Implante de retina devolve parte da visão a pessoas com cegueira Ouvir 21 de outubro de 2025 Pessoas que perderam a visão por degeneração macular relacionada à idade (DMRI) voltaram a enxergar parcialmente graças a um implante de retina desenvolvido por cientistas europeus. O estudo, publicado nessa segunda-feira (20/10) na revista The New England Journal of Medicine, mostrou que o dispositivo devolveu a capacidade de ler letras e palavras a pacientes antes considerados funcionalmente cegos. O implante, do tamanho de uma ponta de caneta, é inserido abaixo da retina para substituir as células sensíveis à luz que foram perdidas pela doença. Um ano após o procedimento, 80% dos participantes apresentaram melhora clinicamente significativa na visão. “Onde essa retina morta era um ponto cego completo, a visão foi restaurada. Os pacientes conseguiam ler, reconhecer palavras e retomar suas atividades diárias”, explicou o oftalmologista Frank Holz, que liderou a pesquisa na Universidade de Bonn, na Alemanha, em comunicado. O que é a degeneração macular? A DMRI é a causa mais comum de cegueira irreversível em idosos. A DMRI seca é a forma mais comum da doença, caracterizada pelo acúmulo de depósitos amarelados sob a retina, o que causa perda gradual da visão central. Nessa forma, as células fotossensíveis da retina morrem progressivamente, comprometendo a visão central, essencial para ler, dirigir e reconhecer rostos. Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas no mundo tenham a forma avançada da condição. Como o implante funciona? Batizado de PRIMA, o implante é um microdispositivo fotovoltaico que transforma luz em sinais elétricos capazes de estimular diretamente os neurônios da retina, células que permanecem ativas mesmo após a perda dos fotorreceptores. A tecnologia, desenvolvida pela empresa de neurotecnologia Science Corporation, com sede em São Francisco, é usada em conjunto com óculos especiais que possuem uma câmera embutida. As imagens captadas são convertidas em padrões de luz infravermelha e projetadas sobre o implante, ativando os pixels sensíveis à luz. Por não possuir fios e usar a própria luz como fonte de energia, o PRIMA, segundo os autores, representa um avanço em relação às versões anteriores de próteses oculares. O sistema permite ajustar o contraste e o brilho e até ampliar o campo de visão, mas exige meses de treinamento para que os usuários aprendam a interpretar as imagens corretamente. O ensaio clínico envolveu 38 pessoas com DMRI avançada em 17 centros médicos de cinco países europeus. Após um ano, 26 delas conseguiram enxergar duas linhas a mais em um quadro de leitura oftalmológica. No total, 22 participantes relataram média ou alta satisfação com o dispositivo e passaram a utilizá-lo em casa para ler, identificar números e realizar tarefas cotidianas. Leia também Saúde Injeção de ouro pode restaurar visão de pacientes, mostra estudo Claudia Meireles Melatonina pode ajudar a prevenir a degeneração macular, diz estudo Saúde Obesidade pode levar à cegueira, mostra pesquisa Saúde Oftalmologista indica alimentos que fazem bem para a saúde dos olhos Apesar do resultado promissor, Holz reconhece que a tecnologia ainda tem limitações. O implante atual possui apenas 381 pixels e oferece visão em preto e branco. A leitura é possível, mas lenta. Pesquisadores já trabalham em uma versão com resolução mais alta, que deve proporcionar imagens mais nítidas e coloridas. “Com este primeiro grande avanço, abrimos caminho para melhorias futuras. É o início de uma jornada”, afirmou o oftalmologista. Próximos passos Os desenvolvedores do PRIMA solicitaram em junho a certificação para comercialização do dispositivo na Europa. O avanço foi elogiado por especialistas independentes, que o veem como um marco na recuperação visual. “Este é um estudo empolgante e significativo. Ele traz esperança para pacientes para os quais a visão era algo mais próximo da ficção científica do que da realidade”, afirmou Francesca Cordeiro, oftalmologista do Imperial College London, à revista Nature. Embora o dispositivo tenha sido testado em casos de DMRI, os pesquisadores acreditam que ele também poderá beneficiar pessoas com outras doenças que danificam os fotorreceptores, como a retinite pigmentosa. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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