Cientista explica risco de mutação gerar uma pandemia de gripe aviária Ouvir 18 de maio de 2025 *O artigo foi publicado pelo professor de clínica médica e medicina laboratorial Klinger Soares Faíco Filho, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e publicado na plataforma The Conversation Brasil. Nas últimas décadas, viemos assistindo a uma silenciosa aproximação entre vírus aviários e o corpo humano. E entre todas as ameaças potenciais, o vírus da gripe aviária, especialmente o H5N1, está no topo da lista de organismos que preocupam cientistas e autoridades de saúde no mundo todo. Recentemente, o Brasil registrou, pela primeira vez, um foco de gripe aviária em granja comercial, e não apenas em aves silvestres. Pode parecer mais um dado técnico, mas esse evento altera significativamente o cenário de risco. Isso porque, quando o vírus se instala em ambientes com alta densidade de aves e constante presença humana, como granjas, aumenta-se muito a chance de o vírus sofrer mutações. Mutações que, eventualmente, podem facilitar a transmissão entre pessoas, algo que ainda não ocorre de forma sustentada com o H5N1. O que é o H5N1? O H5N1 é um tipo de vírus Influenza A. Ele circula principalmente em aves, mas pode infectar mamíferos, incluindo humanos, em condições específicas. Até o momento, os casos em pessoas são raros, mas graves: a taxa de letalidade ultrapassa 50% entre os infectados confirmados pela OMS. Felizmente, a transmissão entre humanos ainda é extremamente rara. Mas isso pode mudar, e é esse risco que nos obriga a atenção contínua. Leia também Brasil Brasil tem 1º caso de gripe aviária em granja comercial, diz governo Saúde Gripe aviária: entenda se há risco de consumir carne e ovos no Brasil Brasil Crise da gripe aviária aumenta ou abaixa preços no Brasil? Entenda Brasil Qual o risco de a gripe aviária se espalhar pelo país? Por que a mutação é uma preocupação real? Os vírus Influenza têm uma capacidade natural de mutar. Eles trocam partes do seu material genético (em um processo chamado rearranjo gênico) quando dois tipos diferentes infectam o mesmo hospedeiro. Se isso acontecer entre um vírus aviário e um vírus humano, pode surgir uma nova variante com o pior dos dois mundos: alta letalidade e fácil transmissão. Foi algo semelhante que aconteceu com o H1N1, em 2009. Ele tinha genes mistos de gripe humana, suína e aviária — e se espalhou rapidamente pelo planeta. O que muda com o foco comercial? O vírus circulando em granjas significa exposição contínua e massiva de humanos ao patógeno. É diferente de um caso isolado em aves silvestres. Trabalhadores dessas granjas estão em contato direto com secreções, fezes, plumas e superfícies contaminadas. Cada exposição é uma oportunidade de o vírus se adaptar. Além disso, o contato próximo com mamíferos, como suínos ou até mesmo gado (em surtos recentes nos EUA), pode funcionar como uma ponte evolutiva para que o vírus “aprenda” a infectar melhor humanos. Estamos preparados? Em tese, sim. O Brasil tem sistemas de vigilância bem estruturados tanto na saúde animal quanto na humana. Mas o elo entre essas áreas precisa ser fortalecido. A estratégia chamada “One Health” (“Saúde Única”) propõe exatamente essa integração — saúde humana, animal e ambiental atuando em conjunto. É fundamental monitorar trabalhadores expostos, oferecer testagem rápida, garantir o uso de equipamentos de proteção e fortalecer os protocolos de biossegurança nas granjas. Além disso, precisamos ampliar o sequenciamento genético de amostras positivas, tanto em aves quanto em pessoas com sintomas respiratórios em áreas de risco. O que a população precisa saber? Antes de tudo: não há risco de contrair gripe aviária ao comer frango ou ovos, desde que estejam devidamente cozidos. O risco real está no ambiente de criação intensiva de aves e na vigilância da cadeia de transmissão. Outro ponto importante é a comunicação pública responsável. Pânico não ajuda. O que precisamos é de atenção técnica, prevenção e capacidade de resposta rápida: aprendizados que a pandemia de COVID-19 deixou bem evidentes. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Mau hálito: saiba como solucionar o problema 28 de setembro de 2024 Também conhecido como halitose, o mau hálito ainda é alvo de estigmas sociais. De acordo com o Conselho Federal de Odontologia, cerca de 30% da população brasileira sofre com o desconforto. Apesar de ser muito comum, muitas pessoas desconhecem que este estado tem tratamento e prevenção. As origens do mau… Read More
Notícias Suíços descobrem forma de fazer chocolate mais saudável e sustentável 1 de junho de 2024 É difícil encontrar quem não goste de chocolate, mas muita gente tenta resistir a seu sabor e trata o doce como um pecado: altamente calórico, ele pode ser considerado um vilão na maioria das dietas. Uma pesquisa recente, porém, pode retirar uma parcela da culpa de desfrutar desse saboroso doce…. Read More
Como controlar a obesidade: 10 dicas para se manter saudável 4 de março de 2024 Saber como controlar a obesidade é uma tarefa fundamental, não apenas para quem está acima do peso ideal, mas, principalmente, para quem já enfrentou a condição e conseguiu eliminar o excesso de gordura corporal. Talvez, algumas pessoas ainda não saibam, mas, a obesidade é uma doença crônica e, portanto, não… Read More