Magro demais ou acima do peso? Estudo sugere o que é pior para a saúde Ouvir 15 de setembro de 2025 Uma pesquisa feita por cientistas dinamarqueses comparou o que é menos pior para a saúde: estar muito magro ou muito gordo. O estudo revelou que ser muito abaixo do peso aumenta mais o risco de morte do que estar acima e que os índices que consideram peso saudável podem estar exagerados para baixo. Segundo o levantamento, é mais frequente que alguém gordo esteja saudável do que alguém muito abaixo do índice de massa corporal (IMC) esperado. A investigação foi divulgada no último domingo (14/9) na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, em Viena, na Áustria. Leia também Saúde Obesidade: nova diretriz autoriza tratamento para IMC abaixo de 30 Saúde Fim do IMC? Estudo propõe novos critérios para definição da obesidade Mario Sabino Feirão do IMC: Mounjaro para o Senado; Ozempic para os pobres do Rio Gastronomia Kimchi: aprenda a receita completa do típico prato coreano Estar abaixo do peso pode fragilizar mais a saúde O estudo envolveu 85 mil pessoas na Dinamarca que foram acompanhadas durante cinco anos. Foram comparados os resultados de pessoas que tinham IMC menor que 18 com os de pontuação superior a 40. O IMC é considerado saudável quando está entre 18 e 25. Dos participantes, 7.555 (8%) morreram durante o acompanhamento e a pesquisa comparou seus pesos com o risco de morte. Entretanto, o estudo indicou que pessoas da porção mais baixa do intervalo saudável (de 18 a 2o) tinham o dobro de risco de morrer ao serem comparados a indivíduos com IMC no topo da faixa de peso normal, de 22 a 25. Da mesma forma, aqueles com IMC de 20 a 22,5 kg/m² (intermediários) tiveram 27% mais probabilidade de morrer do que a população de referência. Além disso, a análise constatou que indivíduos na categoria de baixo peso (menor que 18) tinham quase três vezes mais probabilidade de morrer do que pessoas com IMC próximo ao limite superior da faixa saudável. Da mesma forma, participantes com IMC de 40 kg/m² ou mais (categorizados como obesidade grave) tinham mais que o dobro de probabilidade de morrer em comparação com a população de referência. O IMC está errado? A pesquisa sugere que talvez os valores de referência tenham de ser revisitados. “Existem resultados conflitantes sobre a faixa de IMC vinculada à menor mortalidade. Já se pensou que era 20 a 25. O valor pode estar subindo com o tempo”, afirma a pesquisadora Sigrid Bjerge Gribsholt, líder da pesquisa, em comunicado à imprensa. Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que o IMC não estava associado a uma mortalidade maior entre pessoas com sobrepeso e obesidade e que mesmo indivíduos com IMC de 35 a 40 tinham um risco ligeiramente aumentado de morte. Para a líder do estudo, são duas as explicações possíveis para essa mudança. A primeira é o viés da pesquisa, que foi feita a partir de prontuários de saúde de pessoas que fizeram exames em hospitais dinamarqueses, o que pode ter aumentado a proporção de “magros doentes” no estudo. “Nesses casos, é a doença, e não o baixo peso em si, que aumenta o risco de morte, o que pode fazer parecer que ter um IMC mais alto é um fator de proteção”, calcula. No entanto, isso não explicaria por que pessoas com IMCs mais altos tiveram resultados tão bons. Para Gribsholt, há uma proporção maior, atualmente, de pessoas gordas, mas em forma. “Além disso, quando falamos de obesidade outros fatores importantes incluem a forma como a gordura é distribuída. A gordura visceral, que se armazena no abdomen, é muito mais perigosa. Um indivíduo que tem a gordura melhor distribída no corpo e é bem ativo pode ter um IMC alto sem os problemas que isso costuma acarretar”, conclui. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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