Mulher tem sintomas de câncer confundidos com intolerância ao glúten Ouvir 31 de janeiro de 2025 A analista de marketing Emily Campbell descobriu em dezembro de 2022 que os sintomas que estava tratando há semanas como intolerância ao glúten eram, na verdade, um raro e agressivo tipo de câncer de ovário. A norte-americana, então com 33 anos, vinha sentindo um progressivo desconforto digestivo e inchaço na barriga. Os sintomas que ela descrevia fizeram com que médicos recomendassem protocolos para tratar intolerância ao glúten, além de testes para alergia alimentar. Eles sugeriram, inclusive, que o estresse poderia estar relacionado ao quadro. Leia também Saúde Cientistas começam a desenvolver vacina contra câncer de ovário Saúde Sintoma de câncer de ovário pode aparecer durante refeições. Entenda Saúde Tumor do tamanho de melão é encontrado em jovem com câncer de ovário Saúde Câncer de ovário: conheça os sintomas para diagnóstico precoce O inchaço e os desconfortos, porém, seguiam crescendo e começaram a interferir nas atividades diárias de Emily: “Doía até para caminhar”, afirma Emily em suas redes sociais. “Eu me sentia mal e meu marido me incentivou a buscar quantos médicos fosse possível para encontrar uma resposta melhor. Ouvir que provavelmente é só uma constipação é uma história comum entre mulheres com o meu tipo de tumor e isso não é, de forma nenhuma, aceitável”, diz ela no Instagram. Após as dores alcançarem um nível insuportável, Emily decidiu ir ao pronto-socorro em Miami e foi encaminhada, finalmente, para fazer exames de imagem no abdômen. Os médicos encontraram uma grande massa crescendo na região pélvica. O câncer de ovário O câncer de ovário é o terceiro tipo de tumor ginecológico mais comum, com cerca de 7 mil novos casos ao ano segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). “É considerado um tumor silencioso, pois não apresenta sintomas específicos e carece de métodos eficazes de rastreamento. Menos de uma a cada cinco mulheres consegue ser diagnosticada quando os tumores estão em fase inicial e ainda restritos aos ovários”, explica o oncologista Glauco Baiocchi Neto, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA). Segundo Baiocchi Neto, embora muitos tumores se desenvolvam sem sintomas, especialmente nos estágios iniciais, a maioria apresenta os seguintes sinais: Sangramento vaginal fora do ciclo menstrual; Sangramento vaginal após relações sexuais; Corrimento vaginal incomum; Dor pélvica; Dor abdominal; Dor nas costas; Dor durante a relação sexual; Abdômen inchado; Necessidade frequente de urinar. Cirurgia para retirar o câncer Após a consulta inicial, a especialista em marketing foi internada no hospital. A suspeita dos médicos já era de que se tratava de um câncer de ovário, mas como ela não tinha histórico familiar da doença e os casos são extremamente raros em mulheres com menos de 40 anos, o diagnóstico não foi simples. Emily precisou esperar seis dias até passar pela cirurgia, e antes do procedimento ela assinou um termo de consentimento que deixava claro que os médicos não poderiam garantir quais órgãos ou tecidos precisariam ser removidos para retirar a massa. Foi necessário retirar os ovários e útero. A biópsia mostrou que ela tinha um câncer de ovário de estágio 3B, o segundo mais alto da doença, que tinha se desenvolvido localmente, provavelmente ao longo de anos, já que a doença tinha tendência de crescimento lento. Emily foi diagnosticada com câncer de ovário borderline, uma forma rara da doença que representa apenas 10% dos tumores de ovário, acometendo em geral mulheres em idade reprodutiva. O câncer de ovário é o terceiro tipo de tumor ginecológico mais comum Uma nova vida Embora tenha uma taxa de sobrevivência mais alta do que o tipo de alto grau, a quimioterapia nem sempre é eficaz no caso de Emily. Após diversas opiniões médicas, foi decidido que ela não precisaria passar pelo tratamento e, em vez disso, adotaria um protocolo de monitoramento regular e com inibidores de estrogênio. A experiência de Emily, marcada pela escassez de informações e de opções de tratamento adequadas, a motivou a agir. Ela e o marido já arrecadaram mais de US$ 1,5 milhão em doações para centros de pesquisa de câncer como o Dana Farber. Eles fundaram a organização Not These Ovaries para auxiliar pacientes em busca de informações e de apoio para atravessar a doença. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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