Transplantes: médicos acham meio para burlar rejeição a rim de porco Ouvir 15 de novembro de 2025 Médicos da NYU Langone Health, nos Estados Unidos, anunciaram nesta quinta-feira (13/11) em um artigo na revista Nature ter encontrado um caminho para reverter a rejeição de órgãos transplantados de porcos para humanos, os chamados xenotransplantes. Anteriormente, acreditava-se que uma vez iniciado o processo de rejeição, os tratamentos disponíveis não seriam capaz de detê-lo. De forma experimental, a equipe transplantou rim de porco alterado em receptor que já tinha morte cerebral. O coração do receptor estava batendo e ligado à ventilação mecânica. A condição permitiu acompanhamento contínuo da resposta imunológica ao transplante e o órgão permaneceu funcional por 61 dias. Os pesquisadores monitoraram tecidos, sangue e fluidos corporais para entender como o organismo tentaria combater o corpo estranho. O material revelou que a resposta ocorre em fluxo, com momentos de tolerância e momentos de ataque ao órgão de porco, o que pode permitir deter a rejeição. Leia também Ciência Cientistas descobrem como o corpo humano reage a xenotransplantes Saúde Inédito! Homem continua vivo 7 meses após transplante de rim de porco Saúde EUA autoriza testes de transplante de rim de porco em humanos Saúde Primeiro transplante de pulmão de porco em humano funciona por 9 dias Pistas sobre a rejeição inicial O primeiro estudo detalhou atividade de interação entre os tecidos humanos e suínos. Segundo a pesquisa, células T inicialmente monitoram o tecido desconhecido e o marcam para destruição, atacando estruturas específicas. O processo levou à queda repentina da função renal no receptor. A equipe reverteu o ataque imunológico com medicamentos imunossupressores. Após o tratamento, o rim voltou a funcionar sem sinais de dano permanente e, graças ao plano de intervir apenas nos fluxos de ataque, permitiu maior preservação dos sistemas de defesa e do órgão simultaneamente. O cirurgião Robert Montgomery, líder da pesquisa, afirmou ao site do hospital que a descoberta acelerará o uso de órgãos de porco na medicina. “Nossos resultados nos preparam melhor para antecipar e lidar com reações imunológicas prejudiciais durante o transplante de órgãos de porco em humanos vivos”, afirma ele. Mapeamento profundo das defesas do corpo Em um segundo artigo para a mesma revista e publicado na mesma data, a equipe descreveu uma análise genética do rim transplantado. A equipe mediu cerca de 5.100 genes humanos e suínos. A integração de dados permitiu visão completa da resposta imunológica, estabelecendo conexões e conflitos entre eles. O transplante ocorreu em 14 de julho de 2023 e os pesquisadores observaram três ataques imunológicos distintos. No 21º dia houve resposta inata do receptor. No 33º dia, células destruídas humanas, os macrófagos, englobam células do rim de porco para tentar matá-lo. A equipe impediu a atuação. No 45º dia, células T lideraram novo ataque, quando eles novamente interviram. “As reações imunológicas específicas reveladas em nossa investigação fornecem alvos claros em suínos e humanos para terapias que visam melhorar o sucesso do xenotransplante e, assim, solucionar a grave escassez de órgãos disponíveis”, conclui o autor sênior do estudo, o médico Brendan Keating. O que são os xenotransplantes? Essa é a primeira evidência clara de reversão de rejeição do órgão após o uso da terapia apenas em momentos focais. O protocolo é importante já que o uso de órgãos de porco no tratamento de doenças é considerado uma nova fronteira na medicina. O histórico recente inclui transplantes de corações, fígados, rins e timo de porcos modificados em pacientes vivos. Vários órgãos perderam função ou foram removidos e em muitos casos os receptores morreram pouco depois da cirurgia. Apesar dos infortúnios, isso não é considerado um erro do procedimento, mas consequência do estado de saúde já debilitado dos voluntários de quando eles realizam o procedimento. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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