“Até pacientes em coma podem fazer terapia”, diz psicóloga no Sarah Ouvir 8 de maio de 2025 Mesmo pacientes em estado vegetativo ou em coma podem se beneficiar do uso de técnicas da neurorreabilitação, em alguns casos até dobrando suas capacidades de interação. Os dados foram apresentados pela psicóloga britânica Barbara Wilson, uma das referências mundiais da neuropsicologia. Ela foi uma das convidadas que palestrou nesta quinta-feira (8/5) no 1º Congresso Latino-Americano da Federação Mundial de Neurorreabilitação (WFNR), realizado no Hospital Sarah. A programação segue até sexta-feira (9/5). Leia também Ciência Bebês aprendem fonética antes de falar, diz especialista no Sarah Saúde Sequelas mentais pós-AVC são ignoradas, dizem especialistas no Sarah Saúde Congresso no Sarah: “Não há prazo para recuperação do AVC”, diz médico Saúde No Sarah, médico lista os 6 casos mais importantes da neuropsiquiatria Em sua fala, Barbara destacou que mesmo após uma grave lesão cerebral, pacientes em coma continuam sendo candidatos viáveis para intervenções terapêuticas. “Muitas pessoas dizem que estes pacientes não respondem, que não há evolução, mas isso mostra apenas uma falta de ferramentas para avaliar agitação, os ruidos, os níveis de atenção. Dentro do coma e do estado vegetativo, há um universo de melhoras possíveis”, destacou ela. Essas reações, por mais sutis que sejam, podem indicar níveis diferenciados de consciência que podem ser medidos com a utilização de escalas específicas, como a JFK-Coma Recovery Scale ou a Wessex Head Injury Matrix. Compreender o que está por trás do silêncio A psicóloga cita que muitos desses pacientes apresentam ciclos de sono e vigília preservados, embora em estados de consciência mínima e com a compreensão de si mesmos e do ambiente bastante limitada. “Mais do que pensar o que eles não são capazes de fazer, temos que trabalhar com o que eles conseguem. Isso não é buscar sinais a qualquer movimento de dedos, mas estudar como eles ainda interagem com o mundo, o que os limita e se é possível melhorar isso”, explica. Entre as estratégias terapêuticas para pacientes com essas lesões cerebrais graves, Barbara aconselha a aplicação de testes objetivos com cartões de imagens e uso de objetos para tentar estabelecer comunicações com eles. O uso de ferramentas terapêuticas que possam colocar os pacientes em outras posições, de pé ou sentado, também podem estimular mais respostas. “No geral, 75% dos pacientes em estado vegetativo melhoram suas respostas aos testes ao serem colocados de pé. Em alguns casos, eles dobram seus níveis de atenção e de atividade. Isso é uma prova que, por mais difícil que possa ser observar as melhoras, ainda é possível conquistar avanços”, defende ela. Segundo Barbara, pacientes que são sentados também apresentam bons resultados de melhora em suas respostas, ainda que inferiores dos daqueles que eventualmente são postos de pé. A explicação pode estar ligada ao aumento da estimulação sensorial e do controle postural, mesmo em estados graves. Em sua palestra, Barbara Wilson destacou casos de recuperações grandes de pacientes em coma através da neurorreabilitação Casos extremos superaram o coma Nem sempre o progresso é perceptível em curto prazo. Um dos casos apresentados por ela foi de Gary, um paciente sobre o qual ela escreveu um livro. Aos 28 anos, Gary foi agredido por uma gangue com tacos de beisebol e um martelo, resultando em várias fraturas no crânio e graves danos cerebrais. Por 19 meses, ele teve pouca consciência do que o cercava antes de começar a mostrar alguma recuperação. Por três anos ele foi tratado por Barbara para conseguir recuperar sua consciência e hoje, a não ser por algumas limitações físicas, vive uma vida normal. “Com reabilitação especializada e apoio familiar contínuo, Gary superou as expectativas. Ele é a prova de que, ao contrário da crença popular, é possível ter ganhos consideráveis em pessoas que passaram por um longo período de consciência reduzida”, defende ela. “A primeira vez que observei que ele parecia mais responsivo foi quando ele estava sob estresse de ter usado um colar cervical. Para muitos, isso teria passado desapercebido”, conclui a especialista. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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