Esponja pode tornar tratamento da candidíase mais confortável e eficaz Ouvir 5 de janeiro de 2024 Um grupo de pesquisadores do Brasil e Portugal desenvolveu uma esponja biodegradável capaz de liberar medicamentos lentamente no organismo. O produto pode tornar o tratamento da candidíase mais confortável e eficaz. A esponja é feita de quitosana, um biopolímero proveniente da parte exterior do corpo de crustáceos. Altamente poroso, ele absorve grandes quantidades de medicamento antifúngico e o libera lentamente e na medida certa quando está em temperatura e pH adequados. O funcionamento é semelhante ao do dispositivo intrauterino (DIU), usado há décadas como método contraceptivo. Uma das vantagens, segundo os pesquisadores, é que a própria paciente pode inserir a esponja no canal vaginal. Leia também Saúde Candidíase é mais frequente no verão. Saiba sintomas e como evitar Saúde Zinco pode ser eficaz no tratamento contra candidíase, diz estudo Saúde Candidíase: infecção no cérebro causa sintomas como os do Alzheimer Saúde Jovem viraliza reclamando de candidíase de repetição. O que é doença? Outra vantagem é que a matéria-prima – quitosana e polivinil caprolacta – é biocompatível com as células do trato vaginal. Ela se transforma em um gel que se desfaz quando entra em contato com os fluidos vaginais. Assim, não há a necessidade de remoção da esponja após o tratamento. A inovação foi descrita em um artigo científico assinado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), de São Paulo, e da Universidade do Porto, em Portugal. O trabalho foi publicado recentemente no International Journal of Pharmaceutics. “Desenvolvemos uma esponja que alia o conforto de um material macio e de simples aplicação à eficácia dos medicamentos disponíveis”, afirma a pesquisadora do Departamento de Química da UFSCar (DQ-UFSCar) Fiama Martins, primeira autora do estudo, em entrevista à agência Fapesp. O que é a candidíase? A candidíase é uma infecção vaginal causada por diferentes fungos do gênero Candida. A condição incômoda causa coceira na região vaginal, dor, corrimento e vermelhidão nos genitais, comprometendo a qualidade de vida das pacientes. Os fungos do gênero Candida fazem parte da flora natural do corpo humano e se proliferam rapidamente quando há um desequilíbrio no sistema de defesa do organismo. Eles gostam de ambientes quentes e úmidos, por isso podem se proliferar em áreas de dobras ou que são mais propensas ao acúmulo de umidade. A doença mais comum causada por C. albicans é a candidíase vaginal Tratamento Os tratamentos disponíveis para candidíase nem sempre são confortáveis. Eles costumam ser feitos com cremes antibióticos e supositórios intravaginais de difícil aplicação. Além disso, a eficácia pode ser comprometida por eventuais atrasos no horário de aplicação. “O estudo mostra que, ao criar novos dispositivos com propriedades biofarmacêuticas aprimoradas, podemos melhorar a aceitabilidade do tratamento pelo paciente, aspecto fundamental para a saúde pública”, conta o professor Emerson Rodrigues de Camargo, do Departamento de Química da UFSCar e coordenador do trabalho. A primeira etapa da pesquisa foi feita em ensaios in vitro, com células do trato vaginal. O próximo passo será fazer testes clínicos com pacientes. Os pesquisadores querem avaliar o uso associado a outros tipos de medicamentos, como anti-inflamatórios e cicatrizantes, no tratamento de outras doenças. Os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderia ser usada para o preenchimento do vazio da cavidade ocular em casos de perda do olho. por exemplo, evitando que a musculatura facial enfraqueça e prejudique a mastigação, com o benefício de agregar medicamentos que previnem infecções. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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