Ator perde metade do pulmão após confundir câncer raro com gripe Ouvir 17 de novembro de 2025 O ator sul-africano Jarryd Nurden, que mora atualmente em Londres, viveu uma reviravolta difícil depois de passar meses acreditando que enfrentava apenas uma gripe forte. Ao procurar um médico, ele recebeu o diagnóstico de um tipo de câncer raro no pulmão. O que parecia um quadro viral comum evoluiu silenciosamente até que exames revelaram um tumor atípico no pulmão — neoplasia neuroendócrina maligna primária do pulmão (carcinoide atípico) —, que costuma crescer devagar e, por isso, se camufla em sintomas leves. Nos primeiros meses, Nurden manteve a rotina nos palcos, mesmo sentindo cansaço e episódios de falta de ar. Ele trabalhava em apresentações natalinas e atribuía o mal-estar ao ritmo intenso de trabalho. Leia também Saúde Câncer de pulmão usa neurônios para crescer e acelerar metástases Saúde Fungo raro pode matar células do câncer de pulmão, sugere estudo Saúde Mulher descobre câncer de pulmão avançado após ter dor de dente Saúde Sinal oculto nos dedos pode indicar câncer de pulmão. Entenda Somente quando os sintomas começaram a se repetir com mais frequência, o ator procurou atendimento médico. A investigação, porém, trouxe a surpresa de que o seu pulmão havia dobrado de tamanho em pouco tempo, indicando um comportamento mais agressivo do que o esperado para esse tipo de tumor. “Até aquele momento, eu tinha feito planos de como sobreviver, mas como o diagnóstico me tiraria de cena por Deus sabe quanto tempo, pensei: ‘Estou realmente ferrado’”, disse o ator em uma entrevista ao jornal britânico The Independent. A partir daí, ele recebeu duas possibilidades de tratamento. Os médicos explicaram que seria possível tentar quimioterapia e radioterapia, mas a opção mais segura envolvia retirar parte do pulmão para controlar o avanço da doença. O ator escolheu a cirurgia, sem imaginar que enfrentaria meses de internação. Em outubro de 2023, passou por uma lobectomia — remoção de metade do pulmão — e, logo depois, precisou de uma segunda operação devido a infecções pós-cirúrgicas. Ele passou cerca de quatro meses internado com complicações que afetaram sua respiração, sua capacidade física e até sua confiança profissional. “Nenhuma palavra será capaz de descrever todas as emoções negativas que senti naqueles quatro meses. Um medo imenso de nunca mais poder dançar ou cantar. Muitas coisas negativas, muita dor. Nunca senti tanta dor em toda a minha vida”, relembra. De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores neuroendócrinos (TNE) surgem a partir de células especializadas que existem em diversos órgãos — incluindo pulmões, pâncreas e trato gastrointestinal — e costumam evoluir de forma silenciosa. Por serem tumores de crescimento lento e, muitas vezes, com sintomas que imitam infecções comuns, o diagnóstico frequentemente ocorre em fases mais avançadas. O Inca destaca que pessoas sem fatores de risco tradicionais também podem desenvolver a doença, o que reforça a importância de investigar sinais persistentes ou fora do padrão habitual. Sintomas de câncer neuroendócrino Tosse persistente, que pode vir acompanhada de sangue. Falta de ar ou dificuldade para respirar. Dor ou desconforto no peito. Respiração com chiado ou outros ruídos. Fadiga ou fraqueza incomum. Perda de peso sem explicação. Náuseas, diarreia ou dor abdominal (quando o tumor afeta o sistema digestivo). Rubor facial, suor excessivo ou palpitações podem ser desencadeadas por tumores que produzem hormônios. A reabilitação de Nurden foi lenta. Além da cicatrização e do controle das infecções, ele precisou reaprender a respirar com menor capacidade pulmonar e passou semanas fazendo fisioterapia intensiva para recuperar fôlego e força muscular. O impacto emocional também foi significativo: Nurden temeu nunca mais pisar em um palco, cantar ou dançar, já que sua carreira depende diretamente do condicionamento físico e respiratório. Apesar da gravidade do caso, o ator conseguiu retornar ao trabalho alguns meses após a alta, em uma turnê internacional. Ele descreveu o retorno como um renascimento, resultado do esforço de recuperação e do suporte médico recebido. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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