Remédios para emagrecer podem causar perda muscular, dizem cientistas Ouvir 5 de novembro de 2024 Medicamentos como Ozempic e Wegovy, amplamente conhecidos por promoverem a perda de peso, estão gerando preocupação entre cientistas devido aos possíveis impactos na perda muscular. Apesar de os fármacos, inicialmente aprovados para tratar diabetes tipo 2, terem mostrado resultados positivos em muitas pessoas, um grupo de pesquisadores chama atenção para a falta de estudos sobre como os medicamentos afetam os músculos. Em um comentário publicado na revista The Lancet em novembro, uma equipe de especialistas alertou que, apesar dos benefícios já comprovados, como a perda de peso e melhorias na saúde renal e cardíaca, não há dados suficientes sobre as consequências na saúde muscular. Leia também Saúde Popularidade do Ozempic reduz número de cirurgias bariátricas nos EUA Saúde Ozempic reduz risco de AVC, diz associação de cardiologistas dos EUA Saúde Emagrecer com Ozempic e Wegovy: ciência ou “hype”? Saúde Ozempic fake: como identificar falsificação e quais os riscos de tomar Medicamentos podem causar perda muscular Os agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Wegovy, têm sido eficazes para a perda de peso, reduzindo o risco de derrames e paradas cardíacas. Entretanto, pesquisadores destacam que os medicamentos podem causar uma perda maior de tecido não adiposo, incluindo massa muscular, em comparação com o emagrecimento sem o uso de medicamentos. As nutricionistas Carla Prado e Cristina Gonzalez, junto com os pesquisadores biomédicos Stuart Phillips e Steven Heymsfield, enfatizam que ainda não há evidências suficientes para confirmar se a perda de tecido está diretamente relacionada à queda muscular e se, de fato, isso pode prejudicar a força física ou o movimento. “Até o momento, não há dados suficientes para afirmar se o uso de agonistas do receptor GLP-1 está diretamente associado à fragilidade física ou à perda de massa muscular”, afirmam. Os cientistas ressaltam que a massa muscular tem um papel importante na absorção de glicose em resposta à insulina, e sua perda pode agravar os fatores de risco associados ao uso dos agonistas do GLP-1, como disfunção metabólica, inflamação e baixa atividade física. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3 Tanto o Ozempic quanto o Mounjaro são medicamentos para controlar a diabetes Shutterstock 2 de 3 A perda de peso é um efeito colateral das medicações Reprodução 3 de 3 Os remédios são usados “off label” para perda de peso Getty Images Como minimizar os riscos Diante dessas preocupações, os especialistas defendem que, para minimizar os riscos da perda muscular, os medicamentos devem ser usados de forma estratégica. “Esses fármacos altamente eficazes devem ser combinados com intervenções de nutrição e exercício físico”, recomendam. Estudos indicam que a ingestão de proteínas e a prática de exercícios de resistência podem ajudar a mitigar o problema, reduzindo a perda de tecido não adiposo em até 95%. Além disso, programas de exercícios supervisionados têm mostrado bons resultados na manutenção do peso perdido, especialmente após a interrupção do uso dos medicamentos. “Embora a perda muscular não seja motivo para interromper o tratamento com agonistas do GLP-1, é essencial que mais pesquisas sejam realizadas para entender os impactos a longo prazo”, concluem os pesquisadores. Eles acrescentam que estudos em andamento tentam explorar maneiras de prevenir ou minimizar a perda muscular durante o uso dos medicamentos, o que pode fornecer soluções para preservar a massa muscular durante tratamentos para perda de peso. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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