Usar adoçante sem calorias pode aumentar fome por doces, diz estudo Ouvir 28 de março de 2025 A sucralose é um adoçante conhecido por dar sabor aos alimentos sem a adição de calorias. No entanto, um novo estudo indica que sua ação também pode estar ligada ao aumento da fome e do desejo por doces, especialmente em consumidores com obesidade. Segundo endocrinologistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, esse efeito acontece possivelmente porque a sucralose entregar um sabor doce, mas sem as calorias que o organismo se acostumou a receber quando tem estes estímulos. Com isso, o hipotálamo, zona do cérebro que controla a fome, é mais estimulado com o consumo deste tipo de alimento. Leia também Vida & Estilo Adoçante ajuda a emagrecer ou contribui para o ganho de peso? Entenda! Saúde Estudo sugere que uso de adoçante aumenta risco de AVC. Saiba qual Saúde Açúcar ou adoçante: qual a melhor opção para a sua dieta? Saúde Usar adoçante não aumenta a fome e faz bem à saúde, diz estudo Adoçante pode aumentar a fome? O estudo, publicado na revista Nature Metabolism, nessa quarta-feira (26/3), mostra que a substância altera a atividade cerebral ao ser comparado com a ingestão do açúcar comum. “Se o corpo espera calorias devido ao sabor doce, mas não as recebe, o cérebro pode passar a desejar mais esses alimentos”, explicou a endocrinologista Kathleen Page, autora principal do estudo, em comunicado à imprensa. Dicas para diminuir o uso de adoçantes Dê preferência a frutas maduras e desidratadas, que podem ser consumidas in natura ou usadas no preparo de sobremesas como adoçantes. Damascos, tâmaras e maçãs cumprem bem esta função. O uso de especiarias também pode ser um aliado para adocicar um preparo, especialmente pães e bolos. “Canela, cardamomo e erva doce têm uma doçura natural em sua composição e podem ser usadas para dar um aspecto adocicado à comida”, diz a nutricionista Iara Lemos, de Brasília. Use preferencialmente o mel ou o açúcar mascavo caso sinta necessidade de adoçar alguma bebida, mas o faça com moderação. Como foi feita a pesquisa? A pesquisa analisou 75 adultos, divididos entre peso saudável, sobrepeso e obesidade. Após consumirem bebidas com sucralose ou açúcar, os voluntários passaram por exames de ressonância magnética e testes hormonais. Os resultados indicaram maior atividade cerebral e fome no grupo que ingeriu o adoçante. O experimento se diferencia da maioria das pesquisas feitas para avaliar a relação de fome e consumo de adoçantes, que costumam ser feitas com base na sensação física dos usuários e mostram resultados conflitantes. Enquanto o açúcar elevou os níveis de insulina e peptídeo GLP-1 — hormônios que promovem saciedade —, o adoçante não provocou efeito semelhante. A ausência desses sinais metabólicos pode explicar o aumento da fome, especialmente em indivíduos com obesidade, nos quais a diferença foi mais acentuada. Além disso, exames de imagem revelaram maior comunicação entre o hipotálamo e o córtex cingulado anterior, área envolvida na tomada de decisões. “Isso sugere que o adoçante pode influenciar comportamentos alimentares mais impulsivos”, afirmou Page. Impacto é diferente dependendo da idade e do sexo Mulheres apresentaram alterações cerebrais mais significativas do que homens, indicando que os efeitos podem variar por sexo e que a fome pode ser mais intensa em mulheres. O estudo não avaliou impactos a longo prazo, mas levantou questões sobre possíveis mudanças duradouras no controle de peso de pacientes que muitas vezes recorrem a estes produtos em busca de diminuir o apetite. “Precisamos de estudos longitudinais para entender se essas respostas cerebrais levam a ganho de massa corporal”, disse Page. Os pesquisadores já iniciaram a nova fase da pesquisa, focada em crianças e adolescentes. “O cérebro em formação pode ser mais vulnerável a mudanças que aumentam o risco de obesidade”, concluiu a pesquisadora. 10 imagens Fechar modal. 1 de 10 O consumo excessivo de açúcar está diretamente ligado a sérios problemas de saúde. Comer muito doce e carboidratos, por exemplo, pode aumentar a chance de desenvolver diabetes, câncer, obesidade, entre outros 2 de 10 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de os malefícios do açúcar serem altamente divulgados, o Brasil é um dos países que mais consome a substância no mundo Conny Marshaus/ Getty Images 3 de 10 Os brasileiros ingerem ao menos 80g de açúcar por dia, o que é superior ao recomendado: 25g a 50g diárias, levando em consideração uma dieta de duas mil calorias Flashpop/ Getty Images 4 de 10 Segundo especialistas, o açúcar possui propriedades viciantes e acionam uma série de reações no corpo humano. Além de causar alergias, ingerir a substância em excesso pode desativar o sistema imunológico e deixar o indivíduo mais propenso a adquirir infecções Westend61/ Getty Images 5 de 10 O excesso de açúcar no corpo faz com que a glicemia dispare e, após um tempo, despenque. Além disso, o corpo pedirá mais e, caso não receba, começará a enviar sinais de abstinência. Consequentemente, o indivíduo entra em ciclo compulsório de fome e o desejo pelo consumo de doces aumenta wundervisuals/ Getty Images 6 de 10 A partir disso, o problema só piora. O organismo deixa de funcionar da forma correta e sérios problemas de saúde começam a surgir milanvirijevic/ Getty Images 7 de 10 A funcionalidade e elasticidades dos tecidos são perdidos, o que faz com que o envelhecimento precoce se instale. Problemas na visão e apodrecimentos dos dentes também são possíveis. Além disso, doenças autoimunes podem ser provocadas; e a saúde dos cabelos, ser comprometida Eric Raptosh Photography/ Getty Images 8 de 10 O consumo excessivo da substância também pode causar diabetes, obesidade, problemas cardiovasculares, ansiedade, estresse, baixa energia, problemas intestinais, enxaqueca, instabilidade emocional, entre outros Tom Werner/ Getty Images 9 de 10 Apesar de o que possa parecer, não é necessário cortar o açúcar de uma vez, mas consumir com moderação Jose Luis Pelaez Inc/ Getty Images 10 de 10 Ter o controle da quantidade do açúcar ingerido auxilia tanto na perda de peso quanto na melhoria da qualidade de vida. Exercícios físicos, alimentação balanceada e uma boa noite de sono podem ajudar a diminuir o vício em doces Thomas Barwick/ Getty Images Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
DNA “lixo” pode ter papel no desenvolvimento do Alzheimer, diz estudo 5 de janeiro de 2026 Pesquisa mapeia sinais genéticos em células do cérebro e ajuda a entender por que o Alzheimer se desenvolve Read More
Notícias Entendendo a Síndrome dos Ovários Policísticos: Causas, Sintomas e Tratamentos 17 de julho de 202517 de julho de 2025 A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição hormonal comum que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Caracterizada pela presença de múltiplos cistos nos ovários, a SOP pode causar uma variedade de sintomas, desde irregularidades menstruais até problemas de fertilidade. Neste artigo, vamos explorar as causas, sintomas… Read More
Notícias Conitec incorpora 1º remédio para demência ligada ao Parkinson ao SUS 25 de junho de 2024 O Parkinson é uma das doenças neurodegenerativas mais comuns do mundo: há entre 100 e 200 indivíduos diagnosticados com a condição a cada 100 mil pessoas com mais de 40 anos. Destas, 30% desenvolvem demência associada ao Parkinson. Entretanto, a complicação não tinha tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde… Read More