Câncer de próstata: novo protocolo reduz em 70% tempo de tratamento Ouvir 4 de maio de 2025 Um novo protocolo de radioterapia para câncer de próstata pode reduzir em até 70% o tempo de tratamento, mantendo níveis de eficácia e segurança iguais ou até melhores que os observados em abordagens mais longas. A descoberta foi apresentada nesse sábado (3/5) no congresso ESTRO 2025, realizado na Escócia. O ensaio clínico HYPO-RT-PC, liderado por pesquisadores na Suécia, comparou dois métodos de radioterapia em 1,2 mil homens com câncer de próstata localizado. Leia também São Paulo Entrevista: maestro João Carlos Martins fala sobre câncer na próstata Saúde Toque retal ou PSA? Saiba como fazer a prevenção do câncer de próstata Saúde Estudo indica alimentos que podem atrasar avanço do câncer de próstata Saúde Entenda a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata Todos eles tiveram seus indicadores de saúde acompanhados por 10 anos após o tratamento para avaliar possíveis retornos do câncer de próstata. A nova versão mais curta do protocolo, conhecida como radioterapia ultra-hipofracionada, consiste em sete sessões distribuídas em duas semanas e meia. O esquema padrão, porém, envolve 39 sessões ao longo de oito semanas com uma dosagem menor de radiação. Câncer de próstata O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, segundo o Ministério da Saúde. Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas e, quando apresenta, os mais comuns incluem: dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. As causas não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores como, idade, histórico familiar, obesidade, alimentação, tabagismo e exposição a podutos químicos podem aumentar o risco. A doença é confirmada após fazer a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal, que somente são prescritos a partir da suspeita de um caso por um médico especialista. Estudo clínico confirma equivalência O estudo avaliou diferentes aspectos do tratamento, como sobrevida geral, recorrência do câncer e efeitos adversos. Em todos os critérios clínicos, os resultados foram semelhantes entre os dois grupos analisados. Após uma década, 72% dos pacientes no grupo de curta duração permaneceram livres de “falhas no tratamento”, frente a 65% no grupo que seguiu o regime tradicional. A taxa de sobrevida geral ficou em 81% e 79%, respectivamente. A mortalidade específica por câncer de próstata foi de 4% em ambos os grupos. Os efeitos colaterais, como sintomas urinários e intestinais, ocorreram em grau leve a moderado e de maneira comparável entre os dois formatos. Menos sessões, menos impacto na rotina “Essas descobertas de longo prazo confirmam resultados anteriores de 5 anos do estudo, mostrando que administrar doses menores e mais altas em um período mais curto funciona tão bem quanto a abordagem padrão — não apenas na teoria, mas na prática clínica do mundo real”, afirmaram em comunicado os professores Per Nilsson e Adalsteinn Gunnlaugsson, da Universidade de Lund, que lideraram o estudo. Reduzir o tempo necessário para completar o tratamento pode diminuir o impacto pessoal e financeiro do câncer. “Para os pacientes, isso significa menos interrupções na vida diária e custos de saúde potencialmente mais baixos — sem comprometer os resultados e a segurança”, reforçaram os pesquisadores. Tecnologia de precisão e impacto clínico A radioterapia de precisão, utilizada no protocolo reduzido, aplica doses concentradas diretamente no tumor, minimizando a exposição de tecidos saudáveis. Esse fator foi fundamental para o sucesso do modelo mais enxuto. O câncer de próstata é o mais diagnosticado entre homens em escala global. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que 71 mil casos são registrados todos os anos e ocorram cerca de 16 mil mortes relacionadas à neoplasia. Embora a cirurgia continue sendo uma opção comum para o câncer de próstata, a radioterapia ambulatorial oferece uma alternativa que preserva a rotina e reduz internações. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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