Probióticos podem reduzir danos intestinais causados por antidepressivos Ouvir 1 de novembro de 2025 O uso prolongado de antidepressivos pode afetar não apenas o equilíbrio emocional, mas também a saúde intestinal. Um estudo brasileiro inédito revelou que a suplementação com probióticos específicos pode aliviar efeitos adversos causados por medicamentos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os ISRS, amplamente prescritos no tratamento da ansiedade e da depressão. Realizada com o modelo avançado SHIME®, que simula o ambiente do intestino humano, a pesquisa foi conduzida pelas cientistas Marina Toscano e Katia Sivieri, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O experimento mostrou que as cepas Lactobacillus helveticus R0052 e Bifidobacterium longum R0175 ajudaram a restaurar a microbiota intestinal, aumentar a produção de substâncias benéficas e a reduzir inflamações associadas ao uso prolongado de antidepressivos. Equilíbrio entre intestino e cérebro De acordo com as pesquisadoras, a saúde mental está intimamente ligada ao equilíbrio intestinal, numa relação conhecida como eixo cérebro-intestino. Esse sistema de comunicação bidirecional influencia o humor, a ansiedade e até a resposta aos medicamentos psiquiátricos. “Cuidar do intestino também é cuidar da mente”, explica Marina Toscano, psiquiatra e doutoranda em Biotecnologia. Ela aponta que pesquisas anteriores já mostravam que o uso prolongado de antidepressivos pode alterar a microbiota intestinal e causar disbiose, um desequilíbrio entre bactérias benéficas e nocivas. Leia também Saúde Uso prolongado de antidepressivos gera maior abstinência, diz estudo Saúde Antidepressivos engordam? Médicos de Harvard analisam efeito colateral Saúde Manual do usuário: antidepressivos e impactos desses remédios no corpo Claudia Meireles Saiba se o café interfere na ação de antidepressivos ou ansiolíticos A condição aumenta a permeabilidade intestinal, favorece inflamações e pode impactar o funcionamento cerebral. No estudo brasileiro, a suplementação com probióticos demonstrou potencial para reverter esses efeitos e restaurar o equilíbrio do intestino. “A ação dos probióticos está relacionada ao crescimento de bactérias boas e à redução das prejudiciais, o que fortalece a barreira intestinal e melhora a produção de ácidos graxos de cadeia curta, essenciais para a manutenção da saúde do intestino e da barreira hematoencefálica”, esclarece. O estudo também observou redução de íons de amônia, substâncias tóxicas em excesso, e de citocinas inflamatórias que podem afetar o cérebro. Como o estudo foi conduzido A pesquisa foi realizada com amostras fecais de quatro pacientes em uso contínuo de sertralina ou escitalopram há mais de um ano. As amostras foram submetidas à intervenção probiótica por 14 dias no modelo SHIME®, que reproduz as condições reais do trato gastrointestinal humano, incluindo pH, temperatura e presença de enzimas digestivas. Embora ainda não tenha sido testada diretamente em pacientes, a simulação oferece resultados muito próximos ao que seria observado em humanos. Segundo Toscano, novos ensaios clínicos devem confirmar em breve os benefícios observados em laboratório. Possíveis aplicações na prática clínica Os achados sugerem que a terapia probiótica pode ser uma aliada no tratamento de pessoas que usam antidepressivos, não apenas para reduzir efeitos colaterais gastrointestinais, mas também para melhorar a resposta emocional. Isso porque restaurar o equilíbrio intestinal ajuda a diminuir a inflamação sistêmica e otimiza o funcionamento de neurotransmissores como o GABA, que atua na regulação da ansiedade. “Esses resultados indicam que a saúde intestinal tem papel decisivo no bem-estar emocional e na eficácia dos tratamentos psiquiátricos”, observa a pesquisadora. Ela ressalta que os probióticos são, em geral, bem tolerados, mas o uso deve ser orientado por um profissional de saúde. Hábitos que ajudam o intestino e a mente Além da suplementação, pequenas mudanças no estilo de vida podem potencializar os efeitos positivos dos probióticos. Manter uma alimentação rica em fibras — presentes em frutas, legumes, feijões, aveia e banana pouco madura — favorece o crescimento das bactérias benéficas. Os probióticos são importantes para refazer a microbiota intestinal com bactérias boas Também é importante evitar o consumo excessivo de ultraprocessados, álcool e alimentos ricos em açúcar e gordura. A boa hidratação, o sono regular e a prática de atividades físicas leves contribuem para o equilíbrio do organismo. Fermentados como iogurte, kefir e chucrute podem somar na rotina, desde que sejam bem tolerados. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Prejudica os rins? 3 dúvidas sobre consumo de whey protein 8 de agosto de 2024 O suplemento whey protein tornou-se popular entre atletas, entusiastas do fitness e pessoas que buscam uma alimentação mais equilibrada. Ainda assim, há muitos receios e mitos sobre o consumo de whey protein. Leia também Saúde Whey protein ou creatina? Como decidir em qual suplemento investir Vida & Estilo Enjoou do… Read More
Páscoa: dermatologista explica se o chocolate realmente causa espinhas 31 de março de 2025 Com a chegada da Páscoa, é comum o aumento do consumo de chocolate com os ovos de Páscoa. Contudo, isso reacende a dúvida sobre os impactos desse tipo de consumo na saúde da pele, especialmente sobre o surgimento das temidas espinhas. A médica Nicolly Machado explica que o consumo excessivo… Read More
Notícias Pacientes voltam a engordar pós-bariátrica: o que explica o efeito? 8 de outubro de 2023 Um novo estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) identificou que aproximadamente 92% dos pacientes voltam a ganhar peso após a cirurgia bariátrica. A pesquisa mostrou que há uma recuperação de pelo menos 20% do peso perdido com o procedimento, após dois anos do procedimento. A pesquisa foi realizada… Read More