Estudo mostra por que mulheres aparentemente saudáveis sofrem infartos Ouvir 3 de setembro de 2025 O infarto e o derrame não atingem apenas pessoas com pressão alta, colesterol elevado, diabetes ou histórico de tabagismo. Estudos mostram que até metade dos casos ocorre em indivíduos considerados saudáveis, sem os chamados fatores de risco tradicionais. Entre as mulheres, esse cenário é ainda mais preocupante, já que muitas vezes elas são subdiagnosticadas e deixam de receber acompanhamento preventivo adequado. Um trabalho conduzido pelo Mass General Brigham, nos Estados Unidos, com base em dados do Women’s Health Study, buscou entender esse enigma. A pesquisa acompanhou 12.530 mulheres inicialmente saudáveis, sem fatores de risco convencionais, ao longo de três décadas. Durante esse período, quase mil participantes tiveram eventos cardiovasculares, como infarto ou derrame. Os resultados foram publicados no The European Heart Journal na última sexta-feira (29/8). Leia também Saúde Medicamento comum para coração falha em proteger pacientes pós-infarto Saúde Estudo brasileiro confirma que remédio comum reduz riscos pós-infarto Saúde Vacina contra herpes-zóster reduz risco de AVC e infarto, diz estudo Saúde Uso de anabolizantes altera colesterol e aumenta risco de infarto A importância de olhar além dos fatores clássicos O estudo mostrou que mulheres com níveis elevados de proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us), um marcador inflamatório específico, apresentaram risco até 77% maior de desenvolver doenças coronárias e 39% maior de sofrer acidente vascular cerebral (AVC), mesmo sem os fatores clássicos de risco. Outro ponto relevante é que a inflamação silenciosa pode passar despercebida nos exames de rotina. Hoje, a avaliação desse marcador ainda não faz parte do rastreamento tradicional em muitos países, embora já seja adotada em protocolos europeus. Segundo Paul Ridker, cardiologista do Instituto Cardíaco e Vascular do hospital, o achado ajuda a explicar parte das ocorrências inesperadas. Para ele, é fundamental que a atenção comece mais cedo. “Mulheres aparentemente saudáveis que apresentam inflamação correm risco substancial ao longo da vida. Precisamos identificá-las por volta dos 40 anos, quando ainda é possível iniciar medidas preventivas eficazes, e não apenas na faixa dos 70, quando muitas vezes é tarde”, afirmou o autor da pesquisa, em comunicado. Tratamento reduz risco de infarto Os pesquisadores também analisaram dados de ensaios clínicos e observaram que pacientes sem fatores de risco convencionais, mas com sinais de inflamação, conseguiram reduzir em até 38% a chance de eventos cardiovasculares quando tratados com estatinas. Para Ridker, isso reforça que, além de mudanças de estilo de vida, a terapia medicamentosa pode ter papel importante na proteção desse grupo. O especialista destaca ainda que a prevenção precisa evoluir. “Reconhecer que o coração das mulheres pode estar em risco mesmo sem os sinais clássicos é essencial para reduzir mortes precoces e melhorar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento”, finaliza. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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