Existe hora certa para o parto? Entenda riscos de atrasar e antecipar Ouvir 13 de julho de 2025 Saber o momento certo para o bebê nascer é uma das maiores dúvidas e ansiedades da gestação. Embora o parto seja um processo natural, especialistas alertam que tanto a antecipação quanto a demora podem trazer riscos sérios à saúde da mãe e do recém-nascido. Cada gestação tem seu próprio ritmo, e o acompanhamento médico cuidadoso é essencial para garantir que o nascimento ocorra no tempo ideal. De maneira geral, o parto costuma acontecer entre 37 e 42 semanas de gestação, período em que o bebê já está com órgãos e funções vitais suficientemente maduros. Porém, não existe um único critério que defina o momento exato do nascimento. A obstetra Polyana Mattedi Carvalho, coordenadora da ginecologia e obstetrícia do Hospital Mater Dei Goiânia, explica: “Nada consegue definir o tempo certo para um bebê nascer. Cada bebê e cada mulher terão o seu tempo. A dilatação sozinha não determina o nascimento, é preciso avaliar também as contrações e a posição do bebê.” Leia também Vida & Estilo Ansiedade materna: como lidar com medos e preocupações na gravidez Saúde Mulher descobre câncer durante gravidez: “Comemoração virou pesadelo” Saúde Cuidados na gravidez: alimentos que as gestantes não devem comer Saúde 5 dicas para praticar atividade física na gravidez com segurança O obstetra Guilherme Fernandes, do consultório Maternize, em Brasília, lembra que o trabalho de parto envolve um conjunto de fatores. “Além da dilatação, o colo do útero tem que estar fino, amolecido, e o bebê precisa estar bem posicionado para passar pelo canal do parto. É um conjunto que indica que o parto está em evolução”, ensina. Parto atrasado e parada cardíaca do feto Entre os riscos da demora excessiva está o sofrimento fetal, situação em que a oxigenação do bebê pode ser comprometida. Foi o que aconteceu com a brasiliense Juliana Araújo, de 26 anos. Ela conta que, com 37 semanas e 6 dias de gestação, começou a perder líquido amniótico e imediatamente buscou atendimento. Quando já estava internada, ela percebeu que, por um momento, o líquido havia parado de sair. Foi quando os profissionais que a acompanhavam realizaram o monitoramento e viram que os batimentos cardíacos do bebê estavam indetectáveis. Mas, somente depois de 4 horas, o parto finalmente foi induzido. O resultado: a criança nasceu em parada cardíaca devido o tempo que ficou na barriga sem o líquido e precisou ser reanimada durante 30 minutos. Felizmente, Juliana foi amparada pelos profissionais, o bebê se recuperou e hoje, aos 2 anos, está saudável. Juliana e José Araújo. A criança, que hoje tem 2 anos, nasceu em parada cardíaca por ficar mais tempo que o necessário na barriga da mãe sem líquido amniótico “A assistência na sala de parto deve ser a mais humanizada possível. A paciente e os familiares devem sempre estar participando para que haja segurança em toda a condução, além de ser necessário que a equipe deixe bem claro qual o planejamento determinado para aquela paciente”, explica Polyana. Na realização do parto é necessário que estejam presentes profissionais específicos, além da equipe de enfermagem, como médico obstetra e médico pediatra, para que tudo ocorra bem como no caso de Juliana. Segundo os especialistas é importante ter profissionais bem preparados para a condução do parto para prevenir e tratar de forma rápida qualquer intercorrência. O trabalho de parto O parto geralmente ocorre entre 37 e 42 semanas, quando o bebê e a mãe estão fisiologicamente prontos. A dilatação é apenas um dos sinais do trabalho de parto: contratações, afinamento do colo e posição do bebê também são avaliados. A demora ou antecipação do parto pode causar sofrimento fetal e outros riscos, mas cada situação deve ser avaliada individualmente. Gestantes devem estar atentas a sinais de trabalho de parto, especialmente se estiverem longe de um hospital. Parto antes da hora também é arriscado Por outro lado, antecipar o parto sem necessidade médica também pode trazer problemas. “Se o bebê nasce prematuro, antes de 37 semanas, pode precisar de cuidados especializados, inclusive de internação em UTI neonatal, porque ainda não está maduro para a vida fora do útero”, explica Polyana. Fernandes destaca que, em casos como pré-eclâmpsia e diabetes mal controlada, antecipar o parto pode ser mais seguro do que esperar. “Tudo depende do contexto: se há risco à vida da mãe ou do bebê, o benefício da antecipação supera o risco. Mas, sem complicações, o ideal é aguardar o parto espontâneo”, afirma. A situação pode ser ainda mais delicada quando a grávida está longe do hospital. Nesses casos, os especialistas orientam que a mulher esteja atenta a sinais como contrações ritmadas e dolorosas, perda de líquido pela vagina e sangramento. “Toda gestante deve ser orientada sobre os sinais de alerta e quando procurar assistência”, ressalta Polyana. Se o bebê não estiver se mexendo como de costume, ou houver sangramento, a gestante precisa buscar ajuda imediatamente. No fim das contas, o consenso entre os especialistas é claro: se não houver complicações, respeitar o tempo natural da gestação é sempre a melhor escolha. O ideal é esperar que o corpo da mulher entre espontaneamente em trabalho de parto. “Todo bebê sabe a hora de nascer. Mesmo que os órgãos estejam formados, a maturidade neurológica só ocorre por volta de 39 semanas”, afirma Polyana. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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