Dieta rica em fibras pode ser aliada contra o melanoma, sugere estudo Ouvir 8 de julho de 2025 Um estudo clínico inédito traz uma revelação promissora para quem enfrenta o melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele: adotar uma dieta rica em fibras, com ingestão de até 50 gramas por dia, pode potencializar os efeitos da imunoterapia em quem faz esse tratamento contra a doença. De acordo com a pesquisa — apresentada na última edição do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que reuniu pesquisadores do mundo todo em Chicago, nos Estados Unidos —, a medida pode contribuir para a redução do tamanho dos tumores, prolongando o tempo de sobrevida dos pacientes, e ainda aplacar os efeitos colaterais do tratamento. O teste acompanhou voluntários durante dez semanas com imunoterapia (inibidores de checkpoint imunológico), que ativa células imunes para combater o câncer. Divididos em dois grupos, 28 pacientes seguiram uma dieta com aumento progressivo de fibras (de 30 g a 50 g/dia), enquanto outros 15 mantiveram uma ingestão de 20 g/dia. Todas as refeições foram fornecidas pelos pesquisadores. Leia também Saúde Fibras podem proteger o intestino de infecções e a saúde do coração Saúde Entenda como o consumo de fibras melhora o bem-estar físico e mental Saúde Melanoma acral: câncer de pele grave é mais comum no Norte do país Saúde Câncer de pele atinge partes do corpo diferentes em homens e mulheres Para garantir a adesão à dieta pelos voluntários, apostou-se em refeições com ingredientes ricos em fibras típicos da culinária do Texas, nos EUA. Dentre os alimentos oferecidos estavam frango teriyaki com brócolis, muffin inglês, burrito de frango com feijão, brownie de feijão preto, laranja e uva. Nos casos em que a imunoterapia foi usada antes da cirurgia ou em tumores que não podiam ser removidos cirurgicamente, os resultados foram expressivos: 77% dos pacientes que seguiram a dieta rica em fibras tiveram redução tumoral, contra 29% do grupo controle. Além disso, esses indivíduos tiveram maior sobrevida livre de progressão e menor reincidência da doença ao longo dos meses. Os efeitos adversos também foram mais leves entre os que consumiram mais fibras: 71,4% tiveram algum evento colateral, ante 93,3% no grupo controle. Casos mais graves foram registrados em apenas 28,6% dos pacientes da dieta rica em fibras, comparado a 40% entre os demais. “Embora seja um ensaio pequeno e randomizado de fase 2, suas observações são bem promissoras”, avalia o oncologista Gustavo Schvartsman, do Einstein Hospital Israelita. Imunoterapia e alimentação Tratar o melanoma com cirurgia e quimioterapia oferecia resultados limitados em longo prazo. A imunoterapia, que estimula o sistema imune do próprio paciente a combater o tumor, representou um avanço. Agora, o desafio é tornar essa resposta ainda mais eficiente — e é aí que a alimentação pode entrar. “Embora os especialistas ainda não consigam determinar os mecanismos exatos envolvidos nessa correlação, experimentos anteriores já haviam deixado claro que uma microbiota diversa pode influenciar no bom funcionamento do sistema imune”, explica Schvartsman. “O consumo de fibras aumenta as bactérias presentes no intestino e estimula seu processo de fermentação natural, diversificando os compostos presentes nesses órgãos.” Além de favorecer a saúde intestinal, essa fermentação gera ácidos graxos que ajudam a reduzir inflamações, fortalecendo o sistema imunológico na luta contra as células cancerígenas. “Como se trata de um estudo de fase 2, ele ainda não é conclusivo. Mas posso dizer que foi uma elegante prova de conceito da correlação entre a microbiota e o sistema imunológico e, como tal, já pode ser implementada como uma recomendação nas consultas médicas”, afirma o oncologista do Einstein. Fonte: Agência Einstein Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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