Consumo de fast-food afeta a memória em poucos dias, indica estudo Ouvir 16 de outubro de 2025 Uma dieta rica em gordura, típica do fast-food, pode começar a prejudicar o cérebro em apenas quatro dias. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (UNC), publicado na revista Neuron em 11 de setembro, que revelou como esse tipo de alimentação afeta as células responsáveis pela memória. Em testes com camundongos, os pesquisadores descobriram que alimentos gordurosos reduzem a capacidade do cérebro de usar glicose, sua principal fonte de energia. Essa mudança leva a uma hiperatividade anormal de um grupo específico de células cerebrais localizadas no hipocampo, conhecidas como interneurônios CCK, fundamentais para o processamento da memória. Segundo a pesquisadora Juan Song, que liderou o estudo, os efeitos foram observados de forma surpreendentemente rápida. “Sabíamos que a dieta e o metabolismo poderiam afetar a saúde do cérebro, mas não esperávamos que essas células fossem tão vulneráveis nem que reagissem em tão pouco tempo”, afirmou em comunicado. Leia também Claudia Meireles Nutricionista revela os perigos de comer fast-food todos os dias Claudia Meireles Nutricionistas explicam qual é o fast-food mais perigoso para a saúde Saúde Estudo elege os dois piores ultraprocessados para a saúde cerebral Saúde Consumo de ultraprocessados impacta saúde sexual masculina, diz estudo Efeitos no cérebro Nos experimentos com camundongos, bastaram quatro dias de uma dieta rica em gordura, semelhante ao padrão ocidental de consumo de fast-food, para que os interneurônios CCK se tornassem hiperativos. Essa mudança interrompeu a comunicação normal entre as células do hipocampo e resultou em prejuízos à memória. Os cientistas também identificaram o papel da proteína PKM2, responsável por regular o uso de energia pelas células cerebrais. Quando a disponibilidade de glicose diminui, essa proteína se desregula, e os neurônios passam a gastar energia de forma ineficiente, interferindo na consolidação de novas lembranças. Os resultados indicam que os circuitos de memória são extremamente sensíveis à alimentação. Mesmo antes de surgirem sinais de obesidade ou diabetes, o consumo frequente de comidas ultraprocessadas e ricas em gordura saturada já pode causar impacto negativo no cérebro. Memória pode se recuperar A boa notícia, segundo os autores, é que o cérebro tem capacidade de recuperação. Quando os níveis de glicose foram restaurados, a atividade das células voltou ao normal e os camundongos recuperaram a memória. A equipe também observou que o jejum intermitente, prática que alterna períodos de alimentação e abstinência, ajudou a normalizar o funcionamento dos interneurônios CCK e a restaurar o equilíbrio energético do cérebro. “Nosso trabalho mostra como o que comemos pode afetar rapidamente a saúde cerebral e como intervenções precoces, como o jejum ou ajustes na dieta, podem proteger a memória”, explicou Song. Segundo ela, essas estratégias podem reduzir o risco de declínio cognitivo de longo prazo, inclusive em condições associadas à obesidade e ao Alzheimer. Os pesquisadores agora pretendem investigar se o mesmo mecanismo ocorre em humanos e se intervenções alimentares simples podem ser aplicadas para proteger o cérebro contra os efeitos dos ultraprocessados. 11 imagensFechar modal.1 de 11 Manter o cérebro ativo com atividades estimulantes é uma das principais estratégias que colaboram com a memória. Veja dicas do que fazer! Robina Weermeijer/Unsplash2 de 11 É importante que o cuidado com a memória seja diário. Por isso, antes de dormir, tente recordar das atividades que fez ao longo do dia Freepik3 de 11 Pratique exercícios específicos para a memória, como jogos com palavras, sudoku, 7 erros, caça-palavras, dominó, palavras cruzadas ou montar um quebra-cabeças Gregory Van Gansen/Getty Images4 de 11 Consuma alimentos ricos em ômega 3, como sardinha, atum, salmão, chia, linhaça, castanhas, nozes e azeite de oliva. Eles contêm nutrientes que facilitam a memorização e evitam o esquecimento Getty Images5 de 11 Utilizar a mão não dominante para realizar atividades como escrever, escovar os dentes, folhear um livro ou abrir uma porta, por exemplo, também pode ajudar na memória Peter Dazeley/Getty Images6 de 11 Mude a rota: vá ao trabalho por caminhos diferentes dos habituais, pois quebrar a rotina estimula o cérebro a pensar Norma Mortenson/Pexels 7 de 11 Consuma bebidas com cafeína – com parcimônia, claro -, como chá verde ou café, para manter o cérebro em alerta, facilitando a captação de informações e a memorização Getty Images8 de 11 Mude a localização de alguns objetos que usa muito no dia a dia, como a lixeira e as chaves de casa imaginima/GETTYIMAGES9 de 11 Faça uma lista de compras sempre que for ao supermercado, mas procure não usá-la, tentando lembrar o que escreveu Divulgação10 de 11 Tome banho de olhos fechados e tente lembrar o local em que ficam os itens do ambiente Karolina Grabowska/Pexels11 de 11 Tente ler um livro ou assistir a um filme e depois contar para alguém. Isso vai estimular a concentração e a memória Freepik Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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