Planos de saúde atenderão pacientes do SUS a partir de agosto; entenda Ouvir 29 de julho de 2025 A partir de agosto, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão receber atendimento em unidades de saúde particular, como se fossem usuários de planos de saúde. A mudança é resultado da conversão de dívidas das operadoras com o SUS em serviços médicos especializados. Neste primeiro momento, cerca de R$ 750 milhões devidos por planos de saúde serão usados para custear consultas, exames e cirurgias em áreas prioritárias de atendimentos com especialistas. A medida integra o programa Agora Tem Especialistas, lançado para reduzir filas na rede pública. Leia também Brasil Atendimento do SUS na rede privada começa em agosto, anuncia governo São Paulo Deputada quer multar quem buscar atendimento para bebê reborn no SUS Brasil Veja como funcionará atendimento do SUS na rede privada Saúde SUS terá atendimento odontológico gratuito a vítimas de violência Especialidades e critérios de adesão Inicialmente, as operadoras poderão atender demandas em oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia. A oferta de serviços dependerá das necessidades de estados e municípios, que indicarão os maiores gargalos locais. Para participar, os planos de saúde devem aderir voluntariamente ao edital. É necessário comprovar estrutura técnica e operacional, além de apresentar uma matriz de oferta que atenda ao que é solicitado pelo SUS em cada região. Entre os benefícios para as operadoras estão o abatimento da dívida, a regularização fiscal e a ampliação da capacidade de uso de hospitais conveniados. Para o governo, a adesão também traz benefícios por reduzir disputas judiciais e administrativas com o setor público. Como funcionará o atendimento a pacientes do SUS Os pacientes serão atendidos por encaminhamento na rede conveniada a partir das decisões das equipes do SUS. “O que estamos valorizando nesse mecanismo é saber onde estão os médicos especialistas, onde estão os equipamentos, e levar o paciente do SUS até esses locais. A organização da fila e dos atendimentos será feita pelos complexos reguladores estaduais e municipais”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Depois, o pagamento será feito por combo de cuidados, não por cada atendimento. Os prestadores só receberão após finalizarem um conjunto completo de serviços, como consultas, exames e cirurgias dentro do prazo definido pelo programa. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras seguirão sujeitas à fiscalização e penalidades. Não será permitido priorizar pacientes do SUS em detrimento dos clientes dos planos, nem o contrário. Para participar do programa, as operadoras devem comprovar capacidade para realizar pelo menos 100 mil atendimentos por mês, ou, de forma excepcional, 50 mil em áreas de baixa cobertura. A distribuição regional dos atendimentos será equilibrada por meio de percentuais definidos previamente, com prioridade para regiões com maior carência de serviços médicos especializados. Integração de dados com o SUS Digital Além dos atendimentos, o programa também inclui uma inovação tecnológica. A partir de outubro, dados de atendimentos realizados por planos de saúde serão integrados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma digital do SUS. Pela primeira vez, cidadãos poderão acessar exames, prescrições, diagnósticos e tratamentos recebidos tanto na rede pública quanto na suplementar em uma mesma plataforma. As informações estarão disponíveis no aplicativo Meu SUS Digital, mediante cadastro por CPF. Profissionais e gestores do SUS também terão acesso aos dados. Isso permitirá evitar exames repetidos, melhorar diagnósticos e garantir mais agilidade no cuidado, com base em um histórico clínico mais completo. A integração ocorrerá em etapas. De 1º de agosto a 30 de setembro, a plataforma receberá dados retroativos de 2020 a 2025. A partir de outubro, a transmissão será automática, à medida que os atendimentos forem realizados. O envio será feito apenas da rede suplementar para o SUS, preservando a confidencialidade dos dados dos pacientes. As operadoras não terão acesso aos registros clínicos da rede pública, reforçando a segurança das informações. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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