoncepcionais também interferem nesse mecanismo”, diz. O especialista explica que, nas mulheres, o inchaço costuma ser mais perceptível nos dias que antecedem a menstruação, quando há variações hormonais. O calor, o sedentarismo e o consumo excessivo de sal também podem acentuar o problema. “Em pessoas saudáveis, esses episódios são passageiros e se resolvem com hábitos simples, como beber mais água, praticar atividade física e reduzir alimentos ultraprocessados”, complementa Zilli. Impactos no fígado e nos rins A furosemida atua nos rins, estimulando a eliminação rápida de água e eletrólitos, como sódio e potássio. Essa ação altera o equilíbrio natural dos fluidos e, quando usada indevidamente, sem acompanhamento médico, pode provocar queda brusca de pressão, câimbras, arritmias e fadiga intensa. Apesar de o uso abusivo da furosemida causar mais danos renais do que hepáticos, o fígado também pode sofrer com a desidratação. Segundo a gastroenterologista Karina Gastaldo, o remédio diminui o fluxo de sangue para o fígado, o que, em casos extremos, pode gerar uma inflamação conhecida como hepatite isquêmica. “A pessoa pode apresentar olhos amarelados e aumento das enzimas hepáticas, mas isso é raro. O principal risco é a lesão renal por desidratação, que pode evoluir para insuficiência renal”, afirma. O acompanhamento médico é essencial para pacientes que realmente precisam do medicamento. A especialista ressalta que o uso correto é feito com monitoramento de exames laboratoriais e ultrassonografia abdominal, avaliando eletrólitos, função renal e hepática. Precauções O medicamento jamais deve ser usado sem prescrição. O risco de desidratação e colapso circulatório é elevado. A eliminação excessiva de sódio, potássio e magnésio pode causar arritmias cardíacas. O uso indevido pode provocar tontura, desmaios e risco de descompensação cardiovascular. O excesso de diurético sobrecarrega os rins e pode causar insuficiência renal aguda. A medicação interfere na regulação natural da pressão e no balanço hídrico, afetando metabolismo e equilíbrio hormonal. Após a desidratação, o corpo tenta reter mais líquido, agravando o inchaço e causando efeito rebote. Beber água ao longo do dia é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o inchaço Alternativas seguras para reduzir o inchaço A retenção de líquido, quando leve, pode ser controlada com mudanças de estilo de vida e alimentação equilibrada. Beber água regularmente, dormir bem, evitar o consumo de álcool e reduzir sal e açúcar são medidas simples e eficazes. O endocrinologista Renato Zilli reforça que o segredo está na consistência dos hábitos: “Perder líquido não é o mesmo que perder gordura. Quando se usa diurético sem indicação, o corpo elimina água e glicogênio, e depois reage com um efeito rebote. O foco deve ser reeducar o metabolismo e melhorar os hábitos para resultados sustentáveis”, conclui. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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