Estudo revela que casos de AVC aumentaram 70% em 30 anos Ouvir 19 de setembro de 2024 Apesar de ser uma condição amplamente prevenível e tratável, o número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) aumentou 70% no mundo entre 1990 e 2021, de acordo com um estudo publicado nessa quarta-feira (18/9) na revista The Lancet Neurology. O levantamento também revelou um crescimento de 44% nas mortes por AVC, além de um aumento de 32% na piora da saúde relacionada à doença. Os pesquisadores destacaram ainda que as altas temperaturas ambientais têm um impacto significativo nessa piora, contribuindo para um aumento de 72% nas mortes prematuras associadas ao AVC desde 1990. Em 2021, o AVC foi responsável por 7,3 milhões de mortes, tornando-se a terceira principal causa de óbitos globais, ficando atrás apenas da doença arterial coronariana e da Covid-19, de acordo com os dados apresentados. Leia também Saúde Altas temperaturas aumentarão mortes por infarto e AVC, aponta estudo Saúde Mortes por AVC devem aumentar até 47% em 2050, aponta estudo Saúde Alta ingestão de açúcar pode aumentar risco de AVC, afirma estudo Saúde Risco de AVC pode estar associado à endometriose, sugere estudo Relação com a poluição do ar Pela primeira vez, um estudo revelou que a poluição do ar, especificamente por partículas, tem um impacto significativo nas mortes por hemorragia cerebral (hemorragia subaracnoidea), sendo responsável por 16,6% dos óbitos e incapacidades desse tipo de AVC hemorrágico, um índice comparável ao do tabagismo. Além da poluição do ar e das altas temperaturas, fatores de risco metabólicos também estão impulsionando o aumento global dos casos. A hipertensão arterial se destacou como o maior fator de risco para todos os tipos de AVC, sendo responsável por 56,8% dos casos. A poluição por partículas foi o segundo maior fator, seguida pelo tabagismo (13,8%) e colesterol alto (13%). Esses números também são impulsionados pelo crescimento da população e pelo aumento da expectativa de vida no mundo. Os dados fazem parte da análise do estudo Global Burden of Disease (GBD), que avalia o impacto de doenças, lesões e fatores de risco na saúde global. Os resultados serão apresentados em outubro no Congresso Mundial de AVC, em Abu Dhabi, onde os pesquisadores apresentarão estimativas detalhadas sobre os impactos. Os pesquisadores também analisaram dados sobre a incidência, prevalência, mortalidade e anos de vida saudáveis perdidos (DALY, da sigla em inglês para “disability-adjusted life-year”) por conta do AVC em 204 países e territórios, de 1990 a 2021. A análise incluiu diferentes tipos de AVC: o isquêmico, a hemorragia intracerebral e a hemorragia subaracnoidea, que é um subtipo hemorrágico. Entre 1990 e 2021, houve um aumento de 32% na carga global de incapacidades, doenças e mortes precoces relacionadas ao AVC, passando de 121,4 milhões de anos de vida saudável perdidos em 1990 para 160,5 milhões em 2021. O estudo identificou aumentos significativos nos DALYs relacionados a fatores como obesidade, temperaturas elevadas, altos níveis de glicose, consumo excessivo de bebidas açucaradas, baixa atividade física, hipertensão, exposição ao chumbo e dietas pobres em ácidos graxos ômega-6. AVC pode ser evitado A pesquisa avaliou o impacto de 23 fatores de risco e os agrupou em seis grandes categorias: poluição do ar, tabagismo, comportamentais, dietéticos, ambientais e metabólicos, tanto em nível global quanto regional. De acordo com os resultados, o AVC é amplamente evitável. Em 2021, 84% dos casos foram associados a fatores modificáveis, como excesso de peso, hipertensão, sedentarismo, tabagismo e poluição. Esses fatores destacam o AVC como um desafio global de saúde pública. Os autores reforçam a necessidade urgente de ações eficazes de prevenção e vigilância do AVC, com foco no controle da pressão arterial, melhoria dos hábitos de vida e redução dos fatores ambientais, para diminuir o impacto global dessa doença. “É essencial adotar estratégias mais abrangentes de prevenção de AVC, com ênfase em ações populacionais, como a transferência de tarefas de médicos para enfermeiros e agentes de saúde, além do uso ampliado de plataformas móveis e telessaúde baseadas em evidências”, afirmou o professor Valery L. Feigin, da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia em comunicado. Ele também ressaltou a importância de soluções pragmáticas para suprir lacunas nos serviços de AVC, capacitar a força de trabalho e fortalecer os sistemas de vigilância epidemiológica, com uma implementação urgente em todos os países. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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