A intensidade do exercício mudou? Como isso pode transformar saúde, treino e até a ciência do movimento Ouvir 14 de novembro de 2025 Novo consenso internacional propõe uma linguagem única para medir o quão “difícil” é o exercício, abandona o %1RM como critério isolado e introduz um sistema mais preciso e inclusivo de prescrição, válido para todas as idades e níveis de aptidão Por Edina Camargo, colunista Fitness Brasil13/11/2025 O impacto da atividade física e do exercício na saúde e no desempenho humano é inegável, sendo o exercício frequentemente rotulado como um potencial “medicamento milagroso” (“Wonder Drug”). Contudo, a eficácia da sua aplicação terapêutica e de melhoria de desempenho depende crucialmente da precisão da sua prescrição. Um fator que há muito tempo prejudica a pesquisa e limita a adoção de recomendações baseadas em evidências é o uso inconsistente e ambíguo da terminologia associada à intensidade do exercício. + Fitness Brasil Expo: o maior evento de fitness, saúde e bem-estar da América Latina+ Conheça e baixe gratuitamente o Panorama Setorial Fitness Brasil 2024+ Siga a Fitness Brasil no Instagram+ Faça parte do nosso Canal no WhatsApp Visando resolver essa discrepância, o American College of Sports Medicine (ACSM) e o Exercise and Sport Science Australia (ESSA) uniram-se em um Consenso de Especialistas (2025). O objetivo central do documento é propor uma terminologia padronizada para a intensidade da atividade física e do exercício, aplicável em todas as idades, gêneros, habilidades, condições, aplicações e tipos de atividade. Figura 1. A intensidade do exercício é considerada um determinante importante da redução da mortalidade por todas as causas. A Importância da Coerência na Intensidade A intensidade é um componente vital do princípio FITT(VP)* da prescrição do exercício. Ela é um determinante crucial das alterações na saúde e no fitness, além de ser fundamental para a aplicação do princípio da sobrecarga (overload principle). Sem uma intensidade mínima, o corpo não é desafiado o suficiente para gerar adaptações estruturais, fisiológicas ou de saúde. *FITT (frequência, intensidade, tempo e tipo); VP(volume e progressão). A inconsistência terminológica — que historicamente varia entre termos como light, moderate, vigorous (leve, moderado, vigoroso) utilizados na Saúde Pública e termos como moderate, heavy, severe (moderada, pesada, severa) utilizados na Ciência do Exercício — gera incerteza para cientistas, profissionais e o público, comprometendo a prescrição ideal do exercício. Figura 2. Inconsistências localizadas em algumas escalas. A Proposta de Padronização ACSM/ESSA O Consenso propõe uma estrutura terminológica padrão de cinco categorias de intensidade, aplicável tanto ao exercício cardiorrespiratório quanto ao exercício de resistência (força): Categoria de Intensidade Descritor de Esforço Percebido (RPE) Muito Baixa (Very Low) Muito Fácil (Very Easy) Baixa (Low) Fácil (Easy) Moderada (Moderate) Um Pouco Difícil (Somewhat Hard) Alta (High) Difícil (Hard) Muito Alta (Very High) Muito Difícil (Very Hard) Os autores sugerem explicitamente que sejam evitados descritores como “leve”, “pesado”, “fraco” ou “forte” (traduzidos do inglês light, heavy, weak, strong). Essa recomendação visa garantir a consistência, impedindo que esses termos sejam interpretados como descrições de carga (load) e não de esforço percebido (Perception of Effort). Outro termo que deve ser evitado é “supramáximo”, por ser linguisticamente problemático, já que “máximo” já implica a maior intensidade possível. Figura 3. Proposta de terminologia padrão para descrever a intensidade do exercício em atividades físicas, exercício, esportes e desempenho. Implicações na Prescrição de Treinamento de Força Para o treinamento de resistência (força), a principal inovação técnica reside na forma de monitoramento da intensidade: Rejeição do %1RM como Único Indicador: O documento não recomenda prescrever a intensidade do treinamento de força com base unicamente na porcentagem de uma repetição máxima (%1RM). O %1RM é uma medida de carga (load), e não de quão “difícil” o exercício é, ignorando fatores como velocidade de movimento, fadiga e tempo de recuperação. Repetições em Reserva (RIR): Em vez disso, o Consenso sugere o uso de Repetições em Reserva (RIR) — uma estimativa de quantas repetições adicionais podem ser concluídas antes da falha neuromuscular — como uma medida superior para quantificar a percepção de “quão difícil” é o exercício. RPE como Adjunto: A Escala de Esforço Percebido (RPE) continua sendo um método adjunto recomendado para prescrever e monitorar a intensidade no treinamento de força. Proposta de terminologia padrão para descrever a intensidade do exercício em atividades físicas, exercício, esportes e desempenho. Figura 4. Diagrama esquemático que destaca que a intensidade do treinamento de resistência é determinada tanto pela carga quanto pelo número de de repetições realizadas, que, em conjunto, determinam a proximidade da falha neuromuscular. Em suma, esta declaração de consenso da ACSM e ESSA representa um passo decisivo em direção à harmonização linguística da intensidade em todos os domínios da Ciência do Esporte e Saúde Pública. A adoção desta nova estrutura de cinco categorias de intensidade e seus respectivos descritores de RPE é essencial para otimizar a prescrição de exercícios, melhorar a comunicação científica e, consequentemente, maximizar os resultados em saúde, fitness e desempenho humano. Agora me conta: o que você achou desta alteração? Link para o artigo na integra: aqui Edina Camargo é Doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná, com linha de pesquisa em Atividade Física e Saúde. E-mail edinacamargo@gmail.com Instagram @camargoedina O post A intensidade do exercício mudou? Como isso pode transformar saúde, treino e até a ciência do movimento apareceu primeiro em Fitness Brasil. Fitness
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