“Ela deu voz a milhares”, diz médico da mulher com a pior dor do mundo Ouvir 11 de julho de 2024 A campanha da estudante Carolina Arruda, de 27 anos, para financiar seu suicídio assistido levantou um debate sobre a dor crônica no Brasil. A jovem tem neuralgia do trigêmeo, um problema de saúde conhecido por provocar “a pior dor do mundo”, e quer passar pela eutanásia para interromper seu sofrimento. Em uma última alternativa em busca de alívio, Carolina se internou por tempo indeterminado na Santa Casa de Alfenas, uma clínica especializada em dor em Minas Gerais. Lá, ela está passando por tratamentos comandados pelo anestesiologista Carlos Marcelo de Barros, presidente da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Leia também Brasil “Posso reconsiderar”, diz jovem com pior dor do mundo sobre eutanásia Saúde Neuralgia do trigêmeo: como é a doença da jovem que busca eutanásia Saúde Jovem com “pior dor do mundo” faz vaquinha para fazer eutanásia Mundo Mulher morre por eutanásia pela primeira vez no Peru Em entrevista ao Metrópoles, o médico explica como está sendo planejado o tratamento. “Não sabemos quanto tempo vai demorar, quais serão as tecnologias necessárias para tirá-la do sofrimento agudo e absurdo que ela tem vivido há mais de 10 anos. Só quando conseguirmos estabilizar o quadro com analgésicos administrados na veia é que saberemos por onde seguir com o caso”, conta. Para Barros, um dos aspectos mais tristes do caso de Carolina é que ele não é incomum no Brasil. Estimativas da SBED apontam que 15 milhões de brasileiros sofrem com dores crônicas e muitos deles apresentam dores que são consideradas “quadros fatais” e levam ao sofrimento físico, social, emocional e espiritual. “A neuralgia do trigêmeo é uma das dores mais excruciantes que existem. Embora ela se manifeste em ondas, a sensação é parecida com a de ter um ferro de passar quente queimando a pele do rosto em tempo integral. O mais triste é que existem várias outras síndromes dolorosas complexas que podem levar a sensações parecidas, desde as dores fantasmas de ter o membro amputado até a síndrome pós-laminectomia, causada por falhas de cirurgias na coluna”, aponta o especialista. Jovem com a pior dor do mundo faz vaquinha para fazer eutanásia. Entenda caso Casos de dor extrema não são raros No caso de Carolina, o médico aponta que é preciso esperar as respostas do tratamento, que está sendo definido por uma equipe que inclui psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais. Ainda assim, Barros afirma que o caso dela possibilitou que os milhares de pacientes que sofrem com quadros parecidos tenham voz e possam pleitear mudanças nos protocolos de saúde. “O sofrimento dela abriu os olhos de muitas pessoas para quem, infelizmente, sofre de forma rotineira. Acordamos para a importância de criar políticas públicas pensadas para o tratamento da dor. Não há disciplinas dedicadas à dor na maioria dos cursos de saúde, não temos políticas para dar ferramentas aos pacientes e fazê-los entenderem suas dores, nos ajudarem a tipificá-las e gerir o autocuidado”, lamenta. Quem tem dores, porém, tem pressa por uma resposta que traga alívio e as mudanças de política pública costumam ser demasiado lentas. Como Carolina, muitos cansaram de esperar, perderam as esperanças de cura e desejam fazer a eutanásia — para o anestesiologista, só quem sente a dor é capaz de dimensioná-la. “Sou médico, não sou juiz, nunca vou julgar o sofrimento dos meus pacientes. Não falo de eutanásia porque esta não é uma possibilidade no Brasil, mas quem sou eu para convencer uma pessoa que vive em agonia sobre seu destino? Espero que a Carolina tenha menos sofrimento e prometi a ela fazer tudo que estiver ao meu alcance. Se der certo, espero que ela reconsidere a eutanásia, mas não questiono o direito dela de fazer escolhas livremente”, conclui o especialista. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Endometriose: 22% das cirurgias são feitas sem necessidade, diz estudo 18 de março de 2024 Cerca de 10% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva convivem com a endometriose. A doença leva a uma dispersão do tecido do endométrio, o revestimento interno do útero, que deveria ser eliminado na menstruação mas acaba se instalando em outros lugares do corpo. A endometriose é dolorosa (acentuando as cólicas… Read More
Dentistas revelam quais são os alimentos que mais causam bafo 10 de abril de 2026 Alguns alimentos são ricos em compostos sulforados, que servem de alimento para as bactérias da boca e podem causar o bafo Read More
Hábito comum pode aumentar drasticamente o risco de hemorroidas 4 de setembro de 2025 É comum passar o dia com o celular na mão e levá-lo para todos os lugares, inclusive para o banheiro. Mas essa distração pode fazer com que a pessoa fique tempo demais sentado no vaso, o que, segundo um novo estudo publicado nessa quarta-feira (3/9) na revista PLOS One, aumenta… Read More