Comeria? Europa libera uso de farinha de insetos em alimentos Ouvir 11 de fevereiro de 2025 Muita gente perde o apetite só de pensar em lagartas na comida. Essa reação é o que os cientistas denominam “tabu alimentar”: certos animais, plantas ou fungos comestíveis são declarados inaceitáveis no contexto de um determinado espaço cultural ou grupo social, e portanto não são consumidos. Hindus praticantes não comem carne bovina, muçulmanos e judeus rejeitam carne suína; e nas culturas de fundo ocidental muitos têm asco de insetos. No entanto eles são elemento integrante da alimentação para cerca de 2 bilhões de seres humanos, sobretudo em partes da África, Ásia, América Central e do Sul, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Ao todo, mais de 2 mil espécies de insetos são consideradas comestíveis. Leia também Saúde Ultraprocessados são necessários para veganos atingirem proteína? Vida & Estilo Qualidade da proteína importa mais do que a quantidade? Entenda Saúde Anvisa proíbe venda de 19 produtos da marca Black Skull. Confira lista Saúde Homem consome 900 ovos em um mês e mostra resultados. Veja as fotos Agora, pela primeira vez, será possível na União Europeia incluir farinha feita com larvas em alimentos para consumo humano. Trata-se do estado larval do besouro Tenebrio molitor, também denominado tenébrio ou bicho-da-farinha, pulverizado – nada de vermes, lagartas inteiras ou grilos fritos. A farinha de alto teor proteico poderá ser adicionada em pequenas quantidades a pães, bolos e similares, macarrões e produtos processados de batata ou queijo. O Departamento Federal de Proteção do Consumidor e Segurança Alimentar (BVL) da Alemanha assegura que as larvas-da-farinha não representam riscos para a saúde – caso contrário não teriam sido liberadas para comercialização. Insetos, o alimento milagroso? Para cada inseto adicionado a seus produtos, os fabricantes devem requerer uma licença no âmbito da portaria para “Novel Food”. Em seguida, a Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA) realiza uma avaliação científica exaustiva. As quantidades máximas de farinha de larvas são modestas: em pães e bolos, só são permitidos quatro gramas para cada 100 gramas do produto final; em queijo, não mais de um grama. A irradiação com raios ultravioleta elimina eventuais patógenos, além de elevar a taxa de vitamina D3 no pó. As larvas do besouro tenébrio contêm nutrientes importantes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B. A farinha recém-liberada tem um conteúdo proteico de 50% a 55%, incluindo todos os nove aminoácidos essenciais, gorduras saudáveis e fibras alimentares. Além disso, a produção da farinha de larvas é menos danosa ao clima do que a de fontes de proteína tradicionais, como vacas, porcos ou galinhas. Os insetos requerem menos água, ração e espaço, além de emitir menos gases do efeito estufa. Animais estão por toda parte na comida Uma crítica à liberação da farinha de larvas é sua origem animal. No entanto, há muito tempo há componentes animais nos produtos de panificação, massas e queijos. Só que não é fácil identificá-los, pois ficam ocultos por trás de aditivos ou de termos técnicos. Para tornar a massa mais maleável, por exemplo, as padarias industriais empregam l-cisteína (E920), um aminoácido frequentemente extraído de pelos de porcos ou de penas, que não precisa ser declarado. Cerca de 35% do queijo vendido contém coalho líquido, um conjunto de enzimas proveniente do estômago de ruminantes, em geral bezerros. Elas decompõem as proteínas lácticas, espessando o leite, sem torná-lo ácido, ao separar os componentes sólidos dos líquidos. Muitos alimentos contêm, ainda, gelatina. Essa mistura proteica, retirada da pele e ossos de bovinos e suínos, estabiliza molhos e cozidos, engrossa queijos frescos e aglutinam os flocos e grãos das barras de cereal. Insetos liberados na UE desde 2021 Desde 2021, quatro insetos estão liberados para consumo humano na União Europeia, geralmente em forma desidratada e pulverizada: as larvas dos besouros Tenebrio molitor e Alphitobius diaperinus (conhecido como besouro-da-ninhada), o gafanhoto-migratório (Locusta migratoria) e o grilo-doméstico (Acheta domesticus). Eles já são encontrados, entre muitos outros, em produtos de carne e padaria, massas, misturas para pão e pizza, salgadinhos de pacote, chocolate, queijo, geleias, muesli e granola ou barras de cereal. Quem faz questão de evitá-los, deve ler cuidadosamente a lista de ingredientes, pois, segundo as portarias da UE, precisam ser declarados especificamente os insetos presentes nos alimentos, tanto em latim quanto no idioma local, assim como em que forma são empregados. Por último, a embalagem deve conter uma advertência sobre eventuais reações em consumidores alérgicos a crustáceos, moluscos e ácaros caseiros. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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