Médicos sugerem tratar obesidade contra doenças cardiovasculares Ouvir 30 de maio de 2025 Belo Horizonte — Uma nova diretriz definida por cinco sociedades médicas, e apresentada nesta sexta-feira (30/5), passa a considerar a obesidade como uma doença crônica inflamatória e multifatorial relacionada a doenças cardiovasculares, e não apenas como um fator de risco, como era vista até então. Os especialistas autores do documento reconhecem que os novos tratamentos destinados à perda de peso têm um papel significativo também na prevenção das doenças cardiovasculares e devem ser considerados para esses pacientes. Mas eles ressaltam que a prescrição deve ser feita de forma individualizada, levando em consideração outros fatores de risco dos pacientes. “A obesidade não pode mais ser tratada apenas como um fator de risco. Ela é, por si só, uma doença crônica e inflamatória que impacta diretamente na estrutura e função cardíacas”, afirma o endocrinologista Marcello Bertoluci, um dos coordenadores do documento. Leia também Saúde Obesidade: nova diretriz autoriza tratamento para IMC abaixo de 30 Saúde Crianças de 4 anos acima do peso têm mais risco de obesidade após os 9 Saúde 1 bilhão de adolescentes terá obesidade ou transtorno mental até 2030 Saúde Entenda por que a obesidade pode agravar dores nas costas A nova diretriz foi apresentada durante o 21º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, que ocorre em Belo Horizonte (MG) até este sábado (31/5). Ela traz 34 recomendações atualizadas para orientar médicos e profissionais de saúde no manejo da obesidade com foco na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. As recomendações foram elaborada por especialistas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e Academia Brasileira do Sono (ABS). “Essa diretriz reforça a ideia de que a obesidade não só é doença, como também impacta diretamente na trajetória dos pacientes com todas as outras doenças que acabam sendo vistas como comorbidades”, aponta a endocrinologista Cynthia Valério, vice coordenadora do Departamento de Obesidade da SBEM. Tratamento para obesidade e doenças cardiovasculares Bertoluci aponta que a obesidade é caracterizada como uma doença do tecido adiposo, que, além de armazenar gordura, possui efeitos metabólicos complexos. Em um estado disfuncional, pode levar à inflamação e infiltração de gordura em órgãos como coração, rim e fígado, causando lesões e contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Estudos mais recentes com medicamentos voltados ao controle da diabetes e perda de peso — como a semaglutida e tirzepatida, agonistas de GLP-1 — têm demonstrado resultados relevantes também para a redução de eventos cardiovasculares como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Nos primeiros dois dias da conferência que acontece em Belo Horizonte, os médicos apresentaram dados que justificam a prescrição desses remédios para um tratamento combinado com mudanças do estilo de vida. “Não basta mais apenas baixar o peso dos pacientes. Nós temos que reduzir o risco dos desfechos (negativos) e os fatores de risco. Para isso, temos que lançar mão do arsenal terapêutico que está aparecendo para o tratamento da obesidade”, considera Bertoluci. A cardiologista Fabiana Rached, diretora científica do Departamento de Aterosclerose (SBC) , destaca que é obrigação tratar obesidade em paciente com doença cardiovascular. “É uma mudança de paradigma. Antes a gente não tratava a obesidade porque era difícil. Não tínhamos medicamentos para isso e as drogas que tínhamos aumentavam o desfecho cardiovascular e não eram usadas em pacientes de alto risco”, lembra. A nova diretriz também indica a cirurgia bariátrica como opção terapêutica para obesidade grave, inclusive em casos de insuficiência cardíaca estabelecida. A publicação do documento será feita no segundo semestre. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Tosse persistente pode ser início de tuberculose. Saiba identificar 3 de abril de 2025 Segundo a OMS, um terço da população mundial está infectada pela Mycobacterium tuberculosis, a bactéria da tuberculose, e, por isso, corre risco de desenvolver a doença. Além disso, há cerca de 8,8 milhões de doentes e 1,1 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, a condição é frequente…. Read More
Fuad Noman: entenda condição de saúde que matou prefeito de BH 26 de março de 2025 Fuad Noman, prefeito de Belo Horizonte, morreu nesta quarta-feira (26/3), aos 77 anos, após meses de tratamento contra um linfoma abdominal. Diagnosticado em julho de 2024, o político anunciou estar com o câncer antes das eleições, mas disse estar curado em outubro. Em fevereiro, foi confirmada a remissão da doença…. Read More
Mpox: não há risco de pandemia, mas doença não deve ser subestimada 26 de setembro de 2024 *O artigo foi escrito pela doutora em microbiologia Ana Gabriela Stoffella Dutra e a doutoranda Débora de Meneses Souza de Oliveira, ambas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e publicado na plataforma The Conversation Brasil. Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a mpox como uma emergência de… Read More