Aquecimento global intensifica oscilações entre secas e inundações Ouvir 9 de janeiro de 2025 O aumento das oscilações rápidas entre períodos de clima intensamente úmido e perigosamente seco – conhecido como “efeito chicote hidroclimático” – já é uma realidade e deve se intensificar com o avanço do aquecimento global. Isso é o que mostra uma pesquisa publicada na revista Nature Reviews, nesta quinta-feira (9/1). O fenômeno é impulsionado pela esponja atmosférica em expansão, efeito que aumenta a capacidade de a atmosfera reter água, intensificando a instabilidade climática. Esse evento já afeta regiões como a Califórnia, por exemplo. Leia também Mundo Calor extremo em julho revela rapidez do aquecimento global Brasil Nasa: Brasil pode ficar inabitável em 50 anos por aquecimento global Mundo Terra passa de “aquecimento” para “ebulição global”, diz secretário-geral da ONU Saúde Cérebro humano está encolhendo com o aquecimento global, diz estudo Segundo o cientista climático Daniel Swain, líder do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), a atmosfera consegue absorver, evaporar e liberar 7% mais água a cada grau Celsius que o planeta aquece. “A taxa de expansão aumenta com cada fração de grau de aquecimento, como juros compostos em um banco”, explicou Swain. Consequências do efeito chicote hidroclimático Os impactos do efeito chicote hidroclimático já podem ser observados em diversas partes do mundo. A Califórnia, nos Estados Unidos, é um exemplo disso. Entre os anos de 2022 e 2023, uma série de rios atmosféricos inundou o estado com chuvas recordes. Em 2024, a vegetação acumulada secou rapidamente devido ao calor extremo, alimentando grandes incêndios florestais. De acordo com o estudo da Ucla, os registros climáticos mostram que o efeito chicote hidroclimático aumentou entre 31% e 66% desde o século 20, acima do previsto pelos modelos climáticos. “Essa sequência na Califórnia incrementou o risco de incêndios duas vezes: primeiro, promovendo o crescimento de vegetação inflamável, depois, secando-a em níveis extremos”, destacou Swain. Incêndio no Lago Elsinore, Califórnia, Estados Unidos A pesquisa também apontou que as consequências do efeito chicote incluem deslizamentos de terra em encostas saturadas por chuvas após incêndios e ciclos que intensificam secas e inundações. “O planeta está se aquecendo em um ritmo essencialmente linear mas, nos últimos cinco ou 10 anos, tem havido muita discussão sobre a aceleração dos impactos climáticos. Esse aumento no efeito chicote do hidroclima, por meio da esponja atmosférica em expansão exponencial, oferece uma explicação potencialmente convincente”, explicou o pesquisador. Em regiões como o norte da África, Oriente Médio e sul da Ásia, o fenômeno deve se intensificar ainda mais nas próximas décadas. Para os cientistas, é essencial adotar estratégias integradas de gestão da água, abordando simultaneamente os riscos de inundações e secas. “Não podemos olhar apenas para chuvas extremas ou secas extremas isoladamente. Precisamos gerenciar ambas de forma conjunta”, considerou Swain. É possível reduzir o aquecimento global? Embora ações para reduzir o aquecimento global possam desacelerar o avanço do efeito chicote, o estudo projeta que, mesmo em um cenário moderado, as oscilações hidroclimáticas continuarão a aumentar significativamente. “Qualquer medida que reduza o aquecimento global ajudará a desacelerar ou até diminuir o avanço do efeito chicote. No entanto, ainda estamos em um caminho para um aquecimento de 2 a 3 graus Celsius neste século, o que torna os aumentos substanciais do efeito chicote muito prováveis. Precisamos considerar isso em nossas avaliações de risco e estratégias de adaptação”, alertou o pesquisador. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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