Gordura no fígado: endocrinologista conta se jejum intermitente ajuda Ouvir 16 de dezembro de 2025 O jejum intermitente ganhou popularidade como estratégia para emagrecimento e melhora de parâmetros metabólicos. Diante do avanço da esteatose hepática, condição que evolui de forma silenciosa, cresce a dúvida se esse padrão alimentar também pode ter impacto direto na redução da gordura no fígado. A esteatose hepática ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado e hoje é considerado um dos problemas hepáticos mais frequentes. O que é gordura no fígado? Popularmente chamada de gordura no fígado, a esteatose hepática acontece quando as células do órgão acumulam gordura em excesso. Nos estágios iniciais, a condição costuma ser silenciosa e não apresenta sintomas evidentes. À medida que progride, porém, podem surgir dores abdominais na parte superior direita do abdômen, cansaço, fraqueza, perda de apetite, aumento do fígado, inchaço na barriga, dor de cabeça frequente e dificuldade para perder peso. As principais causas estão relacionadas à obesidade, à diabetes, ao colesterol alto e ao consumo excessivo de álcool. A doença é mais comum em mulheres sedentárias, já que o hormônio estrogênio favorece o acúmulo de gordura no fígado. Ainda assim, pessoas magras, que não bebem, e até crianças também podem desenvolver a condição. Para o endocrinologista Ricardo Barroso, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em São Paulo (SBEM-SP), o jejum intermitente pode ser uma estratégia válida quando o paciente se adapta bem. Existem mecanismos fisiológicos que ajudam a explicar por que o método pode favorecer o fígado em alguns casos. “Há melhora da resistência à insulina, redução de mediadores inflamatórios e maior consumo de gordura pelo próprio fígado, o que pode contribuir para a diminuição da gordura hepática”, explica. Ainda assim, o médico pondera que esses efeitos precisam ser analisados com cuidado. “Quando corrigimos os resultados para perdas de peso equivalentes, o jejum não se mostra claramente superior às abordagens dietéticas convencionais”, afirma Barroso. A nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN), reforça que o ponto central está menos no jejum em si e mais no resultado metabólico que ele gera. “As evidências científicas indicam que a melhora da gordura no fígado está relacionada principalmente à perda de peso e à redução do consumo calórico ao longo do tempo”, afirma. Segundo ela, quando o jejum leva a um emagrecimento sustentável, há melhora da gordura hepática e de exames como as enzimas do fígado. “Mas, quando comparado a outras estratégias bem conduzidas de restrição calórica, os resultados costumam ser semelhantes. O benefício está muito mais ligado ao balanço energético negativo do que ao ato de jejuar”, explica. Segundo Caroline, quando o jejum resulta em perda de peso sustentável, a gordura no fígado melhora, assim como os níveis das enzimas hepáticas. “No entanto, os resultados são geralmente semelhantes aos de outras estratégias de restrição calórica bem feitas. O importante, na verdade, é o déficit calórico, e não o jejum em si”, explica. 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Durante os períodos de jejum, o organismo tende a utilizar mais gordura como fonte de energia, o que pode contribuir para reduzir os estoques, desde que exista um déficit calórico real. “Em alguns casos, organizar os horários das refeições também ajuda a reduzir lanches noturnos e o consumo excessivo de ultraprocessados”, acrescenta. Nem todos podem adotar a estratégia Apesar dos possíveis benefícios, os especialistas alertam que o jejum intermitente não é seguro para todos os pacientes com gordura no fígado. Caroline ressalta que a estratégia precisa ser avaliada de forma individualizada. “Pessoas com diabetes que usam insulina ou determinados medicamentos; gestantes e lactantes; adolescentes; idosos frágeis; indivíduos com baixo peso, sarcopenia ou risco de desnutrição, além de quem tem histórico de transtornos alimentares, devem evitar ou só utilizar a estratégia com acompanhamento rigoroso”, destaca. O endocrinologista Ricardo Barroso acrescenta que, em estágios mais avançados da doença hepática, especialmente quando há progressão para cirrose, o jejum pode trazer riscos. “Nesses casos, existe a possibilidade de piorar a sarcopenia, a desnutrição e a perda de massa muscular, o que torna essa abordagem inadequada”, ressalta o médico. Notícias
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