Ozempic funciona menos para perfil específico de pessoa. Saiba qual Ouvir 20 de setembro de 2025 Você é daqueles que desconta os dias ruins em um pote de sorvete? Esta vontade de comer mesmo sem fome por conta das emoções tem raízes psicológicas tão fortes que pode atrapalhar até tratamentos contra a obesidade realizados com Ozempic e Wegovy. Pesquisadores japoneses observaram que medicamentos populares para diabetes e perda de peso, os agonistas do receptor de GLP-1, apresentam respostas diferentes conforme os hábitos alimentares dos pacientes. A pesquisa foi publicada na revista Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare na terça-feira (16/9). Leia também Negócios Caneta emagrecedora: fabricante do Ozempic demite 9 mil funcionários Saúde Justiça suspende prorrogação da patente de caneta emagrecedora Saúde Brasileiro pesquisa mais sobre caneta emagrecedora que dieta no Google Distrito Federal Receita apreende R$ 500 mil em canetas emagrecedoras no Aeroporto JK A equipe acompanhou 92 pessoas com diabetes tipo 2 durante o primeiro ano de uso da semaglutida (princípio do Ozempic) ou da liraglutida (do Saxenda). Os pesquisadores coletaram dados sobre peso, dieta, glicemia e colesterol, além de informações sobre o comportamento dos participantes relacionado à comida em três momentos distintos. Os voluntários foram divididos em três grupos: alimentação emocional, quando o indivíduo come em resposta a sentimentos negativos; alimentação externa, ligada a estímulos visuais ou olfativos; e alimentação comedida, com tendência a respeitar a dieta. Caneta emagrecedora funcionou, mas foi menos Todos os pacientes tiveram redução de peso e melhora em marcadores de saúde. Os medicamentos também contribuíram para as quedas nos níveis de colesterol e na hemoglobina glicada, que mede a glicose no sangue. No entanto, a intensidade dos resultados variou. Aqueles que relataram episódios de alimentação emocional responderam menos ao tratamento, perdendo menos peso e tendo índices levemente mais baixos de modo geral a longo prazo. Neste caso, eles tiveram uma eficácia até 30% inferior à observada nos demais participantes, embora em todos os casos tenham tido melhoras em relação ao estado inicial. A investigação mostrou que a alimentação emocional ficou controlada nos primeiros meses, mas voltou aos níveis iniciais de apelo emocional após um ano. 8 imagensFechar modal.1 de 8 O Ozempic foi aprovado para o tratamento de diabetes tipo 2 em janeiro de 2019 no Brasil Getty Images2 de 8 O Ozempic é um medicamento para controlar a diabetes, mas leva também à perda de peso. Uma dose mais alta do mesmo principio ativo, esta sim vendida para combater a obesidade, é vendida sobre o nome de Wegovy Shutterstock3 de 8 A perda de peso é um efeito colateral das medicações Reprodução4 de 8 O Ozempic é um remédio usado de forma “off label” para perda de peso Getty Images5 de 8 Os efeitos colaterais decorrentes da semaglutida e de outras canetas emagrecedoras incluem náuseas, vômitos, constipação e diarreia Getty Images6 de 8 O Wegovy, no geral, não interage tanto com outros medicamentos que já fazem parte da rotina de algumas pessoas Getty Images7 de 8 Experts revelam se Ozempic pode realmente mudar a aparência da pele Getty Images8 de 8 Remédios com semaglutida, como Ozempic e Wegovy, são usados para o tratamento de sobrepeso e obesidade Getty Images Fatores emocionais influenciaram tratamento A pesquisa indica que após certo tempo usando o remédio, os padrões alimentares tendem a voltar ao que eram, especialmente na fome emocional. “Uma possível explicação é que a alimentação emocional é mais fortemente influenciada por fatores psicológicos que podem não ser diretamente abordados pela terapia com agonistas do receptor GLP-1”, explica o médico Takehiro Kato, da Universidade de Gifu, coautor do artigo. Os cientistas destacaram que os medicamentos agem reduzindo o apetite, aumentando a secreção de insulina e ajudando no controle da glicose. Mas fatores emocionais, não ligados à fome fisiológica, podem reduzir o impacto das medicações. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a avaliação de padrões alimentares pode auxiliar médicos a personalizar estratégias de tratamento com esses fármacos. Esse tipo de triagem poderia, no futuro, direcionar pacientes a abordagens complementares. “Embora nosso estudo sugira uma possível associação entre comportamento alimentar externo e resposta ao tratamento com agonistas do receptor de GLP-1, esses achados ainda são preliminares”, completa Kato. Ele ressaltou, porém, que dada a pequena amostra de voluntários, ainda há necessidade de novos ensaios clínicos para consolidar os resultados encontrados. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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