Cientistas criam quimioterapia experimental 20 mil vezes mais eficaz Ouvir 5 de novembro de 2025 Cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova forma de quimioterapia capaz de eliminar células de leucemia em modelos animais com até 20 mil vezes mais eficácia que a tradicional, e praticamente sem efeitos colaterais. O avanço foi descrito em um artigo publicado na revista ACS Nano na última quarta-feira (29/10). A equipe liderada pelo professor Chad A. Mirkin, do Instituto Internacional de Nanotecnologia da Northwestern, criou uma versão do medicamento 5-fluorouracil (5-FU), um quimioterápico usado há décadas no tratamento de diferentes tipos de câncer. Os pesquisadores reorganizaram a estrutura da molécula e a transformaram em um ácido nucleico esférico, o que tornou a droga mais estável, solúvel e direcionada às células doentes. Nos experimentos realizados, o novo formato do medicamento penetrou até 12 vezes mais nas células de leucemia mieloide aguda e apresentou potência até 20 mil vezes superior à da formulação convencional. Leia também Saúde Jovem morre aos 23 anos após negar tratamento com quimioterapia Saúde Novo teste genético prevê resistência do câncer à quimioterapia Saúde Vitamina D pode aumentar resposta da quimioterapia no câncer de mama Brasil Homem morre ao receber 4 doses de quimioterapia de uma vez, diz PCMG Segundo o comunicado da universidade, os animais tratados com a nova versão da droga apresentaram uma redução expressiva dos tumores e não mostraram sinais de efeitos tóxicos. De acordo com os pesquisadores, o segredo está na estrutura em forma de esfera. O núcleo do medicamento é recoberto por cadeias de DNA que ajudam o fármaco a ser reconhecido e absorvido pelas células cancerosas, que possuem receptores específicos para esse tipo de partícula. Uma vez dentro da célula, o DNA é degradado e o 5-FU é liberado diretamente no local onde o tumor se desenvolve, o que permite um ataque mais preciso e menos agressivo ao organismo. O professor Chad Mirkin explicou, em nota, que essa tecnologia inaugura uma nova era na medicina, chamada de “nanomedicina estrutural”. Em vez de mudar apenas a composição química das drogas, os cientistas passam a reconfigurar sua forma física para controlar como o medicamento age dentro do corpo. Mais estudos são necessários Segundo Mirkin, isso pode transformar profundamente a maneira como doenças complexas são tratadas, tornando os fármacos mais potentes e seguros. Embora os resultados sejam animadores, o estudo ainda está em fase pré-clínica e precisa ser testado em humanos antes de chegar à prática médica. Os próximos passos incluem experimentos em modelos animais maiores e estudos sobre segurança a longo prazo. Mesmo assim, a descoberta é vista como um avanço promissor rumo a tratamentos contra o câncer mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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