Mieloma múltiplo: tratamento no SUS está 20 anos atrasado, diz médico Ouvir 4 de setembro de 2023 Em 2022, a coordenadora de projeto social Marluce da Silva Franklin, 60 anos, começou a ter uma série de sintomas inespecíficos: ela sentia dores intensas, cansaço físico e falta de ar, além de apresentar uma baixa de imunidade. Após meses de exames, ela foi diagnosticada com mieloma múltiplo (MM), um tipo de câncer que afeta o sangue. Há 25 anos, o tratamento só permitia que 35% dos pacientes diagnosticados sobrevivessem mais de cinco anos. Um dos riscos era o desenvolvimento de neuropatia periférica, doença sem cura que causa dor, formigamento, dormência e fraqueza nas mãos e pés. “Já os medicamentos modernos permitem que 75% das pessoas com mieloma múltiplo tenham sobrevida maior do que cinco anos após o início do tratamento. Além disso, os efeitos colaterais são menores”, afirma o hematologista Jorge Vaz, do Grupo Oncoclínicas de Brasília, vice-diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Ainda assim, não se fala em cura para os pacientes com MM. Mesmo depois que o câncer desaparece, a maioria dos pacientes sofre com recidivas em algum momento. Quando recebeu o diagnóstico, Marluce lembra que ficou muito frustrada. Leia também Saúde Mieloma múltiplo: “Descobri um câncer no sangue pela dor nas costas” Saúde Mulher descobre câncer raro após comentar sobre inchaço com médico Vida & Estilo Jovem de 18 anos confunde câncer raro com gravidez: “Barriga redonda” Entretenimento Jorge Aragão é internado para iniciar tratamento contra câncer raro “Fiquei muito indignada. Nunca tinha ouvido falar na doença e o fato de não ter cura me desanimou, pois ainda tenho muitos projetos pessoais a realizar. O médico, porém, foi muito calmo comigo e me tranquilizou para explicar que eu ainda poderia ter qualidade de vida”, conta Marluce, que é coordenadora de um projeto de incentivo à leitura em Brasília. Um dos principais problemas enfrentados pelos pacientes com mieloma múltiplo no Brasil é a disparidade entre o tratamento feito no Sistema Único de Saúde (SUS) e o particular. No sistema público, há tratamento para os primeiros momentos da doença, mas quando o paciente começa a apresentar recidivas, os médicos ficam com poucas opções de medicamentos. “O tratamento ideal para o MM conta com três classes de remédios. São eles os inibidores de proteassoma, os imunomoduladores e os anticorpos monoclonais. Apenas as duas últimas classes estão no SUS. O carfilzomibe entraria para representar os inibidores de proteassoma. Sem ele, o Serviço Único de Saúde está, pelo menos, 20 anos atrás do que a medicina moderna tem a oferecer”, afirma o hematologista Vaz. Marluce conta que fazia o tratamento com quimioterapia no SUS, mas continuava sentindo dores que prejudicavam sua qualidade de vida. Em 2023, ela conseguiu ter acesso a um plano de saúde que possibilita a administração de medicamentos mais modernos. “Estou otimista, amo minha vida e meu projeto de leitura. Quero que outras pessoas também tenham esperança em controlar a doença”, afirma. Marluce com duas de suas netas. Ela é coordenadora do projeto Garagem Cultural, que consiste em fazer a ponte entre a leitura e as pessoas de Sobradinho, cidade onde mora. Modernização no SUS A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) discutiu a incorporação do carfilzomibe no SUS em maio de 2023 e, em documento publicado no site da instituição, os integrantes decidiram, por unanimidade, encaminhar o assunto para consulta pública com “recomendação preliminar desfavorável”. “Os membros consideraram que a evidência clínica apresentada é de boa qualidade. No entanto, o Comitê de Medicamentos entendeu que o horizonte temporal utilizado na análise econômica não estava de acordo com a história natural da doença, e que o preço proposto para a tecnologia pode não ser custoefetivo”, diz o documento. Em nota enviada ao Metrópoles, o Ministério da Saúde explica que as contribuições recebidas durante a consulta pública que terminou em 14 de agosto serão analisadas e seguem para a recomendação final da comissão. Serão avaliados “aspectos como eficácia, acurácia, efetividade, segurança e impacto econômico da nova tecnologia no SUS”. Receba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente. Notícias
Notícias Rotavírus: entenda infecção que afastou Wanessa Camargo dos holofotes 24 de maio de 2024 A cantora Wanessa Camargo usou as redes sociais nesta quinta-feira (23/5) para explicar aos fãs que esteve sumida da web nos últimos dias por sua família ter sido atingida por uma infecção pelo rotavírus. A cantora disse que seus dois filhos e ela acabaram sendo acometidos pela doença. “É muito… Read More
Calvície de participante de reality vira assunto. Saiba sobre condição 25 de junho de 2024 Na nova temporada do reality show “Casamento às Cegas”, da Netflix, o participante Patrick Ribeiro chamou a atenção dos telespectadores por nunca tirar o boné. Em um dos episódios, o assunto entrou na conversa de um casal e um dos envolvidos revelou a verdade sobre o colega: Patrick é calvo…. Read More
Ceia para crianças e idosos exige cuidados especiais. Médicos explicam 24 de dezembro de 2025 O fim de ano é marcado por encontros e festas em que a comida ocupa um papel central nas celebrações. Nesse contexto, crianças e idosos pedem um olhar mais atento. As necessidades nutricionais, as limitações do organismo e até o risco de acidentes tornam a ceia um momento que exige… Read More