Dois em cada dez brasileiros que tiveram Covid-19 sofreram com algum sintoma da Covid longa, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada nesta sexta-feira (24/5) pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde.
A PNAD Contínua foi realizada no primeiro trimestre de 2023 e entrevistou brasileiros com 5 anos de idade ou mais, de todas as regiões do Brasil.
A Covid longa é uma condição persistente em que as pessoas infectadas pelo coronavírus desenvolvem sintomas como fadiga, dor de cabeça, problemas de memória, dificuldade de concentração, ansiedade e depressão.
Para o levantamento do IBGE, os pesquisadores levaram em consideração a percepção pessoal dos entrevistados sobre o surgimento de sintomas novos, recorrentes ou persistentes, presentes 30 dias após o diagnóstico da Covid-19 e não atribuídos a outras causas.
Os recenseadores não pediram a confirmação da existência de sintomas por um médico ou a comprovação de que eles foram causados pela Covid-19.
As entrevistas mostraram que 23% das pessoas que tiveram Covid-19 perceberam a permanência ou o surgimento de sintomas após 30 dias, com maior recorrência entre os adultos.
Do total das crianças e adolescentes entrevistados (com idades entre 5 e 17 anos), 7,3% apresentaram sintomas pós Covid, enquanto os demais (91,9%) não tiveram sintomas. Já entre os adultos (com 18 anos ou mais), 24,7% se queixaram de algum sintoma de longo prazo, contra 74,3% assintomáticos.
Veja os sintomas mais frequentes da Covid longa
Para a população brasileira, os sintomas mais recorrentes da Covid longa foram:
- Cansaço/fadiga foi a queixa mais frequente nas entrevistas: 39,1%;
- Perda/alteração de olfato e paladar: 28,8%;
- Dor no corpo, muscular ou nas articulações: 28,3%;
- Problema de memória/atenção ou dificuldade na fala:(27,1%);
- Falta de ar/dificuldade para respirar: 21,6%;
- Dor de cabeça: 20,1%;
- Tosse: 17,4%;
- Insônia, ansiedade ou depressão: 9,7%;
- Febre: 8%;
- Outro: 8%;
- Problema cardíaco (pressão alta/baixa, taquicardia etc): 5,3%;
- Queda de cabelo: 4,2%.

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Sem ter um nome definitivo, o conjunto de sintomas que continua após a cura da infecção pelo coronavírus é chamado de Síndrome Pós-Covid, Covid longa, Covid persistente ou Covid prolongada
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Denominam-se Covid longa os casos em que os sintomas da infecção duram por mais de 4 semanas. Além disso, alguns outros pacientes até se recuperam rápido, mas apresentam problemas a longo prazo
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Um dos artigos mais recentes e abrangentes sobre o tema é de um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Os pesquisadores selecionaram as publicações mais relevantes sobre a Covid prolongada pelo mundo e identificaram 55 sintomas principais
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Entre os 47.910 pacientes que integraram os estudos, os cinco principais sintomas detectados foram: fadiga, dor de cabeça, dificuldade de atenção, perda de cabelo e dificuldade para respirar
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A Covid prolongada também é comum após as versões leve e moderada da infecção, sem que o paciente tenha precisado de hospitalização. Cerca de 80% das pessoas que pegaram a doença ainda tinham algum sintoma pelo menos duas semanas após a cura do vírus
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Além disso, um dos estudos analisados aponta que a fadiga após o coronavírus é mais comum entre as mulheres, assim como a perda de cabelo
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Especialistas acreditam que a Covid longa pode ser uma “segunda onda” dos danos causados pelo vírus no corpo. A infecção inicial faz com que o sistema imunológico de algumas pessoas fique sobrecarregado, atacando não apenas o vírus, mas os próprios tecidos do organismo
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Por enquanto, ainda não há um tratamento adequado para esse quadro clínico que aparece após a recuperação da Covid-19. O foco principal está no controle dos sintomas e no aumento gradual das atividades do dia a dia
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