Entenda o caso de homem que descobriu aos 44 anos ter o cérebro “oco” Ouvir 22 de fevereiro de 2025 Voltou a circular nas redes sociais o curioso caso de um homem francês de 44 anos que descobriu por acaso que tinha o cérebro oco: seu sistema nervoso havia sido extremamente reduzido à uma fina camada mais perto do crânio. A condição ficou desconhecida por décadas. O homem foi vítima de uma hidrocefalia grave quando bebê, mas foi tratado e vivia normalmente quando os médicos descobriram seu caso. Os detalhes da história foram revelados em 2007 em um artigo publicado na revista científica na The Lancet. Para os pesquisadores, o caso do homem que permanece anônimo revela extraordinária adaptação do sistema nervoso frente a desafios. Leia também Mirelle Pinheiro Coágulo no cérebro: professora põe gelo e deixa criança dormir Celebridades Ator da Globo revela reação ao descobrir tumor no cérebro Distrito Federal Morre menino que buscava tratamento no EUA para câncer raro no cérebro Claudia Meireles Neurocientista cita qual é a melhor fruta para a saúde do cérebro Vida normal O homem tinha uma vida normal: casado, pai de dois filhos e funcionário público, só descobriu a condição ao tentar entender o desenvolvimento de uma fraqueza súbita nas pernas, que os médicos suspeitaram ser resultado de uma isquemia. Exames revelaram uma condição rara: o cérebro estava reduzido a uma fina camada nas bordas do crânio, com ventrículos extremamente dilatados. Tomografias e ressonâncias magnéticas revelaram dilatação severa dos ventrículos laterais, terceiro e quarto. O diagnóstico foi hidrocefalia não comunicante. 2 imagens Fechar modal. 1 de 2 Apesar da condição, homem vivia vida normal The Lancet/Reprodução 2 de 2 Exame de imagem mostra cérebro de paciente pressionado contra as paredes do crânio The Lancet/Reprodução Os efeitos no cérebro Aos seis meses de vida, o paciente recebeu um cateter para drenar a hidrocefalia, o acúmulo de líquido no cérebro. Aos 14 anos, ele apresentou instabilidade e fraqueza na perna esquerda, que foi resolvida após uma nova drenagem. Desde então, porém, ele teve desenvolvimento neurológico e histórico médico normais. Testes neuropsicológicos mostraram QI de 75 (levemente abaixo da média), com pontuação verbal de 84 e desempenho de 70. Tratamento e melhora A fraqueza nas pernas melhorou após um novo procedimento que drena os ventrículos. No entanto, os sintomas retornaram, exigindo a inserção de um novo shunt (espécie de catéter que leva o líquido da hidrocefalia para o abdomen, para facilitar sua absorção). Após a intervenção, o paciente recuperou a normalidade neurológica, mas os efeitos na deformidade cerebral foram mantidos. A hidrocefalia A hidrocefalia é uma condição clínica caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano (LCR) no cérebro. Este líquido naturalmente envolve o órgão, mas quando seu acúmulo é grande, pode pressionar o órgão causando sintomas como perda da função cognitiva, dificuldade para andar e desorientação. Segundo a neurocirurgiã Vanessa Milanese, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), que não participou do estudo, este líquido, que está em constante circulação nos ventrículos do cérebro, desempenha muitas funções fundamentais: “Ele age como ‘amortecedor de choque’ para o cérebro e a medula espinhal, atua como meio de levar nutrientes ao cérebro e remover resíduos, e por fim, flui entre o crânio e a coluna para regular mudanças de pressão”, comenta a especialista. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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