Homens são mais propensos a adoecer e não buscam ajuda, diz estudo Ouvir 24 de julho de 2025 Homens adoecem mais e vivem menos que as mulheres em quase todos os países, segundo uma revisão global da Universidade do Sul da Dinamarca, publicada em maio na revista científica PLOS Medicine. A pesquisa analisou marcadores de gênero em saúde em mais de 200 países, focando em hipertensão, diabetes e HIV/Aids. Os resultados mostram que homens têm taxas mais altas dessas doenças, morrem mais cedo por causa delas e procuram menos o sistema de saúde — tanto para diagnóstico quanto para tratamento. Leia também Saúde Saiba por que as mulheres sentem mais frio que os homens Claudia Meireles Veja os perigos de raspar os cílios, nova trend viral entre os homens Ilca Maria Estevão Moda e paternidade ganham espaço entre homens em app de inspiração Pouca vergonha Homens chegam a mais orgasmos que mulheres no sexo anal, diz pesquisa O estudo aponta fatores sociais e culturais como principais explicações para esse padrão. Normas de gênero, comportamentos de risco e a associação entre doença e fragilidade ajudam a afastar os homens do cuidado com a saúde. Eles costumam fumar mais, negligenciar a prevenção e tendem a minimizar sintomas. “Historicamente, o estereótipo do ‘ser homem’, associado a fatores sociais, culturais, políticos e econômicos, causa impactos negativos na saúde do homem”, diz o médico de família e comunidade Wilands Patrício Procópio Gomes, do Einstein Hospital Israelita. Entre os exemplos destacados por Gomes estão a ideia de que estar doente é sinônimo de fragilidade, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e eventuais sintomas, além do medo de diagnósticos. No Brasil, dados do IBGE refletem esse cenário. Em 2023, a expectativa de vida masculina era de 73,1 anos, contra 79,7 anos das mulheres, uma diferença de quase sete anos. Os homens também fazem menos consultas de rotina e são mais resistentes a exames preventivos e a tratamentos contínuos. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 82,3% das mulheres haviam ido ao médico no ano anterior, contra 69,4% dos homens. Homens vivem falta de acolhimento Para Gomes, a mudança começa na atenção primária, com ações específicas para atrair e acolher o público masculino. “A atenção primária, por ser a porta de entrada ao serviço de saúde, precisa conhecer bem sua população e desenvolver estratégias para ampliar o acesso e acolhimento a esse grupo, ofertar educação em saúde e exames de rastreio adequados para reduzir o impacto que os aspectos culturais e sociais podem ter no processo de saúde e adoecimento clínico, mental e psicológico”, enfatiza o médico de família e comunidade. As consequências dessa resistência em recorrer ao sistema de saúde aparecem nas estatísticas de prevalência das doenças observadas pela pesquisa. Em relação ao HIV e à aids, entre 2007 e julho de 2024, 70,7% dos casos no Brasil se deram em homens, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de dezembro de 2024. Já doenças crônicas como hipertensão e diabetes, embora comuns a ambos os sexos, levaram mais homens a complicações fatais, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Na prática clínica, Gomes observa que muitos homens ainda encaram o sistema de saúde como um recurso emergencial, acionado apenas em situações agudas, como dor ou lesão. “Também devemos considerar o estigma dos exames de rastreio de câncer de próstata, como o exame de toque”, lembra. Sem uma abordagem adaptada, afirma o médico, a tendência é de que esses indivíduos sigam distantes do cuidado — e mais expostos a mortes evitáveis. Política pública é parte da resposta A resistência é mais acentuada entre homens de 20 a 59 anos — justamente o foco da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), criada em 2008 para enfrentar os fatores culturais e sociais que afetam a saúde masculina. A iniciativa reconhece a importância de adequar o Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades específicas dos homens, apostando em acolhimento, horários estendidos nas unidades básicas e outras ações. “Algumas ações têm importante impacto na captação e acesso à saúde do homem, como o aumento do horário de atendimento das unidades básicas de saúde; atividades extramuro, como grupos em saúde realizados na comunidade, em bares e em praças levando informações de saúde; e atendimento coletivo a cidadãos que, por vezes, não acessam o serviço de saúde”, lista Wilands Gomes. Outro exemplo de iniciativa é o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida. A campanha busca sensibilizar os homens sobre exames preventivos contra o câncer de próstata e ampliar discussões sobre autocuidado masculino, abordando tabagismo, saúde mental e prevenção de doenças cardiovasculares. Para o médico do Einstein, porém, só haverá transformação se o sistema de saúde reconhecer e agir diretamente sobre os determinantes sociais e culturais da resistência masculina, não só com políticas públicas, mas também na relação médico-paciente. “Entendo ser necessário que todos os profissionais de saúde da atenção primária conheçam os protocolos sobre rastreio, tratamento, classificação e reabilitação do homem e suas condições, podendo otimizar as consultas, criar vínculo, aumentar e qualificar o cuidado da saúde do homem”, afirma. São estratégias que vêm demonstrando eficácia — resta torná-las mais amplas e consistentes. Fonte: Agência Einstein Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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