Gordura de óleo comum pode acelerar câncer de mama agressivo Ouvir 22 de abril de 2025 Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode explicar a ligação entre a dieta e o crescimento de tumores agressivos de mama. O responsável seria o ácido linoleico, gordura encontrada em óleos vegetais amplamente consumidos no Brasil, como o de soja e o de cártamo. O estudo, conduzido por cientistas da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, e publicado na revista Science em 14 de março, mostrou que essa gordura do tipo ômega-6 pode ativar uma via de crescimento celular envolvida no câncer de mama triplo negativo — um dos tipos mais difíceis de tratar, por não responder a hormonioterapia nem a medicamentos específicos. Como a gordura influencia o tumor? Em experimentos com células e com camundongos, os pesquisadores observaram que o ácido linoleico ativa uma proteína chamada mTORC1, essencial para o crescimento e proliferação celular. Mas isso só ocorreu em tumores triplo negativos. A explicação está na presença de uma outra proteína, a FABP5, encontrada em maior quantidade nesse subtipo de câncer. Ela atua como uma espécie de “ponte” entre o ácido linoleico e a ativação da via mTORC1, promovendo um ambiente mais favorável ao avanço da doença. Leia também Saúde Qual é o melhor óleo na hora de cozinhar? Nutricionistas explicam Saúde Óleo vegetal ou banha de porco: qual é o melhor para cozinhar? Saúde Câncer de mama: entenda mais sobre a doença Saúde Pesquisadores propõem mudança radical no tratamento do câncer de mama Animais com câncer de mama triplo negativo alimentados com dietas ricas em ácido linoleico apresentaram níveis mais altos de FABP5, maior atividade da mTORC1 e tumores de crescimento acelerado. Implicações para a alimentação e o tratamento Além de confirmar a ação direta dessa gordura no crescimento do tumor, os cientistas encontraram níveis elevados de FABP5 e de ácido linoleico no sangue de pacientes recém-diagnosticadas com câncer de mama triplo negativo. Isso indica que a proteína pode funcionar como um biomarcador, capaz de orientar tanto tratamentos quanto recomendações nutricionais mais personalizadas. “Nosso estudo mostra como um nutriente da dieta pode impactar diretamente o crescimento do câncer, e oferece pistas de como adaptar a alimentação de acordo com o tipo de tumor”, afirmou o autor sênior da pesquisa, John Blenis, em comunicado. Efeitos além do câncer de mama Embora o foco da pesquisa tenha sido o câncer de mama, os autores destacam que a mesma via de sinalização ativada pela FABP5 pode estar envolvida em outros tumores agressivos, como alguns tipos de câncer de próstata. Os achados também levantam questões sobre o papel do ácido linoleico em doenças crônicas como obesidade e diabetes, já que o mTORC1 regula funções metabólicas amplas no organismo. O que isso significa na prática? Embora não se trate de uma recomendação para cortar completamente esses alimentos, o estudo levanta a possibilidade de que, em alguns casos, especialmente em pacientes com câncer triplo negativo, o consumo excessivo dessas gorduras possa ser prejudicial. Para os cientistas, o próximo passo é investigar se a redução do ácido linoleico na dieta pode impactar positivamente o tratamento e a progressão do câncer. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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