Dia do Orgulho: doenças que ainda são pouco discutidas na saúde LGBT Ouvir 28 de junho de 2025 Neste sábado (28/6), é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBT, data que marca a luta por direitos, respeito e visibilidade. Mas, quando o assunto é saúde, ainda existem lacunas importantes, especialmente no diagnóstico, prevenção e acompanhamento de doenças que afetam de forma particular a população LGBTQIAPN+. Além do HIV, que historicamente mobiliza campanhas e políticas públicas, especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam para outras condições que seguem subdiagnosticadas, muitas vezes por falta de informação, acolhimento e acesso a cuidados adaptados à realidade dessa população. “A saúde LGBT vai muito além do HIV. Há doenças silenciosas que ainda não recebem a devida atenção, principalmente em áreas como saúde mental, prevenção de câncer e infecções sexualmente transmissíveis”, afirma a médica infectologista Renata Zorzet Manganaro de Oliveira, que atua em São Paulo. Entre as condições pouco discutidas estão os transtornos mentais, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático, muitas vezes agravados por discriminação, exclusão familiar e falta de profissionais capacitados. “É comum que essas pessoas evitem buscar ajuda por medo de julgamento. Ainda existem muitos tabus e isso dificulta o diagnóstico e o tratamento adequado”, explica a ginecologista e sexóloga Maria Carolina Dalboni, que atende no Rio de Janeiro. Leia também Saúde Cuidar da saúde é desafio para brasileiros LGBTQIA+, diz estudo da ONU Distrito Federal Saúde do DF leva vacinas e teste de ISTs à Parada LGBT+ de Taguatinga Brasil STF: pessoa trans deve ser atendida no SUS conforme ela se identifica Distrito Federal Inscrição de atendimento psicológico grátis ao público LGBT vai até 6ª Além disso, doenças gastrointestinais funcionais, como a síndrome do intestino irritável, vêm sendo associadas ao estresse crônico e a traumas. O uso de substâncias psicoativas também merece atenção, pois pode estar ligado a contextos de exclusão e sofrimento psicológico. Outra preocupação é o aumento de certos tipos de câncer, como o anal — mais comum entre homens que fazem sexo com homens e mulheres trans — e o câncer de mama em pessoas trans em uso de hormônios. A baixa oferta de rastreamento adaptado e a falta de orientação adequada dificultam a prevenção. Outras ISTs Embora o HIV continue sendo uma prioridade em saúde pública, outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) vêm crescendo de forma preocupante, especialmente entre homens gays, bissexuais e pessoas trans. “Sífilis, gonorreia, clamídia e herpes genital são ISTs comuns e muitas vezes subdiagnosticadas nessa população por falta de acesso a serviços acolhedores e de testagens específicas”, diz Renata. O HPV também merece atenção, pois pode causar verrugas genitais e aumentar o risco de câncer anal, cervical e orofaríngeo, especialmente em pessoas que praticam sexo anal receptivo. “É importante lembrar que hepatites B e C, por exemplo, podem evoluir de forma silenciosa e causar complicações graves no fígado. São doenças que ainda têm pouca visibilidade nas campanhas de prevenção”, reforça Maria Carolina. Prevenção e cuidado contínuo Exames regulares para ISTs, como HIV, sífilis, hepatites B e C, gonorreia e clamídia, são fundamentais. Quem faz sexo anal receptivo deve realizar rastreamento de câncer anal. Pessoas trans precisam de acompanhamento específico, como papanicolau (em homens trans) e avaliação da próstata (em mulheres trans). Para quem usa hormônios, exames hormonais e metabólicos ajudam a monitorar possíveis efeitos colaterais. A vacinação deve incluir HPV, hepatites A e B, gripe, tétano, meningite e outras vacinas de campanha. Métodos como PrEP, PEP e o uso correto de preservativos também são parte essencial da prevenção. Falta de acolhimento impacta o cuidado A ausência de um ambiente acolhedor nos serviços de saúde continua sendo uma das principais barreiras para o cuidado integral da população LGBTQIAPN+. “Muitos deixam de procurar atendimento por medo de preconceito ou humilhação. Isso atrasa diagnósticos importantes e favorece a evolução de doenças que poderiam ser tratadas precocemente”, destaca Renata. Maria Carolina reforça também que a formação dos profissionais ainda é falha. “Há pouco preparo para lidar com a diversidade de corpos, identidades e histórias dessa população. Pessoas trans, por exemplo, muitas vezes abandonam tratamentos hormonais ou evitam exames por se sentirem constrangidas”, diz. Além disso, o cuidado com a saúde dessa população deve ir além da prevenção de infecções e incluir acompanhamento psicológico, apoio durante o processo de transição de gênero e um espaço livre de julgamento para falar sobre sexualidade, identidade e bem-estar. “Precisamos olhar esse paciente como um todo. Saúde mental, prevenção, endocrinologia, sexualidade. Tudo precisa ser integrado e respeitoso”, finaliza Maria Carolina. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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