Estudo sugere que cérebro tem pico de envelhecimento em três idades Ouvir 12 de dezembro de 2024 Un estudo publicado no periódico Nature Aging mostra que o envelhecimento do cérebro pode ocorrer em ondas, com picos aos 57, 70 e 78 anos. Essas fases seriam marcadas por alterações em 13 proteínas presentes no sangue que podem estar ligadas ao envelhecimento cerebral e, futuramente, ser alvo de tratamentos para doenças como demência e derrame. A pesquisa envolveu exames de ressonância magnética de quase 11 mil pessoas entre 45 e 82 anos. Utilizando inteligência artificial, os cientistas analisaram características como o volume cerebral e a área de superfície para estimar a “diferença de idade cerebral” de cada participante. Esse termo descreve o quanto o cérebro de uma pessoa aparenta ser mais jovem ou mais velho do que sua idade cronológica. Leia também Saúde 10 cuidados com a saúde que toda pessoa idosa deveria ter Brasil 38% dos brasileiros serão velhos em 2070. Brasil está se preparando? Vida & Estilo Suco detox ativa o colágeno e suaviza sinais do envelhecimento; veja Saúde 8 indicadores de que você está envelhecendo de maneira saudável Em seguida, foram avaliadas amostras de sangue de quase 5 mil participantes para medir a concentração de cerca de 3 mil proteínas diferentes. Os pesquisadores partiram da premissa de que o sangue conecta o cérebro ao restante do corpo, de forma que mudanças em suas proteínas podem refletir alterações no cérebro. Os resultados mostraram que 13 proteínas apresentaram associação significativa com a idade biológica do cérebro. Algumas, relacionadas ao estresse celular e à inflamação, tiveram suas concentrações aumentadas conforme o cérebro envelhecia. Outras, como aquelas envolvidas na regeneração celular e na manutenção das funções cerebrais, diminuíram com o tempo. Uma das proteínas de maior destaque foi a brevican, fundamental para a comunicação entre os neurônios. Os níveis dessa substância caem com o envelhecimento cerebral e foram fortemente associados a condições como demência e derrame. Os pesquisadores sugerem que a brevican pode servir como um marcador para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, abrindo caminhos para novas formas de diagnóstico e tratamento. Envelhecimento em ondas O estudo também revelou que mudanças nas concentrações dessas proteínas no sangue não acontecem de forma contínua, mas parecem atingir picos em idades específicas: 57, 70 e 78 anos. O dado sugere que o envelhecimento cerebral pode ocorrer em ondas, o que seria um marco importante para direcionar futuras intervenções antienvelhecimento. Apesar dessas descobertas promissoras, especialistas pedem cautela ao interpretar os resultados. “Essas ondas de envelhecimento cerebral vão contra o que sabemos sobre o envelhecimento, que é caracterizado por um declínio gradual e constante”, comentou Mark Mattson, professor adjunto de neurociência na Faculdade de Medicina Johns Hopkins. Mattson também destacou que, embora a relação entre as proteínas no sangue e o envelhecimento cerebral seja interessante, ainda não está claro como isso pode ser usado para diagnósticos ou tratamentos específicos. Limitações do estudo Além disso, os próprios autores reconhecem limitações no estudo. A análise foi feita principalmente com pessoas mais velhas e de ascendência europeia, o que pode limitar a aplicação dos resultados em outras populações. Ainda não se sabe ao certo onde essas proteínas do sangue se originam e como elas se comportam ao longo de toda a vida. O estudo, embora preliminar, oferece novas pistas sobre os processos de envelhecimento cerebral e destaca a importância de entender as conexões entre o sangue e o cérebro. Mais pesquisas serão necessárias para confirmar essas descobertas e explorar como elas podem beneficiar a saúde no futuro. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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