Leishmaniose: Fiocruz descobre molécula que pode melhorar tratamento Ouvir 11 de agosto de 2025 Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições nacionais e internacionais, descobriram um novo composto químico que pode ajudar a tratar leishmanioses, especialmente as que desenvolveram resistência ao tratamento padrão ao longo das últimas décadas. Os cientistas desenvolveram o SbVT4MPP, um composto de porfirina com alterações capazes de tornar os protozoários causadores da doença sensíveis novamente ao tratamento. A porfirina é usada há 78 anos sem grandes modificações. O que são as leishmanioses? As leishmanioses são causadas por protozoários do gênero Leishmania e transmitidas pela picada da fêmea do mosquito-palha para vários mamíferos, incluindo os humanos. Existem dois tipos principais: tegumentar, que atinge pele e mucosas, e visceral, que afeta órgãos internos como fígado e baço. A leishmaniose visceral causa febre prolongada, aumento do fígado e baço, perda de peso, anemia e fraqueza muscular. Costuma ser a forma mais grave da doença. A leishmaniose tegumentar provoca feridas na pele e mucosas, que crescem com o tempo e podem causar deformidades. O cão é o principal reservatório urbano da leishmaniose visceral, podendo transmitir o parasita ao mosquito-palha. O tratamento das leishmanioses é gratuito pelo SUS, mas não elimina totalmente o parasita do organismo. Eles controlam sua presença e multiplicações. Nos cães, o Ministério da Saúde recomenda a eutanásia de animais infectados como medida de controle, já que o tratamento não impede a transmissão. A descoberta foi publicada na edição de junho da revista Biomedicine & Pharmacotherapy. Nos testes em laboratório, o SbVT4MPP foi até 170 vezes mais potente que medicamentos convencionais, agindo em baixas concentrações e com alta especificidade. O estudo revelou que a molécula bloqueia a produção de ergosterol, essencial para a formação da membrana celular do parasita. O alvo dessa ação, a enzima 24-SMT, não está presente em células de mamíferos, o que reduz os efeitos adversos, já que ela não atinge as células dos animais e pessoas afetadas pela doença. O composto foi testado em camundongos infectados com Leishmania donovani, uma das causas da leishmaniose visceral. O tratamento reduziu em 96% a carga parasitária no fígado dos animais. Leia também Distrito Federal Leishmaniose “controlada” impediu eutanásia de cadela do DF. Entenda São Paulo Magreza e leishmaniose: cachorros são resgatados no interior de SP É o bicho! Leishmaniose: tudo o que você precisa saber para proteger seu pet Brasil Retomada da vacina contra leishmaniose visceral canina é uma incógnita Tratamento afetou a formação da membrana celular dos parasitas e matou mais de 96% deles nos testes em camundongos Doença negligenciada Para o pesquisador Rubens Lima do Monte Neto, novas abordagens terapêuticas são essenciais diante da ausência de medicamentos atualizados. A doença é negligenciada por afetar principalmente populações em situação de vulnerabilidade. “Não há um medicamento novo disponível há muitos anos. A leishmaniose vive no que chamamos de ‘vale da morte’ no desenvolvimento de fármacos. Existem alguns candidatos promissores em fase clínica, mas nenhum chegou ao mercado até agora. Essas iniciativas precisam de investimentos para avançar, inclusive a nossa. Muitas pesquisas ainda serão necessárias até chegar na fase clínica, que é quando ocorrem testes em seres humanos”, explica Rubens. As leishmanioses são doenças negligenciadas transmitidas por flebotomíneos. O tratamento da leishmaniose visceral está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas os medicamentos atuais não eliminam totalmente o parasita. Além dos pesquisadores da Fiocruz, o trabalho contou com a participação de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Paris-Saclay (França) e Universidade de Montréal (Canadá). Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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