Pelo menos 20 vacinas contra gripe aviária têm uso aprovado no mundo Ouvir 27 de maio de 2025 Vinte vacinas contra o vírus da gripe aviária já foram aprovadas para uso em humanos em diferentes partes do mundo, segundo relatório publicado na revista científica The Lancet. Os imunizantes estão armazenados para uso estratégico em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Japão, China, França, Bélgica, Finlândia, Austrália e membros da União Europeia. Até setembro de 2024, apenas a Finlândia havia iniciado um programa de vacinação contra o H5N1 voltado a grupos de risco. Entenda o que é a gripe aviária Também conhecida como influenza aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves silvestres e domésticas, mas também pode acometer humanos com baixo risco. Entre os principais sintomas apresentados nas aves estão dificuldade respiratória, secreção nasal ou ocular, espirros, incoordenação motora, torcicolo, diarreia e alta mortalidade. Todas as suspeitas de gripe aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves, devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura por meio da Inspetoria de Defesa Agropecuária. De acordo com o estudo, os imunizantes têm perfil de segurança considerado favorável. Os dados clínicos envolvem ao menos 32 mil pessoas. As reações adversas mais comuns foram leves ou moderadas, semelhantes às observadas com vacinas sazonais: dor no local da aplicação, fadiga e dor de cabeça. As crianças apresentaram maior frequência de reações sistêmicas. No entanto, a segurança em gestantes, lactantes e pessoas com comorbidades ainda não foi bem estabelecida. Leia também Brasil Brasil tem 1º caso de gripe aviária em granja comercial, diz governo Saúde Gripe aviária: entenda se há risco de consumir carne e ovos no Brasil Negócios Brasil investiga 18 casos suspeitos de gripe aviária, diz governo Brasil Gripe aviária: veja países com embargos à carne de frango brasileira Para Paulo Ernesto Gewehr, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no Rio Grande do Sul, essa lacuna pode dificultar uma resposta mais ampla no início de uma eventual pandemia. “A falta de dados em grupos como gestantes e pessoas com doenças pré-existentes pode limitar o uso dessas vacinas em um primeiro momento”, afirma. Ele defende a aceleração dos estudos com esses públicos e o desenvolvimento de estratégias específicas de imunização. Como funcionam as vacinas? Os imunizantes utilizam duas plataformas principais: vírus inativado, produzido com ovos de galinha, e vírus vivo atenuado, fabricado a partir de culturas de células. A maioria das vacinas inclui adjuvantes — substâncias que intensificam a resposta imunológica e reduzem a quantidade de antígenos necessários. Segundo Gewehr, os adjuvantes permitem que uma dose menor da vacina seja suficiente para gerar proteção, o que traz ganhos logísticos. “Eles reduzem a quantidade necessária de antígeno e isso facilita e acelera a produção em larga escala, algo essencial durante emergências de saúde pública, quando há alta demanda mundial por vacinas”, diz o especialista. Todas as vacinas licenciadas seguem um esquema de duas doses, mas dez delas contam com uma dose de reforço para alguns grupos. Os imunizantes induziram respostas imunológicas adequadas em todas as faixas etárias testadas e algumas demonstraram eficácia contra variantes como o clado 2.3.4.4b, detectado em aves e bovinos desde 2024. 3 imagensFechar modal.1 de 3 Gripe aviária em Tocantins: “situação está sob controle”, diz Adapec Getty Images2 de 3 Confira o que mudou na rotina das granjas baianas após a gripe aviária Getty Images3 de 3 Gripe aviária pode atingir aves domésticas como galinhas Divulgação Brasil tem vacina candidata aguardando testes em humanos O Instituto Butantan desenvolveu uma vacina monovalente contra o vírus H5N8, considerada uma variante de alta patogenicidade. O imunizante aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para início dos testes clínicos em humanos, que devem avaliar sua segurança e capacidade de gerar anticorpos. Segundo Esper Kallás, diretor do Butantan, a proposta é ter uma estratégia de prontidão. “Não só estamos trabalhando nessa vacina candidata, como também estamos desenvolvendo uma rota tecnológica que pode ser trilhada caso o vírus mude”, explicou em comunicado. O instituto também mantém um lote reserva da vacina, que poderá ser usado em um cenário emergencial. A proposta está respaldada por uma resolução da Anvisa sobre vacinas pré-pandêmicas de influenza. É o primeiro pedido de registro feito com base nesse novo regulamento. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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