Estudo da USP revela alta taxa de toxinas fúngicas em arroz e farinha Ouvir 18 de julho de 2024 Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisou amostras de farinha e de arroz armazenadas em residências de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e constatou a presença de altas quantidades de micotoxinas. A pesquisa contou com apoio da FAPESP e foi publicada em março na revista Food Research International. No artigo, os autores explicam que a exposição a micotoxinas pela alimentação pode provocar diversos prejuízos para a saúde, principalmente aos jovens. Os resultados reforçam a importância de armazenar alimentos como grãos e farinhas em locais secos e protegidos de insetos para evitar o risco de contaminação. “Todos os microrganismos, incluindo os fungos, necessitam do chamado ‘binômio temperatura e tempo’ para se desenvolver em um substrato. Portanto, quanto mais tempo um alimento contendo fungos toxigênicos ficar armazenado em condições inadequadas — por exemplo, exposto ao ambiente, desprotegido, em local quente e úmido –, maior a probabilidade de haver altas concentrações de micotoxinas”, afirma à agência FAPESP Carlos Augusto Fernandes de Oliveira, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP) e coordenador do estudo. O pesquisador explica que existem mais de 400 toxinas produzidas por fungos como forma de defesa ou interação com outros organismos. “Seis dessas substâncias, que chamamos de ‘meninas superpoderosas’, requerem mais atenção por serem carcinogênicas, imunossupressoras ou por atuarem como disruptores endócrinos (causarem alteração no equilíbrio hormonal do organismo). É algo que demanda muita atenção pelos seus efeitos prejudiciais à saúde”, destaca. Leia também Saúde Dá para salvar? Especialista diz quando não retirar o mofo e comer Saúde Posso? Veja alimentos seguros para comer após retirar o mofo Saúde Agrotóxicos em alimentos: veja como evitar riscos de contaminação Gastronomia Contaminação cruzada de alimentos: o que é e como evitar na cozinha? Toxinas encontradas As amostras constataram a presença de seis toxinas: aflatoxinas (AFs), fumonisinas (FBs), zearalenona (ZEN), toxina T-2, desoxinivalenol (DON) e ocratoxina A (OTA). As micotoxinas FBs, ZEN e DON apresentaram taxas acima do limite de tolerância estabelecido pelos órgãos de saúde. O estudo foi o primeiro no Brasil a usar biomarcadores para caracterizar o risco associado às micotoxinas na dieta de crianças e adolescentes. A aflatoxina B1, descoberta na década de 1960, segundo o professor, é o mais potente carcinógeno natural conhecido. A substância lesa o DNA dos animais, provocando mutações genéticas que podem levar ao desenvolvimento de câncer hepático. Além disso, ela causa outros efeitos como imunossupressão, problemas reprodutivos e teratogênese, quando uma gestante ou uma pessoa que está amamentando transfere as toxinas para a criança. “Não existe nenhuma substância conhecida pelo homem na natureza que tenha o poder cancerígeno dessa micotoxina, só raras exceções criadas em laboratório, como, por exemplo, dioxinas”, conta o pesquisador. Ja o desoxinivalenol, também encontrado nas amostras, pode reduzir a imunidade de pessoas contaminadas. Segundo o professor, ela causa efeito no sistema gastrointestinal. Em animais, a toxina gera tanta irritação que provoca regurgitação. A fumonisina B1 é considerada um possível carcinógeno humano, e pode causar câncer esofágico e problemas no fígado, assim como a ocratoxina A, que também tem potencial cancerígeno. A zearalenona, encontrada em níveis altos nos alimentos analisados, tem uma estrutura igual à do estrogênio e pode causar problemas de excesso do hormônio feminino no corpo. “São toxinas com repercussões pesadas. Diferentemente do chumbo ou de outros contaminantes químicos, como o bisfenol (encontrado em alguns materiais plásticos), essas micotoxinas não são cumulativas. No entanto, elas têm efeito progressivo. Isso quer dizer, por exemplo, que, com a exposição a moléculas de B1, em algum momento não será mais possível reparar o DNA que foi lesado pela micotoxina. É a partir daí que pode surgir o câncer. Por isso a nossa preocupação com crianças e adolescentes, que tendem a ser mais sensíveis a toxinas em geral”, afirma. As 230 amostras de alimentos analisadas estavam disponíveis para consumo nos domicílios de 67 crianças, incluindo 21 pré-escolares (3 a 6 anos), 15 escolares (7 a 10 anos) e 31 adolescentes (11 a 17 anos). Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Whey falsificado: saiba efeitos colaterais do suplemento pirata 16 de fevereiro de 2024 O whey protein é um suplemento proteico muito usado por pessoas que estão em busca de aumentar a massa muscular. E, como tudo que faz sucesso, o produto também passou a ser objeto de falsificações. As versões piratas de whey costumam misturar amido e maisena ao pó concentrado de proteínas…. Read More
Notícias Retatrutida nem foi lançada, mas remédio falso já engana consumidores 21 de dezembro de 2025 A retatrutida é uma molécula ainda em fase de estudos para o tratamento da obesidade e de distúrbios metabólicos. A substância acumula resultados científicos impressionantes, que associam seu uso à perda de mais de 28% do peso corporal, o que chamou a atenção não só da comunidade científica, como também… Read More
Notícias “Tirei a próstata e ainda assim tive recidiva do câncer”, diz paciente 19 de novembro de 2023 Quem vê Artur Cezar Benvento hoje em dia, aos 54 anos, não imagina a dura luta que ele enfrentou contra o câncer de próstata entre 2019 e 2021. O empresário chegou a fazer uma cirurgia para retirar toda a glândula e ainda assim enfrentou uma recidiva que o obrigou a… Read More