Cientistas desvendam mistério sobre a doença de Crohn com ajuda da IA Ouvir 5 de novembro de 2025 Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos, desvendaram um mistério de quase 25 anos sobre a doença de Crohn. Ao combinar inteligência artificial (IA) com biologia molecular, a equipe finalmente conseguiu responder como as células imunológicas no intestino decidem entre inflamação ou cura, um processo que se desregula em pacientes com a condição. Em 2001 foi descoberto que mutações no gene NOD2 aumentam o risco de doença de Crohn, mas a comunidade científica ainda não entendia como o processo acontecia. O avanço da equipe da UCSD foi feito com a criação de um novo método associando a IA com ferramentas de biologia molecular. O estudo com os resultados foi publicado no Journal of Clinical Investigation no início de outubro. Leia também Saúde Doença de Crohn: conheça causas e tratamentos da enfermidade Saúde Saiba sobre a doença de Crohn, condição grave que afeta Evaristo Costa Celebridades “Me sinto definhando”, diz Evaristo Costa sobre doença de Crohn Saúde Doença de Crohn fez jovem de 27 anos perder parte do intestino Para manter a saúde intestinal, o sistema digestivo depende de dois tipos principais de macrófagos (células de defesa): os inflamatórios e os não inflamatórios. O primeiro ataca micróbios perigosos, enquanto o outro repara o tecido, promovendo a cicatrização. Em pessoas com doença de Crohn, não há equilíbrio no trabalho dos dois. O resultado disso é uma inflamação crônica no trato gastrointestinal, causando dor, diarreia e perda de peso. O papel do NOD2 na doença de Crohn Através da ferramenta criada, os pesquisadores analisaram diversos macrófagos, incluindo os encontrados em intestinos saudáveis e em pacientes com doença inflamatória intestinal. Assim, a IA identificou uma assinatura genética composta por 53 genes que indicava se o macrófago seria inflamatório ou restaurador. Dentre os 53, apenas um codifica a proteína girdina. Após análises, os cientistas perceberam que quando o gene NOD2 se liga à girdina, a associação promove um equilíbrio, ajudando a controlar inflamações, eliminar bactérias prejudiciais e auxiliar na cicatrização intestinal. Já quando está mutado, o NOD2 não se combina com a girdina e o sistema imune fica desregulado, aumentando o risco de doença de Crohn. “O NOD2 funciona como o sistema de vigilância de infecções do corpo. Quando ligado à girdina, ele detecta patógenos invasores e mantém o equilíbrio imunológico intestinal, neutralizando-os rapidamente. Sem essa parceria, o sistema de vigilância do NOD2 entra em colapso”, explica a coautora do artigo, Pradipta Ghosh, em comunicado. Testes em animais Os pesquisadores utilizaram camundongos para confirmar a descoberta. Ao comparar roedores com e sem a girdina, os que não tinham a proteína desenvolveram inflamação intestinal grave, tiveram alterações na microbiota e a maioria morreu de sepse – inflamação generalizada no corpo. “O intestino é um campo de batalha, e os macrófagos são os pacificadores. Pela primeira vez, a IA nos permitiu definir e rastrear claramente os jogadores em duas equipes opostas”, exemplifica o autor principal, Gajanan D. Katkar. Além de resolver um mistério antigo, a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de terapias voltadas à restauração da interação entre a girdina e o NOD2. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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