Sensibilidade ao glúten afeta uma em cada 10 pessoas no mundo Ouvir 29 de outubro de 2025 Cerca de uma em cada 10 pessoas no mundo relata sintomas como desconforto abdominal, fadiga e dor de cabeça após consumir alimentos com glúten ou trigo, mesmo sem diagnóstico de doença celíaca ou alergia. É o que aponta uma revisão publicada na revista Gut nessa terça-feira (28/10), que analisou estudos de 16 países. A condição, conhecida como sensibilidade ao glúten ou ao trigo não celíaca, ainda intriga pesquisadores. Ao contrário da doença celíaca, ela não apresenta marcadores específicos no sangue e o diagnóstico é feito por exclusão, o que significa que a pessoa só recebe o rótulo de sensível ao glúten quando outras causas foram descartadas. Os sintomas mais frequentes relatados são inchaço, desconforto e dor abdominal, fadiga e, em menor grau, diarreia, prisão de ventre, dor de cabeça e dores nas articulações. Em muitos casos, eles melhoram com a retirada do glúten ou do trigo da alimentação e reaparecem quando esses alimentos voltam à dieta. O estudo também mostrou que a condição é mais comum em mulheres e costuma aparecer em pessoas com ansiedade, depressão ou síndrome do intestino irritável. Leia também Saúde Saiba como diferenciar a doença celíaca da intolerância ao glúten Saúde Glúten faz mal? Engorda? Nutróloga tira dúvidas sobre o composto Saúde O glúten é essencial? Saiba o que acontece se você retirá-lo da dieta Saúde Mulher tem sintomas de câncer confundidos com intolerância ao glúten Essa ligação, segundo os cientistas, reforça a hipótese de que a sensibilidade ao glúten ou ao trigo está relacionada aos chamados distúrbios da interação intestino-cérebro, um campo da neurogastroenterologia que estuda como o sistema digestivo e o cérebro se comunicam. Diferenças entre países e desafios no diagnóstico A análise reuniu dados de 49.476 participantes e revelou variações significativas na prevalência da sensibilidade. Enquanto no Chile menos de 1% da população relatou o problema, no Reino Unido esse número chegou a 23%, e na Arábia Saudita, a 36%. Cerca de quatro em cada dez pessoas que disseram ter sensibilidade ao glúten seguem uma dieta restritiva por conta própria, sem diagnóstico médico formal. Especialistas alertam que eliminar o glúten sem necessidade pode trazer deficiências nutricionais e dificultar a identificação de outras causas dos sintomas. Necessidade de critérios mais claros Os autores do estudo reconhecem que as diferenças entre os resultados podem estar ligadas a critérios diagnósticos variados e ao fato de os dados dependerem do autorrelato dos participantes. Ainda assim, defendem que a sensibilidade ao glúten ou ao trigo seja reconhecida como uma condição real, dentro do espectro dos distúrbios da interação intestino-cérebro. Eles também reforçam a importância de desenvolver métodos de diagnóstico mais objetivos e tratamentos personalizados, considerando os padrões individuais de sintomas e gatilhos alimentares que vão além do glúten. Segundo eles, isso poderia evitar restrições alimentares desnecessárias e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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