Quando o declínio cognitivo começa? Estudo revela idade-chave Ouvir 11 de março de 2025 Um estudo revelou que o envelhecimento cerebral não é uma linha progressiva, conforme se imaginava. Os cientistas propõem que o declínio cognitivo segue uma trajetória não linear, com alguns picos críticos que começam por volta dos 44 anos. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, analisaram dados de mais de 19,3 mil indivíduos e identificaram que a degradação das redes cerebrais começa em meados dos 40 anos e se acelera significativamente após os 67 anos, estabilizando por volta dos 90 anos. Leia também Saúde Saiba quantas palavras cruzadas fazer para evitar declínio cognitivo Claudia Meireles Ciência revela um alimento que pode prevenir o declínio cognitivo Saúde Morar perto de áreas verdes pode reduzir declínio cognitivo na velhice Saúde Declínio cognitivo é inevitável na velhice? Saiba como se proteger Esses achados sugerem que o início dos 40 anos é um período crucial para intervenções que visam retardar o declínio cognitivo, atrasando as alterações metabólicas que levam ao envelhecimento cerebral. Por que o declínio cognitivo começa? O artigo que detalha a pesquisa foi publicado na revista científica PNAS em 3 de março. A equipe descobriu que a resistência neuronal à insulina é o principal fator por trás das mudanças na meia-idade. A insulina é o combustível usado pelos neurônios para cumprir suas funções e reparar danos. Quanto mais resistentes eles são a ela, mais combustível é necessário. Comparando biomarcadores metabólicos, vasculares e inflamatórios, os pesquisadores observaram que as alterações metabólicas precedem as outras, indicando que a desregulação da glicose no cérebro é um mecanismo central no início do envelhecimento. O achado abre caminho para estratégias preventivas focadas em melhorar o metabolismo neuronal. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3 Declínio cognitivo começa ao redor dos 40 anos Getty Images 2 de 3 Dificuldade de raciocínio é um dos sinais a serem observados em idosos com suspeita de demência e declínio cognitivo Alistair Berg/Getty Images 3 de 3 Além da alimentação, técnicas de relaxamento e exercícios também podem reduzir o declínio cognitivo na velhice Getty Images Cetonas como alternativa terapêutica As análises de expressão genética destacaram o transportador de cetonas MCT2 como um potencial fator de proteção. As cetonas, um combustível alternativo que os neurônios podem metabolizar sem insulina, mostraram-se promissoras. Em uma segunda fase do estudo da Universidade Stony Brook, um grupo de 101 participantes recebeu suplementos de cetonas, o que estabilizou as redes cerebrais em deterioração, com efeitos mais pronunciados na faixa dos 40 aos 59 anos, período que o “estresse metabólico” é o protagonista do declínio cognitivo. “Durante a meia-idade, os neurônios estão metabolicamente estressados, mas ainda são viáveis. Fornecer um combustível alternativo nessa janela crítica pode restaurar a função deles”, explica a neurologista Lilianne R. Mujica-Parodi em comunicado à imprensa. Já em idades mais avançadas, os benefícios das cetonas diminuíram, sugerindo que a intervenção precoce é essencial para maximizar os resultados. “Em vez de esperar pelos sintomas, podemos identificar pessoas em risco por meio de marcadores neurometabólicos e intervir cedo”, destacou Lilianne. Essas descobertas podem revolucionar as abordagens para prevenir doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Atualmente, os tratamentos focam em sintomas que aparecem tardiamente, quando danos significativos já ocorreram. A nova pesquisa propõe intervenções metabólicas, como dietas cetogênicas ou suplementos, iniciadas na meia-idade, antes do surgimento de sintomas cognitivos. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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