Sangue doado não é testado para dengue, mas deveria, lamenta ABHH Ouvir 31 de março de 2024 No início deste mês, a Anvisa e o Ministério da Saúde emitiram uma nota técnica conjunta atualizando orientações sobre a dengue em doações de sangue. Um dos aspectos que chamou atenção foi a recomendação de considerar inaptas por 30 dias as pessoas que estiveram doentes, fizeram sexo com indivíduos infectados ou se vacinaram. O risco de transmissão de dengue pelo sexo é baixo, mas já foi comprovado, portanto os especialistas orientaram a esperar para fazer a doação, já que o vírus poderia estar no sangue. No Hemocentro de Brasília, nos 15 primeiros dias de vigência da norma, apenas uma pessoa foi impedida de doar por este risco. Leia também Entretenimento Fabiana Justus faz transfusão de sangue após transplante de medula Distrito Federal Nível crítico: banco de sangue de Brasília faz campanha para doação Mundo Homem faz transfusão com sangue do filho de 17 anos para rejuvenescer Saúde Cientistas fazem 1ª transfusão de sangue criado em laboratório Para a Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), o cuidado que o governo está tendo agora é justo e necessário, mas reflexo de um despreparo para lidar com a chance de transmissão de dengue no sangue doado. A entidade acredita que todo o sangue doado no Brasil deveria ser testado para a doença, o que não ocorre atualmente. “Por muito tempo, achamos que não deveríamos nos preocupar com casos assintomáticos de vírus da dengue no sangue, já que essa situação parecia incapaz de levar à doença. Mas estamos cada vez mais convencidos de que a infecção é uma ameaça. Nos últimos anos, já tivemos ao menos dois eventos comprovados de pessoas que tiveram dengue no Brasil por complicações nas transfusões”, indica o hematologista José Eduardo Levi, coordenador do comitê de doenças infecciosas transmitidas por transfusão da ABHH. Sangue doado no Brasil é testado atualmente apenas para aids, sífilis, doença de Chagas, HTLV I/II e hepatites B e C Até 2% do sangue doado tem dengue Estudos publicados em 2016 no The Journal of Infectious Diseases mostraram que entre 1 e 2% de todo o sangue doado no Brasil carrega consigo o vírus da dengue. Nem todos os receptores, porém, são infectados pela doença. Entre os que apresentam sintomas, é quase impossível descartar que eles não foram infectados pela forma mais tradicional, a picada do mosquito Aedes aegypti. Isso levou os infectologistas e hepatologistas a acreditarem que a transmissão da dengue depende de potencializadores na saliva do mosquito, hipótese que ainda está em estudo. As outras formas de contágio, porém, têm levantado cada vez mais preocupações. “São cuidados necessários. O sangue, quando doado, pode ir para até três pacientes que já estão em condições de saúde debilitadas. As chances de adoentar mais essa pessoa, por menor que sejam, não podem ser toleradas. O princípio da transfusão sanguínea é sempre o da máxima precaução”, explica o hematologista Glaciano Nogueira Ribeiro, diretor administrativo da ABHH. ABHH fará reunião sobre o tema A associação fará uma reunião interna na próxima terça-feira (2/4) em que a questão será votada entre os membros para que seja emitida uma nota ao Ministério da Saúde aconselhando a testagem em massa. “Se há um país que precisa liderar essa adoção é o Brasil, maior vítima da dengue em escala global”, afirma Levi. Os testes para dengue em larga escala, porém, teriam um impacto econômico e demandariam treinamento de pessoal para cobrir todas as cerca de 4 milhões de bolsas de sangue doadas no país anualmente. Para os pesquisadores, porém, passa da hora de dar os primeiros passos para que este investimento seja feito. Doenças testadas no sangue No mundo, apenas uma arbovirose (família de doenças transmitidas por mosquitos) é testada no sangue de doadores. Os Estados Unidos fazem o exame para a febre do Nilo, uma doença que parece se potencializar quando a infecção ocorre por transfusão sanguínea. No Brasil, o sangue é testado em larga escala apenas para avaliar doenças de transmissão sexual, como as hepatites, sífilis e aids. Algumas cidades, como Manaus e Brasília, passaram a testar para malária em 2023. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Jovem morre com câncer após ter sintomas confundidos com dor ciática 21 de abril de 2025 A personal trainer Kate Drummond tinha 25 anos no fim de 2020 quando começou a sentir dores nas costas constantemente. Inicialmente, a inglesa atribuiu o desconforto à má postura e também ao excesso de exercícios, já que nesta época treinava corrida de forma mais intensa. Quando o incômodo se estendeu… Read More
Influenciador é condenado por matar filho que “alimentava” com luz 17 de abril de 2024 O influenciador russo Maxim Lyutyy, de 44 anos, se declarou culpado, nesse domingo (14/4), pela morte de seu filho recém-nascido. Ele deixou a criança sem comer e sem beber água para testar a teoria de que humanos podem se alimentar apenas de luz, assim como as plantas que fazem fotossíntese…. Read More
Notícias Remédio da classe do Ozempic evita progressão do Parkinson, diz estudo 5 de abril de 2024 Um medicamento para diabetes tipo 2 semelhante ao Ozempic pode proteger os pacientes com Parkinson do avanço da doença. É o que mostra um estudo de fase 2 feito por pesquisadores da Universidade de Toulouse, na França. A lixisenatida é um medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1 fabricado… Read More