Estudo identifica como o cérebro pode impedir o avanço do Alzheimer Ouvir 8 de abril de 2025 Uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine em março traz novas pistas sobre como o próprio sistema imunológico do cérebro pode ajudar a combater a doença de Alzheimer. O foco do estudo está nas microglias — células que atuam como “faxineiras” do cérebro. Elas são responsáveis por remover substâncias tóxicas, como os aglomerados da proteína beta-amiloide, que se acumulam em pessoas com Alzheimer. Algumas imunoterapias já aprovadas estimulam justamente essa função, mas os cientistas ainda tentam entender por que o tratamento funciona bem em alguns casos e em outros, não. “Nosso estudo é o primeiro a identificar os mecanismos nas microglias que ajudam a limitar a propagação da proteína amiloide em certas regiões do cérebro após o uso de medicamentos”, explica o neurocientista David Gate, da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, em comunicado. O que é o Alzheimer? O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética. É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil. O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar. Microglias controlam inflamação e ajudam na recuperação do cérebro Analisando amostras do cérebro de pessoas que morreram com Alzheimer — algumas delas tratadas com imunoterapia — os pesquisadores observaram que, além de remover os aglomerados de proteína, as microglias também conseguem controlar a inflamação que costuma acompanhar a “limpeza”. Essa combinação ajuda o cérebro a se recuperar melhor. “Durante muito tempo, a gente se perguntou se, ao estimular essas células a removerem a beta-amiloide, elas ficariam presas nesse modo de ataque, o que poderia ser prejudicial”, explica Gate. “Mas o que vimos é que, depois de fazerem a limpeza, elas voltam ao estado normal — e isso parece ser essencial para que o cérebro consiga se recuperar”, explica Gate. Leia também Saúde Composto do alecrim pode auxiliar no combate ao Alzheimer, diz estudo Saúde Exercícios aeróbicos podem proteger contra o Alzheimer, indica estudo Saúde Bactérias da boca podem indicar riscos de Alzheimer, diz estudo Saúde Exercícios aeróbicos podem reduzir risco de Alzheimer, mostra estudo Para entender melhor como essas células atuam, os pesquisadores usaram uma técnica chamada transcriptômica espacial, que permite observar a atividade dos genes no cérebro. Eles identificaram dois genes que se destacam nesse processo: o APOE e o TREM2, ambos já ligados ao Alzheimer em estudos anteriores. A presença ativa dos genes ajudou a explicar por que, em alguns casos, a microglia responde melhor à imunoterapia — agindo de forma mais eficiente na remoção da beta-amiloide e ajudando o cérebro a se proteger. 8 imagens Fechar modal. 1 de 8 Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas PM Images/ Getty Images 2 de 8 Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista Andrew Brookes/ Getty Images 3 de 8 Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce Westend61/ Getty Images 4 de 8 Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano urbazon/ Getty Images 5 de 8 Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença OsakaWayne Studios/ Getty Images 6 de 8 Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns Kobus Louw/ Getty Images 7 de 8 Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença Rossella De Berti/ Getty Images 8 de 8 O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images Caminhos para melhorar os tratamentos As imunoterapias atuais são vistas como um avanço importante, mas ainda têm limitações — tanto em relação à eficácia quanto aos possíveis efeitos colaterais. Por isso, entender melhor como as células do próprio corpo reagem ao tratamento pode ajudar a torná-lo mais seguro e eficiente. “Embora esses medicamentos estejam se tornando mais eficazes, eles não curam os pacientes com Alzheimer. Mas acreditamos que os dados do nosso estudo podem ajudar a melhorar os resultados”, afirma Gate. Os pesquisadores também destacam que, em vez de depender apenas de medicamentos, uma alternativa promissora seria encontrar maneiras de “treinar” o sistema imunológico do cérebro para reagir de forma mais eficaz desde os estágios iniciais da doença. Isso pode ser essencial para frear o avanço do Alzheimer antes que os danos se tornem irreversíveis. 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