Pesquisadores criam nova técnica que pode avançar na cura do HIV Ouvir 6 de junho de 2025 Pesquisadores da Austrália, Estados Unidos e Holanda desenvolveram uma nova tecnologia para combater o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da aids. A técnica é baseada em mRNA, a mesma utilizada nas vacinas contra a Covid-19, e renova as esperanças sobre a possibilidade de cura para a doença. Em um artigo científico publicado na revista científica Nature Communications, em maio, os cientistas explicam que a técnica reativa o HIV latente, que permanece adormecido no corpo do paciente mesmo após o tratamento com antirretrovirais, para combatê-lo. Leia também Saúde Transmissão pela comida? Infectologista rebate mitos sobre o HIV Saúde PreP simplificada: conheça tratamento injetável para prevenir o HIV Saúde Estudos avançam na busca pela cura do HIV: “Sem remédios há um ano” Saúde Injeção para prevenção do HIV funciona com uma dose ao ano, diz estudo Atualmente, a grande dificuldade para a cura do HIV é justamente a forma latente do vírus. Mesmo com a carga viral indetectável no sangue, o HIV continua escondido dentro das células T CD4+ do sistema imunológico. Isso impede que a imunidade natural do organismo ou medicamentos destruam o vírus. Assim, se o tratamento foi interrompido, ele volta a se multiplicar. “Como pesquisadores da cura do HIV, nosso objetivo tem sido atingir o vírus onde ele se esconde. Programamos o mRNA para dizer às células infectadas para ‘entregar’ o vírus e torná-lo visível. Mas o desafio foi fazer com que o mRNA entrasse nessas células”, explica a coautora do estudo, Paula Cevaal, da Universidade de Melbourne (Austrália), em comunicado à imprensa. Como funciona a tecnologia Os cientistas utilizaram nanopartículas lipídicas – pequenas cápsulas de gordura – para transportar o RNA mensageiro (mRNA) até as células infectadas. O mRNA implantado contém instruções para a produção da proteína Tat, essencial para a atividade do HIV. A proteína age como um “interruptor”, reativando o vírus nas células. Quando o vírus é “acordado”, ele se torna visível ao sistema imune ou terapias adicionais, aumentando a possibilidade das células infectadas serem destruídas. 13 imagensFechar modal.1 de 13 HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. O causador da aids ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida Arte Metrópoles/Getty Images2 de 13 A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids Anna Shvets/Pexels3 de 13 Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico Hugo Barreto/Metrópoles4 de 13 O uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas iStock5 de 13 O tratamento é uma combinação de medicamentos que podem variar de acordo com a carga viral, estado geral de saúde da pessoa e atividade profissional, devido aos efeitos colaterais iStock6 de 13 Em 2021, um novo medicamento para o tratamento de HIV, que combina duas diferentes substâncias em um único comprimido, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Hugo Barreto/Metrópoles7 de 13 A empresa de biotecnologia Moderna, junto com a organização de investigação científica Iavi, anunciou no início de 2022 a aplicação das primeiras doses de uma vacina experimental contra o HIV em humanos Arthur Menescal/Especial Metrópoles8 de 13 O ensaio de fase 1 busca analisar se as doses do imunizante, que utilizam RNA mensageiro, podem induzir resposta imunológica das células e orientar o desenvolvimento rápido de anticorpos amplamente neutralizantes (bnAb) contra o vírus Arthur Menescal/Especial Metrópoles9 de 13 Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças aprovou o primeiro medicamento injetável para prevenir o HIV em grupos de risco, inclusive para pessoas que mantém relações sexuais com indivíduos com o vírus spukkato/iStock10 de 13 O Apretude funciona com duas injeções iniciais, administradas com um mês de intervalo. Depois, o tratamento continua com aplicações a cada dois meses iStock11 de 13 O PrEP HIV é um tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) feito especificamente para prevenir a infecção pelo vírus da Aids com o uso de medicamentos antirretrovirais Joshua Coleman/Unsplash12 de 13 Esses medicamentos atuam diretamente no vírus, impedindo a sua replicação e entrada nas células, por isso é um método eficaz para a prevenção da infecção pelo HIV iStock13 de 13 É importante que, mesmo com a PrEP, a camisinha continue a ser usada nas relações sexuais: o medicamento não previne a gravidez e nem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, por exemplo Keith Brofsky/Getty Images Outra abordagem testada pelos pesquisadores foi a tecnologia CRISPR, geralmente usada para “cortar” genes. No caso da aids, no entanto, ela foi adaptada para ativar o DNA viral do HIV sem nenhum corte. Embora tenha sido menos eficaz que a proteína Tat, a CRISPR conseguiu agir apenas contra os genes-alvo, sem prejudicar os saudáveis. Limitações do estudo e próximos passos Os testes foram realizados em laboratório com células do sangue de pessoas infectadas com HIV. Apesar dos resultados promissores, a técnica não eliminou o vírus, mas conseguiu reativá-lo com sucesso. O resultado sugere que a estratégia tem potencial, podendo ser uma peça importante no quebra-cabeça em busca da cura da aids e até de outras condições. “É importante ressaltar que esta descoberta pode ter implicações mais amplas além do HIV. Os glóbulos brancos onde o vírus se esconde também estão envolvidos em outras doenças, incluindo alguns tipos de câncer e doenças autoimunes”, afirma o coautor Michael Roche, da Universidade de Melbourne. Agora, os pesquisadores querem testar a nova tecnologia em animais e em ensaios clínicos com humanos para a avaliação da segurança a longo prazo e a viabilidade de aplicação em larga escala. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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