Cientistas descobrem molécula capaz de inibir vontade de beber álcool Ouvir 11 de novembro de 2025 Uma pesquisa publicada na edição de 2025 da revista Neuropharmacology investigou uma nova molécula, chamada MCH11, que pode ajudar no tratamento da dependência de álcool. O composto atua inibindo uma enzima chamada MAGL, responsável por quebrar uma substância natural do cérebro, o 2-AG — um endocanabinoide envolvido na regulação do prazer e da ansiedade. Ao bloquear essa enzima, o MCH11 aumenta a ação do 2-AG e influencia diretamente o sistema de recompensa, que é o mesmo afetado pelo álcool. Os testes foram feitos em camundongos machos e fêmeas. Os pesquisadores observaram que, após a aplicação da molécula, houve uma redução significativa no consumo e na preferência pelo álcool. Leia também São Paulo Polícia apura 2 mortes após consumo de bebidas alcoólicas em Cajamar Brasil Motorista alcoolizado fura barreira e acaba morto pela PRF em Goiás Saúde Carvão ativado reduz efeitos do álcool? Médicos explicam se funciona São Paulo Levantamento da USP mostra que 32% dos paulistanos abusam do álcool Além disso, os animais demonstraram menor motivação para beber quando tinham a opção entre água e álcool. Em alguns casos, quando o MCH11 foi combinado com o remédio topiramato — já usado no tratamento do alcoolismo —, o efeito foi ainda mais intenso. Antes de avaliar o impacto no consumo, os cientistas testaram a segurança da molécula. Eles verificaram que o MCH11 não afetou a locomoção nem prejudicou a memória ou o comportamento cognitivo dos animais. Pelo contrário, apresentou efeitos ansiolíticos e antidepressivos leves, além de reduzir a impulsividade, características importantes para um possível tratamento do vício. A análise molecular mostrou que o composto alterou a expressão de genes ligados à dopamina e ao sistema endocanabinoide em áreas do cérebro relacionadas ao prazer e à dependência. Essas mudanças indicam que o MCH11 pode interferir diretamente na forma como o cérebro responde ao álcool. Um dos resultados mais interessantes do estudo é que os efeitos variaram de acordo com o sexo dos animais. Machos e fêmeas responderam de maneira diferente à substância, tanto no comportamento quanto nas alterações cerebrais observadas. Isso reforça a importância de considerar as diferenças biológicas entre homens e mulheres no desenvolvimento de novos medicamentos contra o alcoolismo. Os autores afirmam que o MCH11 ainda está em fase experimental e precisa passar por novas etapas de pesquisa antes de ser testado em humanos. Mesmo assim, o trabalho mostra que regular o sistema endocanabinoide pode ser uma estratégia promissora para reduzir o consumo de álcool e prevenir recaídas, abrindo caminho para terapias mais personalizadas no futuro. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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